CAPÍTULO 3 – ANÁLISE REFLEXIVA SOBRE OS OBJETIVOS DA INTERVENÇÃO
3.3 Procedimentos de avaliação do risco de incidente de Queda no CMRA
O incidente de queda pode acontecer na sequência da sobreposição de vários fatores
coadjuvantes (intrínsecos e extrínsecos) o que obriga a uma visão holística sobre o
utente internado em instituição prestadora de cuidados de saúde (Almeida, Abreu, &
Mendes, 2010). Segundo o Plano de Prevenção e Monitorização do Evento de Queda
do CMRA (CMRA, 2013) são considerados como fatores intrínsecos: a história anterior
de queda; a Agitação; a Confusão; a Epilepsia; a Hipotensão; Hipoglicémia; a Anemia;
a Incontinência de esfíncteres; as Vertigens; as Alterações Cognitivas; a Redução da
Força Muscular; as Alterações do Equilíbrio; a Astenia; a Diminuição da Acuidade
Visual; as Alterações Sensitivas; as Perturbações do Sono; a Medicação e a Idade.
Com base no plano mencionado como fatores extrínsecos para adultos são
enunciados: O Calçado/Roupa Inadequada; A Fraca Iluminação; O Piso Escorregadio
ou em Mau Estado de Conservação e a Existência de Obstáculos. Em utentes
categorizados como população pediátrica, as quedas ocorrem normalmente em
contexto não institucional (CMRA, 2013). Ainda de acordo com o Programa de
Melhoria Contínua – Prevenção e Monitorização de quedas do CMRA (CMRA, 2012)
sempre que existe uma admissão de um utente, o mesmo deve ser alvo de Avaliação
de Risco de queda em conformidade com as escalas adotadas e os procedimentos
instituídos.
A utilização de escalas é essencial como instrumento de avaliação, no entanto, a
escolha de qual deverá ser utilizada é uma problemática que tem sido alvo de alguma
preocupação e controvérsia no seio dos profissionais de saúde como refere
Costa-Dias e Ferreira (2014b). De facto, uma escala de avaliação, como qualquer outro
instrumento de avaliação necessita de ser submetido a um processo de adaptação
cultural e linguística e validado para a língua portuguesa (Almeida, Abreu, & Mendes,
2010). Este aspeto é muito importante, dado que os instrumentos de medida devem
ter qualidades essenciais como a fiabilidade e a validade. Além disto, todas as escalas
que existem estão concebidas em outra língua que não a portuguesa e para outra
cultura e, por isso, têm de ser submetidas a um processo de tradução, adaptação
cultural e linguística e validação para a língua portuguesa, para que os instrumentos
de medida se mantenham fiéis ao original (Wild et al., 2005). Por fim, quando se
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escolhe um método de avaliação deve ser tido em consideração que estamos perante
uma ferramenta de trabalho que auxilia na tomada de decisão e ajusta as intervenções
de Enfermagem a cada utente, pelo que carece da melhor atenção, ponderação e
reflexão.
Sobre esta matéria o Plano de Prevenção e Monitorização do evento de Queda
preconiza que a avaliação inicial do risco poderá ser realizada pelo Enfermeiro nas
primeiras 24 horas, no entanto, sempre que possível deverá ser realizado no momento
de admissão (Figura 9). Para utentes com idade igual ou superior a 18 anos o
instrumento a utilizar deverá ser o formulário aprovado para o efeito que consiste
numa adaptação da Escala de Quedas de Morse4 (EQM) (Anexo VI). Para crianças e
adolescentes aplica-se a escala adaptada de Humpty Dumpty Fall Scale (Anexo V).
Esta escala é um instrumento de carácter observacional constituído por sete itens:
idade; género; diagnóstico; deficiências cognitivas; fatores ambientais; consumo de
medicamentos e reação à cirurgia, sedação e anestesia.
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