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4   METODOLOGIA 80

4.2  PROCEDIMENTOS DE COLETA DOS DADOS 82 

Esta seção tem a intenção de indicar os caminhos percorridos para coletarmos os dados pertinentes à pesquisa a qual nos propusemos realizar. Para tanto, apresentamos os detalhes dessa coleta, no que se refere: à escolha dos sujeitos da pesquisa, à obtenção dos textos e à interação pesquisadora/discentes.

A primeira etapa da coleta de dados consistiu na escolha dos sujeitos da pesquisa. Trata-se de alunos do nono ano do Ensino Fundamental, turma A, da Escola Municipal Arthur Engrácio da Silva, localizada no bairro Nova Floresta, na zona leste do Município de Manaus, no Amazonas. A escolha desse público se dá ao fato de que temos trabalhado com alunos das turmas de nonos anos há cinco anos e, corroborando os achados de Morgan (1999), temos notado que nessa fase, em especial, os alunos, que têm entre 14 e 16 anos em média, estão em estágios de desenvolvimento e formação, passando por transformações dramáticas na sua compreensão da sociedade e de si mesmos, sendo altamente suscetíveis a influências externas com probabilidade de terem menos experiências no mundo real para embasar as suas interpretações do que assistem na televisão. Vale ressaltar, ainda, que no período em que executamos a pesquisa, eu não atuava como professora dessa turma em virtude da licença para cursar o Mestrado.

Quanto à localidade, a escolha se justifica pelo fato de que a pesquisadora faz parte do quadro de servidores efetivos lotados nessa escola e, atuando como professora de Língua Portuguesa, ouve constantemente, por meio de relatos de alunos e pais de alunos, que no bairro onde eles moram, considerado periférico e um dos mais carentes do município de Manaus, a comunidade lida, frequentemente, dentre outros problemas, com a violência

doméstica, ocasionada, em grande parte, pelo consumo exagerado de bebidas alcoólicas pelos pais de alunos, além do consumo de álcool pelos próprios adolescentes.

A seguir, são apresentadas as atividades e as tarefas que foram aplicadas em nosso estudo de caso, que visaram a pesquisar de que forma os estímulos ostensivos do filme publicitário Bar da Boa 1 – “Introdução” (input visuoauditivo) interferem nos processamentos cognitivo-inferenciais dos alunos (pré-teste) e, além disso, como os estímulos gerados pela intervenção didática sobre os estímulos ostensivos desse filme (input prevalentemente

auditivo) interferem nesses mesmos processamentos (pós-teste).

A coleta de dados ocorreu mediante a execução das seguintes ações. No dia 16 de novembro de 2010, dirigimo-nos à Escola Municipal Arthur Engrácio da Silva para pedirmos autorização à direção da escola para a realização da pesquisa (veja-se a solicitação no anexo A). Uma vez concedida a autorização, nós (diretora e pesquisadora) decidimos quais seriam os dias e horários mais adequados para a coleta dos dados. Cabe dizer ainda que a escola esteve em reforma de novembro de 2009 a junho de 2010, tendo iniciado suas atividades letivas do ano de 2010 no início do mês de julho. Até novembro de 2010, os alunos dos nonos anos do período vespertino dessa escola não tinham professor de Língua Portuguesa. Posto isso, os horários e dias escolhidos foram aqueles em que havia dois tempos seguidos destinados às aulas de Língua Portuguesa, a saber, segunda e quinta-feira.

No turno vespertino, havia duas turmas de nonos anos, A e B. Escolhemos a turma A motivados pela descrição da diretora de que era a turma com menor índice de evasão. Segundo a diretora, uma vez que as aulas iniciaram em julho e que até o mês de novembro o quadro de professores não estava completo, muitos alunos pediram transferência para outras escolas e, entre aqueles que permaneceram na escola, havia muitas ausências às aulas. Vale salientar que toda a parte da coleta de dados realizada na escola foi feita na própria sala de aula dos alunos.

