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A coleta de informações na fase diagnóstica foi realizada de três formas: através do uso de dados secundários; realização de grupo focal; e

entrevistas com a aplicação de questionário. Na fase prospectiva, o questionário Delphi e o workshop foram os procedimentos adotados. A seguir serão detalhadas as referências sobre estes termos, assim como os procedimentos utilizados na pesquisa.

a) Dados secundários

Secundários porque foram utilizados dados e informações já publicados em relatórios técnicos, livros e artigos especializados. Também foi importante o acesso à base de dados de instituições como o IBGE, EPAGRI/CEPA, Secretaria da Fazenda Estadual, dentre outras.

b) Entrevistas com aplicação de questionário

A análise diagnóstica compôs-se também de uma pesquisa exploratória de campo, por meio da realização de entrevistas e aplicação de um

questionário. A entrevista foi realizada diretamente pelo pesquisador com 15 empresários ou diretores de empresas, visando ao levantamento de informações sobre o desempenho da cadeia produtiva na região de estudo, a identificação e caracterização das transações entre os segmentos da cadeia e a análise das estratégias individuais das empresas. O roteiro da entrevista (Apêndice 2) constituiu-se essencialmente de perguntas abertas.

O questionário (Apêndice 1) constitui-se de uma lista de perguntas abertas e estruturadas, objetivando a busca de informações sobre o fluxo de utilização da madeira pelas indústrias, tais como o volume de madeira processada e sua origem, projeção de novos investimentos, produção e consumo de biomassa, perfil da produção e comercialização dos produtos. Foi aplicado a uma amostra, seguindo o critério de acessibilidade e exaustão, totalizando-se 70 (setenta) empresas pesquisadas. Conforme Vergara (1998), nesse caso, são selecionados elementos pela facilidade de acesso a eles. A exaustão foi considerada quando as respostas tornaram-se repetitivas e não se obtinham novos dados ou informações relevantes. c) Grupo Focal (Focus Group)

Utilizou-se a metodologia de grupo focal para o levantamento de informações acerca dos ambientes organizacional e institucional e das principais dificuldades enfrentadas pelos segmentos da cadeia.

A metodologia do grupo focal (focus group) é utilizada para explorar dados referentes a sentimentos, experiências, opiniões, desejos e preocupações de um grupo acerca de um tema específico (KITZINGER e BARBOUR, 1999; COLLIS e HUSSEY, 2003). Este instrumento oferece ao pesquisador a oportunidade de estudar os meios pelos quais os indivíduos coletivamente dão sentido a um fenômeno e constroem significado para ele (BRYMAN, 2001). O uso do focus group é justificado, neste caso, pela necessidade de identificar a percepção dos diferentes segmentos da cadeia produtiva sobre as questões que formam o ambiente onde ela se insere. Esta percepção, portanto, deve ser coletiva, ou seja, que represente a situação da cadeia produtiva e não de seus segmentos individualizados.

A aplicação do focus group seguiu a metodologia de Morgan (1988) e consistiu nas seguintes etapas: agendamento da reunião; identificação dos participantes; seleção do número de pessoas (de quatro a seis); definição do tempo de duração (aproximadamente uma hora e meia); elaboração de questões-foco da pesquisa; condução das perguntas pelo pesquisador (que interveio apenas quando necessário); e encerramento do encontro. Foram realizados dois grupos que, segundo o autor, puderam ser considerados suficientes. O roteiro do focus group está apresentado no Apêndice 3.

Para analisar os dados coletados, Morgan (1988) apresenta duas opções: transcrição dos conteúdos mais importantes ou análise de conteúdo. Optou- se pela análise de conteúdo, dado o objetivo do grupo focal, que consistiu em caracterizar a percepção em relação aos ambientes que envolvem a cadeia produtiva.

d) Questionário Delphi

Na fase prospectiva, o questionário Delphi (Apêndice 4) foi enviado a 50 agentes intencionalmente selecionados, considerando aqueles que mais conheciam a cadeia produtiva. Procurou-se distribuir o questionário de modo a contemplar os diferentes agentes que atuam na cadeia, quais sejam: empresas, setor público, universidades, associações e sindicatos, pesquisadores, centros de treinamento, sistema legal e regulatório, dentre outros. Houve o retorno de 46 % dos questionários, ou seja, 23

questionários respondidos.

