TIPO DE DEFICIÊNCIA
D. Havia um número de alunos matriculados, na escola D, 833 alunos, perdendo, somente,
4.7 Procedimentos de coleta e análise dos dados
De acordo com Richardson (1999), os procedimentos de coleta de dados é a etapa da pesquisa em que o investigador informa o período de coleta de informações e a possível colaboração dos entrevistadores nesse processo. Em relação à colaboração de outros entrevistadores para ajudar na coleta de dados nas entrevistas semi-estruturadas com os participantes, menciona-se que este estudo não contemplou a colaboração de outros entrevistadores, somente, a pesquisadora.
É importante relatar que a coleta de dados realizada nesta pesquisa foi iniciada a partir da aprovação da pesquisa pelo CEP/HU/UFMA, que emitiu, em 18/01/2013, parecer consubstanciado nº. 185.457, cujo registro do processo nesse Comitê foi nº. 09803812.2.0000.5086/2013 (ANEXO A), sendo, portanto, favorável à realização deste estudo, ressaltando, inclusive, a relevância do objeto investigado para o meio científico e toda a sociedade.
Após aprovação do CEP/HU/UFMA, a pesquisadora direcionou-se, no mês de janeiro de 2012, ao CAP-MA, onde entregou uma cópia do projeto desta pesquisa e uma cópia do parecer consubstanciado à gestora geral desse Centro. No momento dessa visita ao CAP- MA, foi disponibilizado à pesquisadora o acesso aos dossiês dos alunos com deficiência visual (cegos e baixa visão), onde a mesma fez um levantamento dos alunos, utilizando-se critérios de inclusão já mencionadas e previamente estabelecidos no projeto de pesquisa para seleção dos participantes, com os quais seriam realizadas entrevistas semi-estruturadas.
Com base nesses critérios, foram detectados, pelos dossiês do CAP-MA, sete alunos com deficiência visual, selecionando-os. Dos sete alunos com deficiência visual, cinco estavam matriculados na rede estadual de ensino e dois estavam matriculados na rede municipal de ensino de São Luís-MA. A partir da seleção desses alunos, identificaram-se seus respectivos professores, que, também, passaram por critérios de inclusão, conforme já relatados.
Conhecidos os sujeitos selecionados, a pesquisadora, de posse dos contatos telefônicos dos pais e/ou responsáveis dos alunos com deficiência visual do CAP-MA, marcou reuniões, individuais, com esses pais e/ou responsáveis, de acordo com a disponibilidade deles. Nessas reuniões individuais, apresentou-se o projeto de pesquisa,
explicando-se a importância do referido estudo; os objetivos da pesquisa; os instrumentos de coleta de dados (entrevistas semi-estruturadas), que seriam utilizados na pesquisa; os riscos e benefícios da pesquisa para os alunos com deficiência visual e para os pais e/ou responsáveis.
Após explicação do projeto de pesquisa aos pais e/ou responsáveis, apresentou-se, também, o TCLE a eles, no qual detalhava-se o assunto abordado nas entrevistas semi- estruturadas; a livre participação dos alunos, podendo os pais e/ou responsáveis retirarem seu consentimento em qualquer momento da pesquisa, caso desistissem dela; o consentimento para gravação das entrevistas semi-estruturadas. Caso os pais e/ou responsáveis concordassem ou não com a participação dos filhos nas entrevistas semi-estruturadas e gravação das informações, estabeleceu-se um prazo de três dias para a entrega do TCLE à pesquisadora. Aqueles que concordaram com a participação dos filhos nas entrevistas e gravação das informações, receberam uma cópia do projeto de pesquisa e uma cópia do TCLE.
Este termo garantiu que as informações fossem confidenciais, somente utiizadas na divulgação desta pesquisa e, teve como objetivo, esclarecer e proteger os sujeitos participantes da pesquisa, assegurando suas identidades e conforto na aplicação das entrevistas. Dos sete pais e/ou responsáveis dos alunos com deficiência visual, apenas um não concedeu a participação do(a) filho(a) na pesquisa.
