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4. MATERIAL E MÉTODO

4.2. PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS

Inicialmente foi realizada breve entrevista com os participantes, com objetivo de conhecer seu histórico de saúde e queixas relacionadas à compreensão de fala. No caso dos pacientes do Grupo Alzheimer, a entrevista foi realizada com a colaboração do cuidador e o prontuário médico foi consultado para verificar a inexistência de doenças crônicas que pudessem inviabilizar a inclusão dos mesmos na amostra.

A seguir, foi realizada a meatoscopia. Em casos de alteração, o participante foi encaminhado ao ambulatório de otorrinolaringologia para avaliação. Alterações passíveis de serem solucionadas prontamente, tais como rolha de cerume, eram sanadas e o participante retornava ao protocolo de avaliação da pesquisa. Nos casos de alterações que exigiam maior tempo de resolubilidade, a conduta médica era definida e o participante descartado da pesquisa.

Indivíduos com meatoscopia sem alterações, realizaram a audiometria tonal liminar por via aérea nas frequências de 250 a 8000 Hz. Nos casos em que os limiares auditivos aéreos foram superiores a 25 dB NA, foi realizada a pesquisa dos limiares de via óssea nas frequências de 500 a 4000 Hz. Em seguida, foi pesquisado o Limiar de Reconhecimento de Fala (LRF), com o objetivo de confirmar os limiares auditivos obtidos no teste tonal e o Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF), que tem como objetivo investigar o percentual de reconhecimento de uma amostra de fala padronizada (25 monossílabos) em intensidade confortável para o ouvinte.

O equipamento utilizado foi o audiômetro da marca Madsen, modelo Midimate 622. Para realização do IPRF foi utilizado um CD player acoplado ao audiômetro e o CD pertencente ao Manual de Avaliação do Processamento Auditivo Central (PEREIRA e SCHOCHAT, 1997), volume 1 (faixa 2 – listas D1 e D2).

Após a realização destes procedimentos, os pacientes que se enquadravam nos critérios audiológicos para inclusão na amostra, passaram a

realizar os testes que avaliam a função auditiva central. Aqueles que fugiram aos critérios previamente definidos foram descartados da amostra. Todos os participantes que apresentaram perda auditiva, independente do grau, foram avaliados por um médico otorrinolaringologista para definição da conduta adequada ao caso.

Os procedimentos selecionados para a avaliação auditiva central foram dois testes comportamentais para avaliação do processamento auditivo, Teste de Fala com Ruído e Teste Dicótico de Dissílabos Alternados (SSW), e um teste eletrofisiológico, o Potencial Evocado Auditivo Relacionado a Eventos – P300.

A seguir serão apresentados os procedimentos utilizados, na sequência em que foram realizados durante a coleta dos dados.

4.2.1. Teste de Fala com Ruído

Para realização do teste foi utilizado o mesmo audiômetro Midimate 622 da marca Madsen, CD player acoplado ao audiômetro e CD pertencente ao Manual de Avaliação do Processamento Auditivo Central (PEREIRA e SCHOCHAT, 1997), volume 1 (faixa 2 – listas D3 e D4).

Os estímulos de fala foram monossílabos apresentados a 40 dB NS (nível de sensação) e o ruído do tipo White Noise, apresentado ipsilateralmente, numa relação sinal-ruído de + 5 dB, ou seja, o sinal de fala era 5 dB mais intenso que o ruído. Foram apresentados 50 monossílabos ao todo, sendo 25 em cada orelha. O teste foi iniciado pela orelha direita em todos os participantes (lista D3) e, logo em seguida, a lista D4 foi aplicada na orelha esquerda.

Os participantes foram instruídos para repetirem as palavras ouvidas e ignorarem o ruído competitivo presente na mesma orelha. As respostas dos pacientes foram registradas em protocolo próprio como corretas ou incorretas (Anexo 4).

4.2.2. Teste Dicótico de Dissílabos Alternados - SSW

Os equipamentos utilizados foram os mesmos descritos no teste anterior, porém o CD pertencente ao Manual de Avaliação do Processamento Auditivo Central foi o volume 2, faixa 6.