Ainda no dia 16 de novembro de 2010, estivemos na sala de aula dos alunos do nono ano, turma A, explicamos o trabalho de pesquisa e pedimos que eles entregassem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (veja-se o anexo B) aos pais ou responsáveis e os trouxessem assinado no próximo encontro, caso os pais ou responsáveis estivessem de acordo com a execução da pesquisa. Alguns papéis contendo o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foram entregues à representante da classe para que, posteriormente, ela pudesse repassá-los aos alunos que não tinham vindo à escola naquele dia.

No dia 25 de novembro de 2010, demos início à primeira fase de coleta dos dados propriamente dita. Primeiramente, recolheram-se os Termos de Consentimento Livre e

Esclarecido devidamente assinados. Em seguida, foram entregues aos alunos, na forma impressa, os enunciados verbais do filme publicitário e procedemos à leitura em voz alta desses enunciados, acompanhada, em silêncio, pelos alunos. Logo após a leitura, foi explicada aos alunos a atividade que seria desenvolvida por eles das 13h30min às 16h.

Esclarecidos os tópicos referentes à execução da atividade, solicitou-se que os alunos assistissem ao filme publicitário Bar da Boa 1 – “Introdução”, analisando as mensagens veiculadas por ele. O vídeo foi exibido por seis vezes e, em seguida, a solicitou-se que os alunos produzissem um texto dissertativo-argumentativo (pré-teste). Essa produção foi feita sem nenhuma discussão a respeito dos estímulos ostensivos do filme.

O objetivo da proposta da tarefa 1, em pré-teste, foi verificar, por meio da produção escrita dos alunos, a interpretação que eles fizeram do que foi veiculado no filme publicitário. Para essa primeira atividade de produção textual escrita, foi preparado um instrumento próprio, contendo instruções sobre o tipo de texto a ser produzido, dados de identificação do aluno e do tema de produção textual, além de outras orientações (veja-se o anexo C).

No dia 29 de novembro de 2010, efetivamos uma intervenção didática oral, na forma de perguntas e respostas, que foi gravada em áudio e vídeo, com o objetivo de detectar as prováveis suposições envolvidas nessa atividade. Cabe ressaltar, ainda, que a intervenção didática oral foi precedida pela análise, por nossa parte, dos estímulos ostensivos do filme publicitário Bar da Boa 1 – “Introdução”.

O objetivo da intervenção didática oral, na forma de perguntas e respostas, foi o de trabalhar com os alunos a ideia de que “certos aspectos da interpretação dependem apenas do significado da sentença, e outros dependem de fatores contextuais. Certos aspectos são explícitos (parte do que é declarado, afirmado ou dito), enquanto outros são implícitos (parte do que é indicado, sugerido ou implicado)” (RAUEN, 2008, p. 28).

Logo após a intervenção didática oral, solicitou-se aos alunos a produção de um novo texto, que também deveria ser escrito com base na temática abordada no filme publicitário a que eles assistiram. Mais uma vez, os alunos receberam um instrumento de coleta de dados em branco para elaborarem os textos escritos. (veja-se o anexo D). No tempo da segunda produção textual, os alunos não estavam de posse dos primeiros textos escritos por eles, uma vez que o que pretendíamos analisar era se a segunda produção textual evidenciaria marcas de ampliação da compreensão dos alunos quanto aos estímulos ostensivos do filme publicitário, que poderiam não ter sido abordados no primeiro texto. Para a realização dessa segunda tarefa, os alunos tiveram dois tempos de aula, ou seja, uma hora e dez minutos. A

ideia basilar é a de detectar como os alunos processaram inferencialmente os estímulos ostensivos do filme antes e depois da intervenção didática.

Pela maneira como o estudo de caso está estruturado, o seu delineamento metodológico é pré-experimental com medida antes e depois, sem grupo de controle. A medida antes foi o pré-teste; a variável experimental, a intervenção didática oral e a medida depois, o pós-teste. Quanto aos meios técnicos da investigação, adotamos o método observacional na tarefa 1, o experimental na tarefa 2 e o comparativo na atividade 3.

Uma vez descrita a maneira como os dados foram coletados, apresentamos, a seguir, a metodologia que utilizamos para realizarmos a análise.