O método Delphi tem-se constituído o mais proeminente dentre os métodos de prospecção baseados na sistematização de determinado consenso. Os autores Astigarraga (s/d); Kupfer e Tigre (2004); e Zackiewics e Salles- Filho (2001) utilizam o conceito dado por Listone e Turoff (1975), que o definem “[...] como um método para estruturar um processo de

comunicação de um grupo, de modo que o processo seja efetivo em permitir que este, como um todo, lide com um problema complexo”. O método consiste na seleção de especialistas com a finalidade de relatarem suas opiniões a respeito de questões que estão relacionadas à probabilidade de acontecimentos futuros. O objetivo é a busca de concordância a respeito de determinado tema. Para isso, é aplicado um questionário previamente estruturado com sucessivas rodadas, até que se verifique a diminuição dos espaços interquartis das respostas e um nível de consenso seja atingido.

Alguns aspectos são fundamentais para o sucesso do método. O primeiro refere-se ao instrumento de coleta das informações, um questionário estruturado, cuidadosamente elaborado, contendo opções de resposta pré- definidas. O segundo aspecto é a seleção de especialistas com capacidade

de projetar o futuro e que, comprovadamente, possuam alto nível de conhecimento sobre os temas consultados, independentemente de sua posição social ou econômica na sociedade. A seleção inadequada dos especialistas constituir-se-ia em um problema, pois não produzira os

resultados esperados. O número de participantes potenciais, dependendo da natureza do exercício de prospecção, pode variar, segundo Wright (1995) e Kupfer e Tigre (2004), de 25 a 100 especialistas. Deve-se preservar o anonimato dos respondentes, de modo a garantir que o questionário seja respondido com base apenas na visão pessoal deles (mesmo que sejam representantes de uma instituição), preservando-os da interferência de “pessoas dominantes” ou da condição de “líderes”.

O uso do método Delphi é recomendado quando não há técnica analítica que permita estruturar adequadamente o problema, uma vez que ele seja excessivamente amplo ou complexo, de modo a dificultar a uniformização dos temas envolvidos; a complexidade do problema requeira um número extenso de pessoas, impedindo formas diretas de interação; há restrições de tempo e recursos para uso de métodos mais estruturados; há

desacordos políticos ou ideológicos entre os envolvidos, de modo a impedir um processo de comunicação eficiente; há heterogeneidade entre os envolvidos, de sorte que não se consiga evitar dominação por parte de alguns grupos sobre os demais (LISTONE e TUROFF, 1975 apud KUPFER e TIGRE, 2004).

Outro nível de importância em relação ao método recai na observação do conceito de complexidade que estabelece o caráter sempre provisório de qualquer conhecimento, portanto, os dados obtidos possuem uma relação direta com o contexto em que foram produzidos, em seu tempo e espaço. Assim, o Delphi foi aplicado com o objetivo de se obter previsões de acontecimentos futuros e de formular estratégias ou linhas de ação. O tratamento estatístico dos dados ocorreu por meio da aplicação de estatísticas descritivas (média, mediana, primeiro quartil - Q1 e terceiro quartil – Q3), objetivando apontar as tendências centrais das respostas obtidas.

e) Workshop

A partir dos dados levantados pelo questionário Delphi, realizou-se um

workshop, com reuniões de grupos e apresentação em plenária dos

resultados obtidos pelos grupos. O objetivo do workshop foi o de apresentar os resultados obtidos pelo questionário Delphi, a fim de validá-los mediante a análise e discussão das questões e buscar a formulação de estratégias, políticas e ações coletivas, visando enfrentar os fatores críticos à cadeia produtiva de energia. Foram convidadas a participar do evento as mesmas pessoas que responderam o questionário Delphi. O workshop foi realizado na Universidade do Planalto Catarinense com a presença de 18

participantes.