3 METODOLOGIA DA PESQUISA
3.6 PROCEDIMENTOS DE COLETA E ANÁLISE DOS DADOS
Para a realização da coleta dos dados foram delineados alguns pré-requisitos, como a definição das variáveis, adequação das questões sob a perspectiva da teoria de base, e escolha do método de coleta dos dados. Na aplicação dos questionários, inicialmente, enviou-se por e-mail, o questionário aos peritos contadores cadastrados nas Associações de Peritos. Para o contato foram considerados todos os e-mails e telefones disponíveis nos sites. O envio dos questionários para os 593 profissionais que compõem a população da pesquisa ocorreu nos meses de junho a setembro de 2014. No intuito de facilitar o preenchimento das questões pelos respondentes, o questionário foi elaborado e enviado por meio do Survey Monkey.
No que concerne às entrevistas, entrou-se em contato por e-mail e por telefone com representantes dos juízes, agendando um horário para a realização de cada entrevista semiestruturada. De acordo com Bryman (2012), as entrevistas semiestruturadas normalmente referem-se a um contexto em que o entrevistador elenca uma série de questões estruturadas, mas é capaz de variar a sequência das perguntas ou incluir novas indagações. As entrevistas com os peritos contadores ocorreram em agosto e setembro de 2014 e as entrevistas com os magistrados aconteceram em outubro e novembro de 2014. Juntas, as entrevistas tiveram a duração de aproximadamente 15 horas.
Com os dados coletados e tabulados, efetuou-se a análise dos resultados. Os dados foram submetidos a tratamentos estatísticos e analisados em consonância
aos objetivos da referida pesquisa. Estabeleceu-se como premissa que a análise dos dados seguiria o atendimento de cada um dos objetivos específicos delineados.
Inicialmente, enviaram-se os questionários aos peritos contadores cadastrados nas respectivas Associações de Peritos dos estados. Com base nos questionários respondidos, os dados foram organizados e tabulados em planilha Excel para a realização das análises estatísticas no Statistical Package for the Social Sciences 2.0 (SPSS) e Smart PLS 2.0.
No intuito de averiguar as relações existentes no processo de configuração das redes utilizou-se a técnica de Modelagem de Equações Estruturais (Structural Equation Modeling – SEM). Conforme Hair Jr et al. (2005), essa técnica estatística não se limita à analise de dependência simultânea dos dados, e sim, proporciona uma transição da análise exploratória para uma perspectiva confirmatória. Além disso, essa técnica de análise multivariada permite testar empiricamente um conjunto de relacionamentos de dependências por meio do modelo que operacionaliza a teoria. Portanto, esta técnica não se limita a analisar uma relação de cada vez, mas sim, examina as variáveis dependentes conjuntamente.
Na presente pesquisa, aplicou-se a técnica de Modelagem de Equações Estruturais estimada a partir dos Mínimos Quadrados Parciais (Partial Least Squares – PLS) para verificar as possíveis relações existentes no campo da perícia contábil.
De acordo com Chin (1995), o PLS leva em consideração fatores como a variação média extraída e os montantes de R² para averiguar o impacto dos construtos e a adequação dos indicadores como medidas de validação dos respectivos construtos.
No presente estudo, o programa estatístico utilizado para verificar as relações entre os atores no campo da perícia contábil foi o Smart PLS versão 2.0.
No intuito de garantir a validação do modelo elaborado, determinados testes estatísticos foram utilizados, destacando-se a validade convergente, validade discriminante, confiabilidade composta do construto, índice de Goodness of Fit (GOF) e avaliação da significância dos caminhos formados (path).
O primeiro teste de mensuração do modelo realizado foi da validade convergente, a qual se utiliza da análise da variância extraída (Average Variance Extracted - AVE) para avaliar o compartilhamento de variância entre os indicadores das variáveis latentes ou dos constructos que formam o modelo proposto (HAIR JR et al., 2005). Segundo consta na literatura (FERREIRA; CABRAL; SARAIVA, 2010), o montante calculado para a AVE dos constructos deve ser maior do que 0,5.
Além disso, na validade convergente, por meio do teste de confiabilidade composta dos construtos do modelo, busca-se avaliar a consistência interna dos indicadores do construto (HAIR JR et al., 2005). Segundo Chin (1995) e Hair Jr et al.
(2005), os valores apurados por meio deste teste devem exceder o montante de 0,7 com o objetivo de garantir a adequação na estimativa do PLS.
Para corroborar no processo de validação do modelo, efetuou-se também a validação discriminante de acordo com o critério de Gaski e Nevin (1985), a qual busca verificar se determinado indicador de uma variável não está sendo utilizado para mensurar outra variável. Este critério utiliza a matriz de correlação e dos valores de confiabilidade composta para verificar se há validade ou não do modelo.
Especificamente em relação ao índice de Goodness of Fit (GOF), proposto por Tenenhaus et al. (2005), objetiva-se medir o desempenho geral do modelo a partir do cálculo da média geométrica entre a média do R² e a média da AVE dos construtos do modelo estrutural. Para pesquisas nas áreas de Ciências Sociais, de acordo com Wetzels e Odekerken-Schröder (2009), este índice deve contemplar valores superiores a 0,36.
Em seguida, para a verificação da significância de cada caminho (path) dos coeficientes ou os impactos de cada variável em outros constructos, efetuou-se o cálculo estatístico chamado de Bootstrapping, no software Smart PLS. Por meio deste procedimento, efetua-se uma reamostragem dos dados originais do estudo, em que são verificadas as estimativas de parâmetros e erros padrão considerando os dados da pesquisa.
No tocante à análise das informações registradas durante as entrevistas, utilizou-se a técnica denominada de análise de conteúdo. Segundo Bardin (1977), a análise de conteúdo é uma técnica de investigação que tem por finalidade a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação. Além disso, representa um conjunto de técnicas de análise das comunicações – análise categorial, de avaliação, de enunciação, da expressão, das relações e do discurso – para averiguar as informações coletadas em uma dada pesquisa.
As entrevistas gravadas por meio de um gravador de áudio foram ouvidas integralmente e os trechos considerados relevantes e que a princípio poderiam complementar a análise quantitativa foram transcritos com base na sequência de perguntas do roteiro aplicado aos entrevistados. Após isso, por meio da análise
categorial, utilizada de forma interpretativa, cada trecho transcrito foi atrelado a aspectos específicos da Teoria Ator-Rede e alocado de forma apropriada ao longo da análise dos dados. Assim, as entrevistas permitem reforçar a análise quantitativa do processo de configuração das redes de atores do campo da perícia contábil judicial, detalhando ainda mais a análise e discussão dos dados. Ressalta-se que com o objetivo de manter em sigilo a identidade e a privacidade dos entrevistados, foram designadas as seguintes denominações aos profissionais: “Perito 1, 2, 3, 4 e 5” e “Juiz 1, 2, 3, 4 e 5”.