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Procedimentos de análise e tratamento de dados

CAPÍTULO II – METODOLOGIA

4. Procedimentos de análise e tratamento de dados

Para a realização da análise e tratamento dos dados recolhidos neste estudo recorreu-se a metodologia qualitativa e a metodologia quantitativa.

O processo de análise de dados qualitativos utilizou a análise de conteúdo e procurou seguir as fases propostas por Bardin (2008). Assim, inicialmente organizámos e sistematizámos a informação e retirámos as primeiras ideias de forma a planificar um conjunto de operações (fase de pré-análise); posteriormente, a partir da transcrição das entrevistas realizámos a análise dos dados propriamente dita, análise temática e categorial do discurso produzido pelos sujeitos atendendo aos objetivos do estudo (fase de exploração do material). Esta fase envolveu necessariamente um processo de categorização da informação referida pelos sujeitos, em que se procurou dar conta da variedade e riqueza do seu discurso e, em simultâneo, manter as designações e a semântica do seu discurso o mais próximo possível da linguagem utilizada pelos sujeitos. O resultado da categorização traduziu-se numa lista de categorias ordenadas e agrupadas coerentemente de acordo com os temas identificados – Grelha de análise temática categorial (Anexo D).

A análise de conteúdo procura evidenciar com objetividade as descrições subjetivas de conteúdos dos estímulos a que os sujeitos são submetidos (Bardin, 2008). Esta forma de análise de dados revela-se flexível e adaptável à técnica de entrevista permitindo realizar inferências interpretativas com base nos conteúdos expressos e visando a explicação e a compreensão dos mesmos (Amado, 2014).

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Ao realizarmos esta análise, procurámos respeitar alguns princípios básicos: assegurámo-nos de que todas as questões da entrevista fossem respondidas por todos os sujeitos de forma a garantir que o nosso corpus documental fosse o mais completo possível, procurámos a adequação do corpus documental aos objetivos propostos pelo estudo (pertinência) e, aquando da análise propriamente dita, procurámos esgotar a totalidade dos conteúdos presentes no texto tendo em conta todos os elementos do corpus documental (exaustividade) (Bardin, 2008; Esteves, 2006).

A análise realizada consistiu num processo de categorização baseada no critério semântico do discurso dos estudantes, considerando-se como unidades de significado, os elementos que representam uma ideia, uma situação e/ou conteúdos de informação que sejam compreensíveis por si mesmas (Schilling, 2006).

O processo de categorização procura a proximidade e comunalidades entre as categorias, por forma a permitir um bom agrupamento dos elementos e uma representação condensada e simplificada dos dados (Bardin, 2008). As categorias podem ser criadas de acordo com dois tipos de procedimentos: fechados ou abertos (também designados de exploratórios). Os procedimentos fechados incluem os casos em que o investigador possui uma lista prévia de categorias, criada com base em teorias gerais e os registos pertinentes são distribuídos pelas ditas categorias, sendo rejeitados aqueles que não cabem em nenhuma delas (Esteves, 2006). Por outro lado, os procedimentos são abertos quando a emergência de categorias se dá a partir do próprio material em estudo (Esteves, 2006). No caso do nosso estudo utilizámos os procedimentos abertos sendo que a lista de categorias emergiu da análise do discurso dos estudantes.

Para a realização da categorização procurámos respeitar princípios de qualidade propostos por Bardin (2008). Procurámos considerar apenas uma dimensão de análise num mesmo conjunto de categorias, implicando que, diferentes níveis de análise fossem separados em análises sucessivas (princípio da homogeneidade categorial). Cuidámos também que, cada elemento de análise fosse classificado numa categoria apenas (princípio da exclusão mútua). Em determinados casos, partes das verbalizações dos indivíduos apresentam-se dentro de parêntesis retos. Tal significa que estes excertos foram classificados e contabilizados noutra categoria ou subcategoria mas que os deixámos presentes propositadamente para ajudar a compreensão das ideias expressas pelos participantes. Saliente-se que, o princípio da exclusividade mútua depende da homogeneidade das categorias. Procurámos igualmente, adequar as categorias ao material de análise escolhido, adequar as categorias ao quadro teórico subjacente; refletir os

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objetivos do estudo, as questões de investigação e as caraterísticas dos conteúdos das mensagens (princípio da pertinência). Procurámos também responder ao princípio de objetividade e fidelidade, princípio este que se prende com a necessidade de estabelecer organização e uma definição das categorias clara e coerente de forma que, mesmo submetidas a análise por vários analisadores, estas sejam codificadas da mesma forma. Por último, procurámos responder ao princípio da produtividade buscando a fertilidade dos resultados quer em termos de índices de inferências, quer em termos de novas hipóteses e de dados concretos (Bardin, 2008).