Depois do recebimento dos TCLEs, a pesquisadora identificou as escolas de ensino regular das redes estadual e municipal de São Luís-MA, onde esses alunos com deficiência visual do CAP-MA, estavam matriculados. Procedeu-se da mesma forma, quando da visita ao CAP-MA, ou seja, entregou-se uma cópia do parecer consubstanciado do CEP/HU/UFMA e uma cópia do projeto de pesquisa à cada gestor(a) das escolas selecionadas.
Durante as visitas nas escolas de ensino regular das redes estadual e municipal de São Luís-MA, conversou-se, individualmente, com os professores dos alunos com deficiência visual do CAP-MA. Nessa conversa, além de serem destacados os objetivos, os procedimentos, a importância da pesquisa, apresentou-se o TCLE, onde foi combinado com cada professor o prazo de entrega desse Termo. Esse procedimento, também, foi realizado com os professores do atendimento educacional especializado do CAP-MA e do ensino itinerante das redes estadual e municipal de ensino de São Luís-MA. Entretanto, não foi possível o consentimento de um professor do ensino itinerante da rede municipal de São Luís- MA, mesmo após várias tentativas da pesquisadora no agendamento de visitas por telefone, não obtendo resposta por parte do referido professor.
Além dos problemas de consentimento de um dos pais e/ou responsáveis na participação do(a) filho(a) na pesquisa e a inviabilidade no agendamento da visita por telefone em relação ao professor do ensino itinerante, alguns dados solicitados nas escolas das redes estadual e municipal de São Luís-MA implicaram na redução do quantitativo dos sujeitos selecionados para participarem desta pesquisa. Essa decisão foi protelada, conforme orientação da professora orientadora deste trabalho.
Quanto aos dados coletados nas entrevistas semi-estruturadas com esses alunos, os mesmos tiveram oportunidade de relatar sobre seus dados de identificação, como: sexo, idade, tipo de deficiência, se congênita ou adquirida, existência de deficiência associada, tipo de escola, série em que estudava. Essas informações foram comparadas e confirmadas com a documentação dos dossiês do CAP-MA. Relatados os dados de identificação, solicitou-se que verbalizassem sobre suas dificuldades, desafios e perspectivas em relação ao seu processo de inclusão escolar.
A caracterização dos dados de identificação dos professores do ensino regular das redes estadual e municipal foi realizada no momento da coleta das entrevistas semi- estruturadas, abordando-se os seguintes itens: sexo, idade cronológica, graduação, pós- graduação (Latu Sensu), tempo de magistério, tipo de escola que leciona, deficiência do aluno que ensina. No item Descrição do Professor, esses dados foram obtidos no decorrer das falas desses professores, presentes, principalmente, nos dois blocos do roteiro das entrevistas, que tratavam da escola, do processo educacional, processos e políticas de inclusão.
Nas entrevistas semi-estruturadas com os professores do atendimento educacional especializado do CAP-MA e do ensino itinerante das redes estadual e municipal de São Luís- MA, utilizaram-se, também, um roteiro constituído de três blocos: dados de identificação, para caracterização desses sujeitos, constando: sexo, idade, graduação, pós-graduação (Latu Sensu), tempo de magistério na Educação Especial, tipo de escola que leciona, deficiência do aluno que atende. Os dados relativos ao segundo e terceiro blocos referiam-se à escola, ao processo educacional, processos e as políticas de inclusão, com destaque para as dificuldades, desafios e perspectivas em relação ao processo de inclusão escolar do aluno com deficiência visual atendidos pelo CAP-MA.
A análise dos dados coletados nas entrevistas semi-estruturadas considerou o processo de análise qualitativo, seguindo as recomendações de Biasoli-Alves (1998, p.145), por ser hierarquicamente “o sistema mais complexo exigindo do pesquisador/entrevistador cuidados excessivos quanto à elaboração”. Rosa e Arnoldi (2008, p. 65) expressam que, nessa etapa, “há a busca de apreensão profunda de significados nas falas, nos comportamentos, nos
sentimentos, nas expressões, interligados ao contexto em que se inserem”, sendo delimitados pela abordagem conceitual do entrevistador, “trazendo à tona, por intermédio da fala, do relato oral, uma sistematização baseada na qualidade”.
