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3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.4 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DE DADOS

Neste estudo, a interpretação dos dados coletados foi feita de forma sistemática. Mesmo assim, houve a necessidade de refinamento e reformulação durante o processo.

Martins e Theóphilo (2009), explicam que a análise de conteúdo pode ser empregada em vários meios de comunicação, em discursos escritos ou orais, desde que transcritos, de maneira objetiva e sistemática, podendo originar a produção de categorias de análises.

Para determinar as categorias de análises, foram utilizados como base, além do referencial teórico, questionários e manuais de organizações internacionais que avaliam a sustentabilidade no campus universitário: o Ranking UI GreenMetric, já caracterizado anteriormente, a AASHE e a ULSF, que se encontram disponíveis para consulta nos Anexos A, B e C. As escolhas foram feitas com foco principal na parte de infraestrutura do campus, mas sempre permeando entre todas as funções de uma IES.

A análise de discurso é uma forma de construir interpretações e reconhecer, não somente o que está explícito, mas, também o que está implícito. O pesquisador pode analisar e interpretar gestos, olhares, expressões faciais para captar e compreender depoimentos falados e escritos, já que nem tudo que é lido pode ser a realidade de fato (Martins & Theóphilo, 2009).

Na Análise de Discurso é frequente a reprodução escrita de trechos das falas, que podem ser caracterizadas como o próprio discurso, com a intenção de relatar o que foi interpretado, sempre considerando a subjetividade do ouvinte (Martins, & Theóphilo, 2009). Com o objetivo de organizar a coleta e análise dos dados, foram definidas algumas categorias de análises, já avaliadas em outros estudos com objetivos semelhantes, como: Choi, Oh, Kang, & Lutzenhiser (2017), Alshuwaikhat, Adenle, & Saghir, (2016) e Dea, Rosa, & Sampaio (2010). São elas:

1. Políticas e Planos: Política Ambiental, Plano Ambiental, Plano de Redução do Carbono, Plano de Gestão da Energia, Plano de Logística Sustentável, Plano de Gestão dos Resíduos etc.;

2. Gestão da Energia: conservação e eficiência da energia, captação de energia solar, aquecimento de água por meio de painéis fotovoltaicos, troca de lâmpadas, iniciativas para redução no consumo etc.;

3. Gestão da Água: captação de água das chuvas, eficiência no consumo de água, cuidado e controle das fontes hídricas significativamente afetadas por retirada d’água (aquífero, lençol freático) etc.;

4. Gestão de Materiais, Equipamentos e Fornecedores: aquisições sustentáveis, compra de materiais reciclados, compra de equipamentos com baixo consumo de recursos, escolha de fabricantes e produtos que prezam a sustentabilidade, controle do

processo de compra, armazenamento e manuseio de produtos químicos etc.;

5. Gestão de Resíduos, Efluentes e Emissões: coleta seletiva, reciclagem, tratamento de resíduos químicos, controle de ruídos e odores, estação de tratamento de esgoto etc.;

6. Meio ambiente: preservação de áreas verdes e nascentes, projetos de reflorestamento, biodiversidade etc.;

7. Mobilidade: opções de transporte como ônibus, carona, ciclovia, transporte de bens materiais etc.;

8. Mudanças climáticas: gestão do carbono, projetos voltados ao controle de emissões diretas dos gases causadores de efeito estufa, substâncias destruidoras da camada de ozônio, emissões de Dióxido de Carbono (CO2), Dióxido de Enxofre (SO2), Dióxido de Nitrogênio (NO2), entre outras emissões atmosféricas significativas etc.;

9. Ambiente construído: construções sustentáveis e planejamento do espaço físico do campus;

10. Comunicação e Treinamento: programas de educação e treinamento ambiental, divulgação e participação das comunidades interna e externa nas práticas de sustentabilidade etc.; e

11. Relação com Cidade e Comunidade: impacto das ações na cidade onde está inserida, interação com a comunidade acadêmica e externa (local e regional), troca de experiências com a comunidade universitária nacional e globalmente.

A ULSF tem grande importância neste cenário, já que foi a primeira declaração criada por administradores de IES, firmando compromisso com a sustentabilidade ambiental. Surgiu na Conferência de Talloires na França em 1990 e consiste em apoiar a sustentabilidade ambiental em todas as dimensões de uma IES por todo o mundo, a partir de pesquisas, avaliações e publicações, além de servir como um secretariado dos signatários da Declaração de Talloires. Foi assinada por mais de 500 presidentes universitários e chanceleres em todo o mundo (University Leaders for a Sustainable

Future [ULSF], 2016).

De acordo com a ULSF (2016), o Questionário de Avaliação de Sustentabilidade (SAQ) é baseado em sete dimensões críticas do ensino superior: currículo; pesquisa e bolsa de estudos; operações; professores e funcionários; desenvolvimento e recompensas; divulgação e serviço; oportunidades do aluno; administração, planejamento e missão.

A AASHE foi fundada em 2005, nos EUA, é composta por mais de 900 membros em vários países, que se concentram no continente norte-americano. É uma associação

considerada líder como impulsionadora da inovação em sustentabilidade no ensino superior. Possui um Sistema de Rastreamento, Avaliação e Classificação da Sustentabilidade (STARS) com o objetivo de colaborar na avaliação da sustentabilidade das IES (AASHE, 2016).

O STARS possui um subitem específico, AC-8, que avalia o campus como um Laboratório Vivo, o qual foi utilizado como referência neste trabalho. Este subitem faz parte de um dos itens de avaliação, o acadêmico, mas além dele existem mais quatro: compromisso; operações; planejamento e administração; inovação e liderança (AASHE, 2014).

Para fins de aplicação neste estudo, foram considerados os seguintes critérios de cada organização:

UI GreenMetric (UI GreenMetric, 2016)

● Configuração e Infraestrutura; ● Energia e Alterações Climáticas; ● Resíduos;

● Água;

● Transporte; e ● Educação.

ULSF – Operações (ULSF, 2016)

● Construção e renovação de construção; ● Práticas de conservação de energia; ● Práticas de redução de resíduos; ● Programa de alimentação sustentável; ● Práticas de conservação de água; ● Paisagismo sustentável;

● Programa de transporte sustentável; ● Compras verdes;

● Redução de materiais tóxicos e resíduos radioativos; e ● Avaliação ambiental ou sustentabilidade / auditorias. AASHE – Operações (AASHE, 2014)

● Construções; ● Serviços de Refeições; ● Energia; ● Terrenos; ● Compras; ● Transporte; ● Resíduos; e ● Água.

Com base na metodologia apresentada, por meio da coleta de múltiplas fontes de evidência e análise dos dados, foram gerados os resultados que serão apresentados no próximo capítulo.

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