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3.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS, RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.2.1 Estudo 1 Desenvolvimento de instrumento para a mensuração de atitudes

3.2.1.1 Etapa 1 – Identificação das filosofias de aprendizagem que norteiam as

3.2.1.1.3 Procedimentos de Coleta e Análise de Dados

Os dados levantados foram coletados de duas maneiras: 1) diretamente das universidades corporativas que se disponibilizarem a fornecer materiais, mediante requerimento feito presencialmente, por e-mail e/ou por telefone, que contemplou os objetivos da pesquisa, os procedimentos a serem adotados e disposições acerca da preservação da identidade organizacional; e 2) a partir de buscas nos sítios dessas empresas na internet, nos quais estão disponibilizadas, publicamente, informações sobre as universidades corporativas.

O tratamento dos dados obtidos foi feito por meio de análise do conteúdo, que segundo Bardin (2011), refere-se a um conjunto de técnicas de análise da comunicação, que a partir de procedimentos de descrição do conteúdo das mensagens, busca obter indicadores que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/emissão daquelas mensagens.

Essa análise ocorreu a partir de uma categorização a priori. As categorias de análise foram as filosofias de aprendizagem (comportamentalista, cognitivista e humanista), discutidas no referencial teórico deste trabalho, e dessa forma, as políticas

identificadas nas organizações foram classificadas à medida que apresentavam características compatíveis com os princípios relacionados a essas filosofias, expostos no referencial teórico.

Segundo Bardin (2011), uma das funções da análise de conteúdo é enriquecer a pesquisa exploratória, levando a novas descobertas e consequentemente, proporcionando o surgimento de hipóteses, ao analisar mensagens ainda pouco exploradas.

Sendo assim, a utilização da análise de conteúdo, mostrou-se plenamente adequada aos fins desse estudo, uma vez que as características dos princípios norteadores das políticas adotadas pelas universidades, no que tange à sua relação com as filosofias de aprendizagem, são um aspecto ainda não explorado no estudo das políticas organizacionais, conforme justificativas já apresentadas.

Para que se chegasse a essa relação de documentos, seguiu-se, inicialmente, as orientações de Bardin (2011) adotando-se os procedimentos inerentes à fase de pré- análise, uma das etapas da análise de conteúdo. Após a solicitação de todos os documentos organizacionais que dispunham sobre as universidades corporativas das organizações pesquisas e da navegação em seus sites internos, deu-se início à etapa de leitura flutuante, por meio da qual, foram estabelecidos os primeiros contatos com os referidos materiais.

No que concerne à escolha dos documentos, tendo sido o universo de documentos para a análise, determinado a priori, foi necessário apenas verificar em que grau a sua constituição atendia às regras de: exaustividade, homogeneidade e pertinência. Sobre a exaustividade dos documentos, tem-se, a partir das informações apresentadas pelos representantes das universidades corporativas consultadas, que os documentos elencados nos Quadro 02 representam a totalidade dos documentos organizacionais produzidos sobre as políticas adotadas pelas universidades corporativas em questão.

Em relação à homogeneidade, os documentos obtidos obedecem a critérios precisos de escolha: abordam apenas diretrizes e políticas que norteiam a atuação das universidades corporativas pesquisadas. Não foram incluídos, portanto, materiais que abordavam praticas específicas de treinamento, desenvolvimento e educação dentro dessas empresas, por não serem essas práticas (programas de idiomas, programas de certificação em conhecimentos específicos, programas de incentivo a

pesquisas acadêmicas, etc.) objeto do referido estudo. Ressalva-se apenas que, no caso da Empresa A, o mesmo documento contempla as políticas (e seus princípios) e práticas da Empresa.

Quanto à análise da pertinência, que determina que os documentos devem ser adequados, enquanto fonte de informação, destaca-se que seu atendimento, se deve, basicamente, ao fato de todos os materiais obtidos, de forma confidencial ou pública, terem sido produzidos pelas empresas consultadas, o que assegura a fidedignidade da fonte.

Ainda segundo Bardin (2011), encerrada essa etapa, faz-se necessária a formulação das hipóteses e dos objetivos da análise, isto é, a definição da afirmação que se pretende confirmar e da finalidade geral da análise, à luz do quadro teórico por meio do qual os resultados obtidos serão analisados.

