2 Objetivos
3.4 Aspectos éticos
3.7.3 Procedimentos de coleta de dados
Uma enfermeira da UCIN foi responsável por recrutar os sujeitos da pesquisa de acordo com o agendamento do teste de triagem neonatal do prematuro. Atendidos os critérios de inclusão da amostra, as mães que aceitavam participar do estudo foram solicitadas a comparecer na UCIN pela manhã no dia agendado. A enfermeira colocava um lembrete com a data e horário agendados no cartão de exame do prematuro no seu berço ou na incubadora. O mesmo lembrete era entregue às mães. A mãe ainda recebia, da enfermeira, dois tubos Salivettes® adequadamente identificados e acompanhados de folheto explicativo com instruções para a coleta das amostras de saliva no período noturno, no dia anterior ao exame
(cortisol salivar noturno da mãe) e ao despertar no dia do exame (cortisol salivar despertar da mãe).
No dia do teste de triagem neonatal, inicialmente foi assinado o termo de consentimento livre e esclarecido pela mãe e/ou responsável e realizada uma entrevista com a mãe para levantamento dos dados sociodemográficos maternos (APÊNDICE G). A seguir, foram coletadas a primeira amostra de saliva do prematuro e da mãe (cortisol salivar pré-punção), com o prematuro em posição supina na incubadora ou no berço e a mãe sentada em uma cadeira próxima ao seu filho.
3 Casuística e Método 79
Então, procedemos à instalação dos eletrodos cardíacos no prematuro para início da verificação da FC, com o prematuro ainda na incubadora ou no berço, sendo aguardada a estabilização da mesma (≤ 160bpm) para se iniciar a filmagem da face do prematuro (CAM 1) e monitorização cardíaca durante dez minutos (fase
basal – FB). A realização da fase basal, anterior ao posicionamento do prematuro
em contato materno pele-a-pele, seguiu as recomendações de Johnston et al. (2008), para que fossem mensurados os valores das variáveis comportamentais e biofisiológicas, sem o viés da intervenção (contato materno).
Posteriormente, o prematuro foi colocado em contato materno pele-a-pele por 15 minutos, em posição prona, com cabeça lateralizada, vestindo apenas uma fralda, sendo mantido nesta posição até o final da coleta para garantir seu efeito terapêutico, conforme Castral et al. (2008). Após este período, a enfermeira vinculada ao projeto ou uma das quatro enfermeiras treinadas da UCIN realizava o procedimento de coleta de sangue para o teste de triagem neonatal. A partir deste momento também era filmado o comportamento da mãe e sua interação com o prematuro, por meio de uma segunda câmera focando o binômio mãe-filho (CAM 2).
O teste de triagem neonatal constituiu-se das seguintes etapas: antissepsia do calcâneo com álcool a 70%, punção com lanceta Unistik®2 (Owen Mumford, Oxford) ordenha do calcâneo para retirada do sangue e compressão com gaze (fase
procedimento – FP). Após o término do procedimento doloroso, o prematuro era
mantido na posição canguru por mais dez minutos para recuperação (fase
recuperação – FR).
Ao final dos dez minutos da recuperação, a filmagem era finalizada e o prematuro retirado da posição canguru e transferido para a incubadora ou berço, em posição lateral direita, onde permanecia, sem ser manipulado, por mais dez minutos, sendo, então, coletada a segunda amostra de saliva do prematuro e da mãe
(cortisol pós-punção).
A Figura 1 ilustra o procedimento de coleta de dados. Para a marcação de cada fase durante as filmagens, envelopes coloridos eram mostrados no canto inferior do vídeo no início de cada fase da coleta.
3 Casuística e Método 80
3 Casuística e Método 81
As variáveis neonatais (mímica facial, estado de sono e vigília, choro e FC) foram registradas durante 20 minutos nas fases FB e FR. Na FP, a duração foi atrelada ao tempo necessário para coleta de sangue suficiente para o exame, assegurando-se um tempo mínimo de 20 segundos após cada etapa do exame (antissepsia, punção e compressão), período este necessário para codificação da mímica facial.
Para a obtenção dos dados do nascimento e clínicos do prematuro (APÊNDICE H), a pesquisadora e mais duas assistentes de pesquisa realizaram uma busca ativa dos prontuários no Sistema de Registro de Prontuários do hospital. Quando a mãe ainda estava internada no alojamento conjunto por ocasião da coleta ou esteve internada por ocasião do parto, os prontuários também foram analisados para obtenção de dados obstétricos e terapêuticos adicionais.
Para levantamento do número de procedimentos dolorosos aos quais os prematuros foram submetidos nas 24 horas anteriores à coleta do teste de triagem neonatal, foram considerados os registros da equipe de enfermagem e médica, assim como solicitações de exames contidas nos prontuários dos prematuros. Definimos, como procedimentos dolorosos, todos aqueles que envolvem rompimento da epiderme, tal como punção de calcâneo, venopunção, inserção de cateter venoso ou arterial, punção lombar e intubação, conforme estudo de Holsti et al. (2004).
Para implantação da posição canguru ou contato pele-a-pele foi solicitado à mãe que vestisse uma camisola do hospital, aberta na frente. O prematuro foi posicionado no colo materno, com a ajuda da pesquisadora ou assistente de pesquisa. A mãe permaneceu sentada em uma cadeira próxima à incubadora ou berço do seu filho para realizar o contato pele-a-pele durante as fases FB e FR; no entanto, na FP, ela ficava em posição vertical, com o prematuro na posição canguru, a fim de facilitar a drenagem do sangue, conforme normas para realização do teste de triagem neonatal do Ministério da Saúde (BRASIL, 2004). A mãe era orientada a manter uma de suas mãos sobre a costa do bebê para assegurar que o mesmo permanecesse na posição canguru de maneira segura. Todas as mães foram instruídas pela pesquisadora ou assistente de pesquisa a interagir com o seu filho da maneira que habitualmente o fazem.
A temperatura da sala onde as coletas foram realizadas era mantida, por meio do ar condicionado, à temperatura de 27oC, no mínimo, para assegurar que os prematuros não sentissem frio, evitando-se correntes de ar no local.
3 Casuística e Método 82
3.8 Codificação das imagens