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PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS – INSTRUMENTOS DE

Assim, um dos pontos principais do método da pesquisa de campo é a coleta de dados concretos sobre uma ampla série de fatos. O que se deve fazer não é apenas enumerar alguns exemplos, mas levantar exaustivamente, o maior número possível de casos; e,nessa busca de fatos, será mais bem sucedido o investigador que tiver o esquema mental mais claro. Mas sempre que o material de pesquisa permitir, esse esquema mental deve ser transformado em um esquema real; deve materializar-se em diagramas, em planos, em quadro sinótico exaustivo de todos os casos. (MALINOWSKI, 1986, p. 37).

Busquei apreender o suficiente sobre a realidade cultural estudada de modo a expressar significados complexos em uma narrativa suficientemente descritiva para poder vivenciar e permitir que aqueles que lerem esta experiência se contextualizem, ainda que em outras situações, e, através delas, cheguem a conclusões.

Dos instrumentos de avaliação e pesquisa – mapa que permite sua forma de ser construída e validada – utilizei o questionário, a entrevista e a observação. São recursos utilizados na coleta de informações para análise dos dados que foram avaliados, ou seja, “instrumento[s] de pesquisa ou avaliação consiste[m] no recurso usado para coletar a informação de interesse sobre uma variável, característica, categoria ou dimensão do objeto, ou ainda evidências de indicadores” (ELLIOT, 2012, p. 13).

O questionário serviu como um instrumento muito coerente na pesquisa qualitativa por ser “uma técnica de investigação que inclui um número mais ou menos elevado de questões que, apresentadas às pessoas, objetivam, dentre outros aspectos, o conhecimento de fatos, comportamentos, opiniões, crenças, sentimentos, atitudes, interesses, expectativas, motivações, preferências e situações vivenciadas”, Elliot (2012, p. 27). Esta citação resume o porquê de usar esse instrumento também na coleta dos dados. Durante o período da pesquisa, houve necessidade de reformular o questionário para ampliar os aspectos a serem observados, bem como, garantir a participação dos envolvidos no processo.

O primeiro questionário composto por 04 (quatro) questões, aplicado em setembro de 2011, foi ignorado por não ter não conseguido o resultado almejado, pois apenas 03 (três) professores devolveram-no. Isso sinalizou a necessidade da reformulação, exigindo ampliação das questões, alteração da linguagem e da perspectiva do pesquisador que entendia que a prática pedagógica estava restrita ao professor, em outras palavras, acreditávamos que a prática pedagógica era de competência apenas do professor. Esse primeiro questionário teve a função de pré-teste.

O segundo questionário composto por 17 (dezessete) questões, foi aplicado em agosto de 2012 com apenas 06(seis) dos 13(treze) professores que estavam presentes na escola. Diante da insuficiência de respostas para os problemas levantados, houve a necessidade de adoção de outras técnicas.

Nessse contexto, a entrevista foi um instrumento de grande valor para a busca do rigor dessa pesquisa. Adler e Adler consideram, a partir da categorização de Gold e Jünker, a existência de três tipos de observação participante: 1) observação participante periférica é escolhida pelos investigadores quando consideram ser indispensável um determinado grau de implicação para captarem a visão do mundo dos informantes e uma participação apenas suficiente para serem admitidos como “integrantes”, sem, no entanto, serem admitidos no centro das atividades.

Logo, não terão um papel muito importante na situação em estudo, terão apenas um caráter periférico da implicação a sua origem numa escolha de natureza epistemológica baseada na presunção de que demasiada implicação pode redundar em bloqueio da capacidade de análise; 2) observação participante ativa é adotada pelos investigadores no esforço para adquirir, no seio do grupo ou da instituição em estudo, um determinado estatuto, que lhes permitirá participar em todas as atividades como membro, mas mantendo uma certa distância, “um pé dentro e outro fora”; 3) observação participante completa se divide em duas subcategorias: por oportunidade, caso o investigador seja já membro da situação que irá estudar, e por conversão, como forma de cumprir uma recomendação etnometodológica, segundo a qual o investigador deve tornar-se o fenômeno que estuda.

No início, adotei o primeiro tipo de observação participante (periférica), mas em virtude da resistência dos informantes em fornecer dados para a pesquisa, ou seja, existindo uma certa resistência, precisei adotar a observação participante completa, para que isso ocorresse, solicitei, no início de 2013, minha transferência junto à SEDUC para a escola SIMME, atendendo recomendações da etnometodologia, tornando-me assim o fenômeno que estudo. Dessa forma, passei a conviver com os informantes em uma situação que, como sugere Jünker (1971), minimizara a resistência inicial e permitiu tanto a observação íntima de certos aspectos de suas ações como também descrevê-las de forma relevante para essa pesquisa.

Por conta disso, os indicadores citados por Bruyn (1966) puderam ser atendidos: o tempo, visto que precisei dispensar um maior tempo com o grupo; o lugar, onde as ações foram atualizadas e as práticas foram edificadas; as circunstâncias sociais, experienciadas pelo grupo; a linguagem, familiarização com o repertório lingüístico do grupo; a intimidade e o “envolvimento” com os membros do grupo permitiram, ao pesquisador, adentrar cada vez mais no mundo dos bastidores, nos labirintos das relações; e o consenso social, que nada mais é que a obtenção dos sentidos que permeiam e perpassam as práticas dentro da cultura.

A observação foi muito importante para uma melhor interpretação do ambiente porque ela aproximou o pesquisador do mundo observado, em outras palavras, ela permitiu atrair uma densidade teórica que transcendeu uma simples posição de recursos em metodologia.

Existem escolas que permitem facilmente o acesso do observador, mas, por outro lado, existem outras, que por motivos peculiares, dificultam, principalmente as dos grandes centros urbanos. Por tal razão, ser aceito no grupo é crucial para a realização de uma boa pesquisa visto que “quando me tornava aceito num grupo, não era mais necessário explicar o que estava fazendo. Ser aceito significava que tudo que estava fazendo, estava certo”, (JÜNKER, 1971, p. 57).