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3 METÓDO

3.4 Procedimentos de Coleta de Dados

O processo de coleta de dados desta pesquisa ocorreu em três momentos. O primeiro momento se deu com a entrada gradual em campo. Houve um contato prévio, em abril de 2018, com a Superintendência do Centro de Comercialização da Produção Artesanal do Maranhão - CEPRAMA, órgão importante do setor artesanal da região, responsável pela divulgação do artesanato e pelas intermediações dos artesãos ao Programa de Artesanato Brasileiro-PAB. Nesse instante, foram expostos os objetivos da pesquisa aos dirigentes da referida superintendência, no intuito de tornar público a importância do problema de estudo levantado, os quais consentiram em contribuir com o desenvolvimento da investigação. Por seguinte, as visitas foram sendo realizadas mediante agendamento, nas quais foi possível estabelecer diálogos a respeito do trabalho artesanal no Maranhão e, principalmente, o elo entre a pesquisadora e o objeto de estudo desta pesquisa.

Diante da relevância percebida na pesquisa, o CEPRAMA propôs a pesquisadora um convite para ministração da palestra Qualidade de vida para artesãos e artesãs, realizada em

29 de março de 2019, com duração de duas horas, para os trabalhadores artesãos que realizavam as vendas do seu produto no próprio local da superintendência. Percebeu-se que a realização e participação no evento facilitou a aproximação da pesquisadora com a população investigada e um conhecimento mais real desse público.

Para esse primeiro momento da coleta, contou-se também com a visitação em algumas instituições que comportavam material bibliográfico importantes para o desenvolvimento da literatura concernente ao artesanato, em destaque: o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, o Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estática - IBGE e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE.

No segundo momento, em 11 de julho de 2019, realizou-se o primeiro contato direto com o local do estudo, onde foi exposto a finalidade desta investigação às artesãs, as quais consentiram em participar. Diante disso, foi dada a sequência de visitas à associação, sob agendamento prévio e, geralmente, no período vespertino durante a semana.

Por se tratar de um estudo também de cunho qualitativo, no proceder desta etapa, observou-se de forma mais criteriosa a realidade em contato, na qual cada detalhe percebido, seja em forma de gesto ou fala, foi registrado e analisado. Nessa apreensão, foi posto em destaque todas as particulares possíveis de serem identificadas na dinâmica do processo de trabalho das artesãs, no qual foi possível perceber, de forma mais próxima, suas experiências com o trabalho que desenvolvem.

Desse modo, esse segundo momento materializou-se com a coleta, propriamente realizada nos meses de janeiro, fevereiro e setembro de 2020. Com a realização de várias visitas ao local de estudo, a consecução dessa fase foi mediada pelos seguintes instrumentos metodológicos: observação, diário de campo, questionários e entrevistas.

A aplicação dos questionários e entrevistas foram administradas em períodos distintos, obedecendo à seguinte ordem: primeiro, o questionário e, seguidamente, a entrevista. Richardson (2015, p. 89) explica que “[...] o questionário prévio pode ajudar a evitar perguntas rotineiras e a identificar características objetivas”. Ambos os instrumentos foram aplicados individualmente e de forma oral. Com atenção para esse instante, houve um esforço em criar um ambiente de confiança e de tranquilidade para que as participantes respondessem aos questionamentos encontrados nos instrumentos apresentados, sempre em observância com as demandas da associação e os horários de menor fluxo de trabalho.

Conforme já descrito, primeiramente procedeu-se a execução do questionário, realizada em dois momentos, dezessete de janeiro de 2020 e três de fevereiro de 2020. No

total, foram obtidos sete questionários respondidos, apenas três artesãs não participaram dessa aplicação, pois não estavam presentes no local da pesquisa.

Já a realização das entrevistas ocorreu em único momento, 20 de fevereiro de 2020, constando somente seis entrevistadas. Quatro artesãs ficaram exclusas dessa aplicação, pois por motivos pessoais não compareceram à associação nessa data. Para a realização das entrevistas, as participantes foram direcionadas para um espaço improvisado na própria associação, onde a pesquisadora pudesse conversar a sós com cada uma. Esse cuidado foi necessário para que as participantes tivessem melhor liberdade para discorrer sobre os assuntos levantados, e também para que as gravações ali efetuadas, sob suas permissões, apresentassem maior qualidade técnica nos registros e, posteriormente, na transcrição para análise.

O processo de coleta de dados desta pesquisa foi delineado por grandes desafios e surpresas que, por vezes, tornaram-se obstáculos a serem superados. Logo, algumas questões foram, de imediato, resolvidas dentro do cronograma estabelecido; enquanto outras contaram com imprevisibilidades encontradas em campo, a citar, o acompanhamento de perto do processamento da fibra de buriti efetuado pelas próprias artesãs. Explica-se que essa atividade é condicionada à sazonalidade da obtenção de matéria prima, o que demanda uma obrigatoriedade pela espera dessa realização. Associado essa eventualidade, o desenvolvimento desta pesquisa deparou-se, também, com a interrupção das atividades da associação em virtude da pandemia do Covid-19.

Desse modo, a coleta de dados contou com um terceiro momento, 21 de setembro de 2020, no qual foi possível capturar alguns registros fotográficos referentes às etapas do processo de trabalho realizado pelas artesãs, utilizando, como recurso, uma câmera fotográfica. Alves et al. (2019, p. 155) explicam que a utilização desse tipo de registro na pesquisa qualitativa revela-se como uma importante estratégia, pois “[...] permite que os participantes expressem suas ideias de forma não-verbal e que capturem momentos que o remetam a uma determinada temática, a partir de uma visão de mundo peculiar e só dele”.

Com base nisso, foi possível obter algumas especificidades da realidade de trabalho, que as artesãs apresentaram dificuldades em expressar verbalmente durante a pesquisa em campo, tais como: os elementos do processo de trabalho artesanal e a identificação de cargas e os desgastes. Diante disso, o uso dos registros fotográficos apresentou-se como uma ferramenta influente para esta investigação ao permitir a captação de significados e, consequentemente, uma melhor compressão do objeto de estudo.