3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.1 Procedimentos de coleta de dados
Para se justificar os procedimentos escolhidos para a coleta de dados, é necessário recapitular o objeto de estudo e os objetivos específicos para que estes sejam entendidos. O objeto de estudo da pesquisa são as metodologias [altern]ativas de ensino-aprendizagem, e como objetivos específicos, busca-se no primeiro e segundo objetivos a análise da percepção de professores e alunos sobre as metodologias [altern]ativas de ensino-aprendizagem, no curso de Administração Pública.
Sobre a amostragem da coleta de dados, Minayo (2017) menciona que não deve ser pensada apenas por quantidade nas pesquisas qualitativas, e sim, sobre a abrangência da quantidade de participantes escolhida e sobre a seleção desses participantes. Os grupos focais com discentes do quarto ao nono períodos, e a realização de entrevistas com treze docentes do curso de graduação de Administração Pública, foram compreendidas como participações que puderam alcançar a abrangência necessária para uma compreensão do problema de pesquisa proposto.
Minayo (2017) traz alguns questionamentos importantes a respeito da coleta de dados através de grupos. A autora menciona que é necessário pensar a respeito do alcance das colocações individuais de cada indivíduo de que pelo hábito da convivência social dos componentes do grupo, uma colocação individual pode representar um depoimento pessoal e coletivo ao mesmo tempo, mas que a colocação individual não deve ser tratada de ‘forma absoluta’, de acordo com Minayo (2017, p. 3), já que diversas opiniões podem ser colocadas por um indivíduo de acordo com sua personalidade, dentre outras características pessoais. Ainda de acordo com Minayo (2017, p.10) “[...] pode-se dizer que uma amostra qualitativa ideal é a que reflete, em quantidade e intensidade, as múltiplas dimensões de determinado fenômeno e busca a qualidade das ações e das interações em todo o decorrer do processo”. Essa combinação da coleta de dados realizada com professores e alunos de períodos distintos foi uma busca por uma pesquisa que abarque as diferentes dimensões sobre o problema dentro da IES em questão, sem uma conceituação prévia de esgotamento do debate, que poderá se prolongar além do cronograma, caso seja necessário.
Para a coleta de dados foram adotadas estratégias distintas para docentes e discentes que serão explicadas a seguir.
3.1.1 Coleta de dados com discentes
Para a coleta de dados com os discentes, foi utilizado o grupo focal e a conversa dirigida pelo mesmo roteiro dos grupos focais (ambos registrados através da gravação de áudio e vídeo), e a escolha se deu em razão da possibilidade de desmotivação ou vergonha por parte de alguns discentes, em relatar de forma mais privada sobre acontecimentos em sala de aula, ou sobre opiniões mais críticas a respeito dos conteúdos das aulas de alguns professores. Almeida (2016) menciona que o grupo focal conduz os participantes a emitir suas opiniões por meio de uma interação discursiva. Essa é a principal diferença em relação a uma entrevista em profundidade, na qual uma pessoa responde a perguntas, tendo, no máximo, como contraponto, o entrevistador.
De acordo com Barbour (2009, p. 20) “ele [grupo focal] se baseia em gerar e analisar a integração entre participantes, em vez de perguntar a mesma questão (ou lista de questões) para cada integrante do grupo por vez [...]”, podendo resultar em um debate mais produtivo, dando espaço para novas colocações a respeito do assunto abordado pelo roteiro, dando espaço para o que Barbour (2009) chama de insights.
Vale ressaltar uma colocação da autora, de que os componentes do grupo também podem se sentir mais seguros, principalmente os que se entendem indivíduos neutros, que não têm um relato de grande valia para a pesquisa, mas que ao notarem uma discussão que os interesse por parte dos outros componentes, podem se encorajar a relatar eventos que contribuam para o objeto em análise. Contudo, o encorajamento e a fluidez do debate dependem em grande parte do moderador do grupo focal, que deve sempre estimular a interação dos componentes entre si, e não somente com o moderador. Outros fatores também são importantes para o sucesso do debate. De acordo com Barbour (2009):
Entretanto, também se relaciona com a preparação necessária ao desenvolvimento de um guia de tópicos (roteiro) [...], assim como as decisões feitas em relação à composição do grupo, para garantir que os participantes tenham o suficiente em comum entre si, de modo que a discussão pareça apropriada, mas que apresentem experiências ou perspectivas variadas o bastante para que ocorra algum debate ou diferença de opinião (BARBOUR, 2009, p. 21).