Os participantes foram instruídos a repetir a sequência de palavras ouvidas a uma intensidade de 50 dB NS em ambas orelhas. O teste foi composto de 40 sequências de 4 palavras dissílabas cada uma, apresentadas da seguinte forma: primeira palavra isolada em orelha direita (condição direita não competitiva – DNC), segunda palavra apresentada em orelha direita (condição direita competitiva – DC) com apresentação simultânea da terceira palavra na orelha esquerda (condição esquerda competitiva – EC), a quarta palavra apresentada isolada na orelha esquerda (condição esquerda não competitiva – ENC). Na sequência seguinte, o teste foi iniciado na orelha esquerda tendo, portanto, as seguintes condições de escuta: primeira palavra na ENC, segunda e terceira palavras apresentadas simultaneamente nas condições EC e DC e quarta palavra na DNC. Previamente a cada sequência existiu a frase introdutória “Preste atenção”, para que o paciente direcionasse sua atenção para a orelha em que o teste era iniciado. Durante todo o teste a orelha de início foi sendo alternada até que fossem concluídas as 40 sequências.

Os participantes foram orientados e treinados para a realização da tarefa por meio de quatro sequências disponíveis no CD para o treino ou até que demonstrassem que conseguiam realizar o teste.

Sempre que necessário o teste foi interrompido para que o participante fizesse questionamentos ou descansasse por alguns segundos. Sempre que solicitado pelo paciente, a sequência era repetida para uma nova tentativa de realização da tarefa. As sequências de palavras eram repetidas somente uma vez e, nesses casos, a resposta considerada era aquela que continha o maior número de acertos.

Todas as respostas foram registradas em protocolo próprio (Anexo 5).

As palavras repetidas incorretamente (substituições e omissões fonêmicas ou

distorções vocabulares) foram registradas como erro. As palavras repetidas corretamente, porém fora da ordem (inversões) não foram consideradas erros.

4.2.3. Potencial Evocado Auditivo Relacionado a Eventos - P300

O equipamento utilizado foi o Bio-logic de dois canais. O estímulo foi o tone burst com apresentação binaural, por meio de fones de inserção. A frequência do estímulo frequente foi de 1000 Hz e do estímulo raro de 2000 Hz, com apresentação segundo o paradigma oddball. A intensidade dos estímulos foi 75 dB NA. Foram utilizados plateau de 30µs, rise de 10µs e ramp linear. A amostra teve a aplicação mínima de 350 estímulos (80% frequente e 20% raro) com tempo de análise de 500 ms, filtros de 05 a 30 Hz e sensibilidade de 50 microvolts por divisão.

Os eletrodos de clorito de prata foram fixados com pasta eletrolítica e esparadrapo tipo micropore, após a limpeza da pele com pasta abrasiva. As regiões de posicionamentos dos eletrodos na linha média foram: terra (Fpz), vértex (Cz), parietal (Pz). Nos lóbulos das orelhas foi fixado o eletrodo A2 em orelha direita e A1, em orelha esquerda, conectados por jumper (A1/2 = A+). A colocação dos eletrodos seguiu a padronização do sistema internacional 10/20 (JASPER, 1958). As medidas de impedância foram mantidas em valores inferiores a 5kΩ e a diferença entre as derivações não deveria ultrapassar 2kΩ.

Após a fixação, os eletrodos foram conectados ao pré-amplificador.

Os participantes foram acomodados em uma poltrona reclinável, num ambiente acusticamente tratado e instruídos a dizer a palavra “fino” toda vez que o estímulo raro fosse reconhecido. Antes de iniciar o exame, os estímulos foram apresentados e a atividade treinada para que os participantes se familiarizassem com a tarefa exigida.

Registros com artefatos superiores a 10% foram rejeitados e o teste reiniciado.

Após concluído o registro do potencial, foi identificada a onda P300 como sendo o terceiro potencial positivo, após o complexo N1-P2-N2, replicável no traçado do estímulo raro (JUNQUEIRA e COLAFÊMINA, 2002;

CARNEIRO, 2006). Foram analisados os parâmetros de latências e amplitudes, obtidas por meio dos eletrodos ativos posicionados em Cz e Pz.

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