Biasoli-Alves (1995) e André (1988 apud ROSA; ARNOLDI, 2006) apontam inúmeras dificuldades vinculadas a esse tipo de análise, ocasionadas pela falta de caminhos prescritivos para levá-las a efeito, correndo-se o risco de efetuá-la de maneira muito intuitiva e rápida. Em razão disso, Biasoli-Alves (1998, p. 135-149) afirma “que apesar da flexibilidade por ela emitida deve-se salientar a necessidade de um RIGOR na análise qualitativa, que pode ser previsto por seis momentos cruciais”, tais como: construção do roteiro; execução da entrevista e registro literal dos dados; transcrição literal; leituras das transcrições; sistematização dos dados; e, redação.
Destaca-se, também, que nas entrevistas, após transcrição literal das narrativas, trabalhou-se com análise de conteúdo, “utilizada para estudar material de tipo qualitativo” (RICHARDSON, 1999, p. 224), porque “tudo o que é dito ou escrito é suscetível de ser submetido a uma análise de conteúdo” (HENRY; MOSOVICI apud BARDIN, 2004, p. 28). Pretendeu-se, portanto, nas narrativas das entrevistas transcritas, analisar as mensagens com duplo sentido, buscando sua significação profunda, depois de uma observação cuidadosa, pois, segundo Bardin (2004, p. 12), “por trás do discurso aparente geralmente simbólico e polissêmico esconde-se um sentido que convém desvendar”.
O procedimento de organização dos conteúdos, conforme Caiado (2003), provoca um processo fértil de reflexão que, por sua vez, suscita a busca de novas referências, novos questionamentos e nova leitura e organização dos dados. A organização da análise realizada nesta pesquisa passou, inicialmente, pela fase da Pré-Análise (FRANCO, 2008), que corresponde à organização propriamente dita.
Nesta primeira fase, a pesquisa trouxe três incumbências: a escolha dos documentos a serem submetidos à análise; a formulação das hipóteses e objetivos; e, a elaboração dos indicadores que fundamentam a interpretação final (BARDIN apud FRANCO, 2008). As atividades da pré-análise consistiram: na leitura flutuante, estabelecendo contato com os documentos a serem analisados e conhecendo os textos e as mensagens neles contidos; na escolha dos documentos (os dados contidos nos dossiês dos alunos); na formulação das hipóteses e objetivos, propondo-se a verificar a confirmação ou não da afirmação provisória para o objeto de estudo; e, na referência aos índices, elaborando os indicadores com base na freqüência com que o tema foi explicitado. (FRANCO, 2008)
Durante o processo da fase de pré-análise, foi fundamental ter como norte os objetivos da pesquisa como critério basilar para a identificação dos aspectos significativos dos dados, “porque os significados são inúmeros e as possibilidades de traçar caminhos de organização dos conteúdos vão multiplicando-se” (CAIADO, 2003, p.53). Assim, o caminho traçado para a elaboração das categorias emergiu da fala, do discurso, do conteúdo das respostas dos entrevistados, sendo iniciado pelo processo de descrição dos significados e do sentido dessas falas, salientando-se todas as nuances observadas (FRANCO, 2008).
A partir das respostas dos entrevistados, a pesquisadora construiu quadros ilustrativos de acordo com as questões das entrevistas, para facilitar os procedimentos de agrupamentos, de classificações, de pré-análise, procedimentos estes, constituídos em indicadores e vistos como fundamentais para auxiliar a posterior criação das categorias e, consequentemente, a efetiva possibilidade de analisar e interpretar os dados a serem submetidos a uma análise de conteúdo (FRANCO, 2008).
Após exposição dos quadros ilustrativos, contendo as respostas dos entrevistados, trabalhou-se com o tema, enquanto unidade de registro, que na busca dos significados e dos sentidos das asserções explicitadas, utilizando-se referencial teórico, buscou-se classificá-las em categorias molares (FRANCO, 2008), na medida em que, também, procurou-se saber a intensidade do aparecimento dos diferentes significados lógico-semânticos, decidindo-se quantificá-los, utilizando-se de freqüências absolutas e relativas.
Foram, pois, elaboradas as tabelas que explicitam as categorias criadas e alguns de seus indicadores ilustrativos, representando o conjunto de ideias comuns ao grupo de participantes pesquisados.