A análise de dados qualitativos exige uma forte componente de interpretação por parte do investigador (Ribeiro, 2010) e estas inferências podem ser corroboradas e/ou contrariadas por outros procedimentos de análise ou por outras investigações. Por estes motivos, a análise deve ser sujeita a processos de validação interna, a críticas e à contestação dos resultados obtidos; e a sua objetividade e sistematicidade devem ser testadas e melhoradas, quer pelo próprio investigador quer por pares que o auxiliem nesse processo (Esteves, 2006). Assim, a validade, a fidelidade e a fiabilidade são essenciais à investigação. A validade da categorização passa pelo fato dela se coadunar com os objetivos delimitados, ser pertinente e produtiva. A fidelidade prende-se quer com o instrumento de codificação quer com o codificador. Torna-se então necessário verificar a fidelidade das categorias de análise, a fidelidade intracodificador e intercodificador. A fidelidade intracodificador significa que o mesmo analista classifica da mesma forma uma mesma unidade de registo mesmo em momentos diferentes. A fidelidade inter- codificador significa que diferentes analistas, trabalhando com o mesmo material, codificam da mesma forma um dado conjunto de unidades de registo. Nesta investigação, para garantir as questões ligadas à fiabilidade, validade e acordos interjuízes, foi constituído um painel de três investigadores que fizeram revisão da análise da codificação, resolvendo as situações de discrepância. O nível de concordância final entre estes avaliadores foi de 95%. O índice de fidelidade foi calculado através da equação total de casos de acordo dos vários codificadores a dividir pelo somatório dos casos de acordo com os casos de desacordo (Esteves, 2006). A grelha de análise de conteúdo assim como de critérios de categorização podem ser consultados no Anexo E desta tese.

A fase da análise de conteúdo pode ocorrer com o auxílio do computador ou de forma “manual” (Bardin, 2008). Apesar de reconhecermos a utilidade da utilização de sofwares no processo de análise dos dados, neste estudo, optámos pela não utilização desta ferramenta. Justificamos esta nossa opção pelo fato de se tratar de um estudo

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essencialmente exploratório, que procura profundidade, o que obriga a uma análise minuciosa e muito atenta por parte do investigador. Esta opção traz necessariamente consequências menos positivas como a morosidade do trabalho, a probabilidade de uma menor organização na investigação e a maior dificuldade na manipulação de dados complexos (Bardin, 2008). No entanto, traz também consequências positivas como uma manipulação mais humanizada e presente dos conteúdos na sua globalidade e contexto de enunciação. Reconheçamos que esta fase de análise de dados se trata de um período extremamente laborioso e que exige muita dedicação e paciência por parte do investigador.

No que concerne ao tratamento quantitativo dos dados empregámos a estatística descritiva simples e realizámos a análise de frequências em função das unidades de sentido - segmentos de conteúdo que contêm uma ideia, episódio ou informação consideradas como unidade base (Schilling, 2006). Procedemos à contagem do número de vezes que cada elemento semântico que expressa uma ideia distinta se encontrava presente no discurso dos sujeitos. Nos casos em que os sujeitos repetiram a mesma unidade de sentido, esta foi considerada uma única vez. Posteriormente, e para averiguar a existência de associações dos temas, categorias e subcategorias por relação com as variáveis curso, ano e sexo, recorremos ao teste de qui-quadrado (χ2) sempre que os valores das frequências o permitiram. O teste do χ2 reflete as diferenças entre as frequências observadas e esperadas (Guéguen, 1999). O objetivo passa por comparar as frequências observadas com as frequências esperadas em cada uma das células de uma tabela de contingência. O teste compara o número de indivíduos que se distribuem por uma dada categoria, com o número de sujeitos que se esperaria que se distribuíssem por essa mesma categoria caso não existissem diferenças (Pocinho, 2010). Tendo em conta que quando existem células com frequências esperadas inferiores a 1, ou mais do que 20% das células com frequências esperadas inferiores a 5, a interpretação do nível de significância do teste pode não ser fidedigna, optamos por não realizar esta análise sempre que se verifiquem estas condições (Afonso & Nunes, 2011; Pestana & Gageiro, 2014). O teste do qui-quadrado de independência permite verificar a existência ou inexistência de associações entre os temas, categorias e subcategorias e as variáveis consideradas (Pestana & Gageiro, 2014), ou por outras palavras, se as duas variáveis estão ou não associadas uma à outra por uma relação de dependência (Pocinho, 2010). Para realizar o tratamento estatístico recorremos ao SPSS 21.0. A subsequente análise e interpretação

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dos resultados levou-nos colocar inferências que procuram corresponder aos objetivos propostos (Bardin, 2008).

Os resultados deste estudo poderão revelar-se uma mais-valia para o aumento de conhecimento científico sobre a temática e para recolher bases empíricas passíveis de sustentar a intervenção educacional ao nível da promoção de estratégias de estudo e de aprendizagem e da regulação cognitiva e afetiva dos estudantes no ensino superior.

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