Destaca-se que, conforme explicitado anteriormente, a análise do conteúdo dos documentos apresentados se propôs a elencar, descrever e categorizar os princípios norteadores das políticas adotadas pelas universidades corporativas, em função da sua aderência às filosofias comportamentalistas, cognitivistas e humanistas de aprendizagem. A hipótese inicialmente aceita é de que as universidades corporativas são norteadas por princípios, prioritariamente, humanistas.

A essas etapas, seguem-se a elaboração de indicador (es) para análise. Para os fins do referido estudo, assumiu-se como indicador a frequência com que apareciam, nos documentos, trechos característicos de cada uma das filosofias de aprendizagem mencionadas.

Finalmente, a preparação do material, apontada por Bardin (2011) como último estágio prévio à exploração, propriamente dita, do conteúdo, correspondeu à organização dos documentos, por empresa, e em ordem (fontes confidencial e pública) para a análise. Foram explorados, primeiramente os documentos confidenciais de cada empresa, pois acreditava-se que, os conteúdos neles presentes poderiam exaurir as informações disponibilizadas publicamente. Ou seja, a possibilidade de saturação teórica decorria da crença de que cada organização divulgaria ao público externo apenas trechos dos conteúdos disponibilizados internamente, em seus documentos confidenciais.

Tal hipótese não foi confirmada nas empresas que dispunham de conteúdo público e confidencial (Empresas B e C), o que levou à necessidade de minuciosa apreciação de todos os materiais até o limite da saturação teórica, por empresa.

Ainda de acordo com as etapas elencadas por Bardin (2011) para a realização da análise de conteúdo, iniciou-se, após a etapa de pré-análise, a codificação dos dados. Ou seja, a fase de transformação dos dados brutos do texto em unidades de análise sistematicamente agregadas de modo a permitir a descrição exata das características do texto.

Para tanto, definiu-se, após a leitura inicial dos materiais analisados, que a unidade de registro (o fragmento do texto a ser analisado e categorizado) para a

categorização do conteúdo dos documentos seria o “tema”, ou seja, um trecho, com

significado próprio, que, independentemente de seu tamanho (um resumo ou uma frase condensada, por exemplo) fosse significativo frente à teoria que norteou a sua análise (filosofias de aprendizagem).

Destaca-se que, Bardin (2011), ao abordar os critérios para a definição da unidade de registro, menciona a possibilidade de recortes linguísticos ou semânticos. No entanto, reforça que qualquer recorte é, primordialmente, de ordem semântica, ainda que a unidade de registro final venha a ser de natureza linguística (uma palavra, por exemplo).

No referido estudo, a escolha do tema como unidade de registro se justificou pelo fato de não haver a possibilidade de estabelecer, a priori, que uma única palavra fosse suficiente para revelar a natureza comportamentalista, cognitivista ou humanista dos enunciados. Por vezes, uma palavra composta foi suficiente. Em outras circunstâncias, apenas uma oração pôde permitir uma categorização conclusiva. De modo que, o rigor, para fins desse estudo, e com base nos referenciais de Bardin (2011) baseou-se no grau em que determinado trecho foi, de fato, significativo para a representação de uma das filosofias, em detrimento de preocupações com sua natureza semântica.

O Quadro 03 ilustra o exposto, apresentando exemplos de trechos extraídos dos documentos analisados, cujas unidades de registro permitiram sua categorização dentro da filosofia humanista de aprendizagem.

Quadro 03 – Exemplos de unidades de registro

Empresa Documento Fonte Unidade de Contexto Unidade de Registro Categoria

Empresa B Apresentação institucional sobre a Universidade Corporativa Empresa B Pública

A Universidade Corporativa XXXX acredita que você é o maior responsável pelo seu desenvolvimento profissional. Por isso, nosso papel é oferecer todas as condições para que o seu aprendizado seja permanente e diversificado.

"...você é o maior responsável pelo seu desenvolvimento profissional."

Humanismo

Empresa B Apresentação institucional sobre a Universidade Corporativa Empresa B Pública

Nossa ação educativa estabelece paralelos entre conhecimento e prática, estimulando o desenvolvimento de competências pessoais e o compartilhamento dos conhecimentos e das melhores práticas da organização

"...estimulando o desenvolvimento de competências pessoais..."

Humanismo

Empresa C Poposta Político-Pedagógica Pública

Um dos objetivos da proposta: "valorizar os locais de trabalho como comunidades de aprendizagem focadas no desenvolvimento humano dos funcionários."

"...desenvolvimento humano

dos funcionários." Humanismo

Fonte: elaborado pela própria autora.