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3 O PERCURSO DA PESQUISA

3.6 Procedimentos de análise

As entrevistas foram estudadas e interpretadas através da análise de conteúdo proposta por Bardin (2004). Adotar esse suporte analítico implica em buscar interpretar as informações captando e refinando seus sentidos e significados. Conforme a autora, análise de conteúdo significa:

Um conjunto de técnicas de análise das com unicações visando obter, por procedim entos sistem áticos e objetivos de descrição de conteúdo das m ensagens, indicadores (quantitativos ou não) que perm itam a inferência de conhecim entos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas m ensagens (p.37).

Para procedermos a análise, após a coleta das informações, transcrevemos todas as entrevistas das professoras, um exercício exaustivo que demandou tempo, dedicação e paciência, uma

vez que procuramos respeitar todos os detalhes, como pausas, repetições e silêncios dessas falas. Lembramos que nesse percurso, algumas vezes, tivemos que ouvi-las inúmeras e repetidas vezes, sobretudo, devido a algumas dificuldades para captar os sons emitidos por ruídos do áudio. Mesmo admitindo esses obstáculos, insistimos que essa é uma tarefa do pesquisador. Nossa experiência vem reforçar o que já discutíamos em nossas aulas5 durante o curso: não é possível delegar essa responsabilidade a quem está alheio ao processo. Corroboramos com Szymanski (2004), quando faz esta ponderação sobre a transcrição da entrevista em pesquisa. Afirma:

O processo de transcrição de entrevista é tam bém um m om ento de análise, quando realizado pelo próprio pesquisador. Ao transcrever, revive-se a cena da entrevista, e aspectos da interação são relem brados. Cada reencontro com a fala do entrevistado é um novo m om ento de reviver e refletir. (p.74)

Após a transcrição, foram realizadas várias leituras flutuantes do material, como sugere Bardin (2004). As leituras tiveram como finalidade uma maior familiarização com o seu conteúdo. Salientamos que foi uma leitura exaustiva, minuciosa e com ela nos esforçamos para captar a essência do que foi dito, os seus sentidos e significados.

Um segundo momento da análise correspondeu à construção de quadros temáticos (dois exemplos deles encontram-se no Anexo 3), os quais visavam a explicitar as falas para nelas captar as

5 Fazemos uma referência especial aqui às aulas de Pesquisa em Formação de Professores II

ministrada pelas professoras Maria Eliete Santiago e Laêda Bezerra Machado que, além de outras coisas, sempre insistem na necessidade de se manter o cuidado e rigor na construção de um trabalho de pesquisa.

unidades de sentido. Lembramos que inferir essas unidades é um exercício, uma construção do pesquisador.

Dado o farto material que possuíamos, selecionamos parte dele, destacando tópicos desenvolvidos nessas entrevistas que estivessem diretamente relacionados ao nosso objeto, quais sejam: inclusão, aprendizagem e ser professora de aluno com deficiência. O modo como realizamos a análise pode ser visualizado no quadro (Anexo 3). A leitura do referido quadro pode ser efetivada nas direções horizontal e vertical. Na primeira linha horizontal, estão localizadas as temáticas de análise, na segunda linha, também horizontal, estão os elementos possíveis de análise e na última linha nessa direção estão as categorias delas emergentes. Numa leitura na direção vertical, na primeira coluna, encontramos o código de identificação da participante, na segunda alguns trechos das entrevistas e, na terceira coluna, inferimos as unidades de significados.

Da captação e explicitação desses significados chegamos às categorias. Por categoria, entendemos, conforme Bardin (2004):

um a operação de classificação de elem entos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidam ente, por reagrupam ento segundo o gênero (analogia), com critérios previam ente def inidos. As categorias são rubricas ou classes, que reúnem um grupo de elem entos unidades de registro, no caso da análise de conteúdo) sob um titulo genérico, agrupam ento esse efectuado em razão dos caracteres com uns destes elem entos (p.111).

Entendemos que as categorias empíricas são construídas a partir do conteúdo das falas. São sínteses a respeito do objeto de estudo. No nosso caso, elas são indícios da representação social de inclusão das professoras.

Para análise dos dados da associação livre montamos o Quadro 4 (Anexo 4). O referido quadro é uma síntese do que obtivemos da aplicação desta técnica junto às professoras. Ele contém exemplos das evocações feitas por elas. Uma leitura do referido quadro nos faz perceber que, na direção horizontal, situamos nessas linhas o código de identificação da participante, seguido das palavras evocadas e, numa seqüência, a palavra eleita como mais importante e sua respectiva justificativa.

As análises das palavras mais evocadas possibilitaram a organização dos campos semânticos. O agrupamento em campos semânticos é um procedimento comum para apreensão do conteúdo representacional de um objeto. Trata-se de uma aproximação das palavras e seu agrupamento por semelhança de significados.

Das evocações das professoras ao estímulo indutor:

i n c l u s ã o é... obtivemos um conjunto de cento e doze (112) palavras,

Quadro 5 (Anexo 5). Após esse levantamento inicial, elas foram separadas seguindo o critério freqüência de evocação. Elegemos como mais significativas aquelas palavras que apresentavam freqüência igual ou superior a cinco (≥ 5). A definição desse ponto de corte não foi feita aleatoriamente, este é um procedimento comum para agrupamento das palavras em campos semânticos, uma vez que o quociente de evocação é tomado como ponto de partida para fazer os agrupamentos. Após a definição do ponto de corte, num segundo levantamento, chegamos a quatorze (14) palavras apresentadas no Quadro 6.

Quadro 6:

Palavras mais evocadas pelas professoras a partir do

estímulo indutor: inclusão é...

N = 43

PALAVRAS F % Amor 20 18 Respeito 14 12,8 Apoio 8 7,3 Aceitação 8 7,3 Compreensão 8 7,3 Participação 7 6,4 Dificuldade 7 6,4 Oportunidade 6 5,5 Solidariedade 6 5,5 Dedicação 6 5,5 Paciência 5 4,5 Incluir 5 4,5 Integração 5 4,5 Atenção 5 4,5 Total 110 100%

Após esse levantamento, procedemos à organização ou o mapeamento por proximidade semântica, ou seja, agrupamos as palavras pela aproximação de seus significados. Esses campos, em número de três, estão apresentados no Quadro 7. Lembramos que as justificativas das professoras para as palavras mais importantes serviram como suporte para e reforçar e dar legitimidade aos campos semânticos emergentes das evocações.

Quadro 7:

Campos semânticos emergentes

das evocações das professoras

CAMPO SEMÂNTICO PALAVRAS Campo 1 AMOR, ACEITAÇÃO, COMPREENSÃO, SOLIDARIEDADE, DEDICAÇÃO, PACIÊNCIA, ATENÇÃO

Campo 2 RESPEITO, APOIO, DIFICULDADE.

Campo 3

PARTICIPAÇÃO, OPORTUNIDADE, INCLUIR, INTEGRAÇÃO.

A partir do próximo capítulo, estaremos explorando e discutindo os resultados da pesquisa, as categorias temáticas emergentes das entrevistas e os campos semânticos, sínteses das evocações.