A autora menciona ainda, que alguns teóricos aconselham que a composição do grupo deve ser entre dez e oito participantes, mas que a importância não está na quantidade de participantes, e sim, na capacidade do moderador de explorar a fundo os significados emitidos pelos participantes e o modo que as perspectivas são socialmente construídas. Contudo, para Oliveira, Leite Filho e Rodrigues (2007), em relação à quantidade de membros nos grupos focais, esta é relativa para vários autores, mas geralmente é compreendido que um número que contemple um parâmetro seria entre seis a doze pessoas.
A composição do grupo focal foi realizada com alunos da graduação do curso de Administração Pública, utilizando o critério dos alunos que já concluíram, ou ainda estão cursando disciplinas de cunho de formação técnico, político e social, para que se obtivesse informações sobre a percepção desses alunos sobre a utilização de metodologias [altern]ativas de ensino-aprendizagem, ou outros tipos de metodologias aplicadas em sala de aula. Para isso, foram formados seis grupos focais, compreendendo os alunos do quarto ao nono períodos, com um número de integrantes previstos entre seis e doze participantes, porém, o número mínimo de participantes não foi atendido em razão da baixa adesão de alguns alunos pelo motivo de uma grande carga de avaliações finais de encerramento do semestre na IES em questão, compreendido entre os meses de novembro de 2017 e janeiro de 2018, sendo obtido, em alguns períodos, a participação de um número entre dois e quatro discentes, sendo compreendida a coleta de dados nesses casos, realizada através de conversas dirigidas pelo mesmo roteiro aplicado aos grupos focais.
Foram realizados cinco encontros, com duração média de cento e vinte minutos, com a participação de seis alunos do quarto período, nove alunos do quinto período, e doze alunos do oitavo período. Nos períodos em que não se obteve adesão de um número mínimo de seis alunos, foram realizadas as conversas dirigidas pelo mesmo roteiro. Estas conversas foram realizadas com quatro alunos do sexto período, duas alunas do sétimo período e quatro alunos do nono período. Os encontros com discentes foram realizados no período compreendido entre novembro de 2017 e janeiro de 2018. Minayo (2017, p. 10) afirma que “[...] não há medida estabelecida a priori para o entendimento das homogeneidades, da diversidade e da intensidade das informações necessárias a um adequado trabalho de pesquisa”, sendo necessário assim, compreender a amostragem inicial da pesquisa como provisória e passível sempre de alterações. Os grupos focais e as conversas foram norteados por um roteiro de questões elaborado com base no levantamento teórico realizado anteriormente, e será apresentado ao final do trabalho como um apêndice (APÊNDICE A), que passou por uma
mudança após a realização do primeiro grupo focal, já que uma questão se apresentava de forma repetitiva.
3.1.2 Coleta de dados com docentes
Com os docentes o procedimento para coleta de dados utilizado foi a entrevista semiestruturada. Lima (2016) compreende que com a entrevista é possível construir histórias de vida, captar experiências, valores, opiniões, aspirações e motivações dos entrevistados, escolhidos segundo os critérios e interesses do tema investigado. Alonso (2016) apresenta que a entrevista mais utilizada é a entrevista semiestruturada, em que o entrevistador define previamente um conjunto de temas ou eventos e pergunta ao informante sobre eles, contudo, tem flexibilidade para incluir novas questões caso seja necessário. Foram realizados treze encontros com duração média de sessenta minutos, com docentes do curso de Administração Pública da IES em questão, não sendo possível realizar as entrevistas com todo o corpo docente, pois não se obteve resposta de uma docente, e por razão de outra docente já não fazer mais parte do curso de graduação.
As entrevistas semiestruturadas foram norteadas por um roteiro de questões elaborado com base no levantamento teórico realizado anteriormente, e será apresentado ao final do trabalho como um apêndice (APÊNDICE B) e foi mantido sem alterações.
A divisão de procedimentos neste trabalho foi realizada em razão do entendimento de que as entrevistas individuais com os docentes são o melhor caminho, já que cada docente trabalha de uma forma específica e com métodos que muitas vezes se diferenciam dos demais, não justificando assim, a realização de um grupo focal.