I. Situando o problema
1.4 Procedimentos de coleta e de análise dos dados
As entrevistas na Unimetro foram realizadas após as aulas do curso de elétrica (Eletricista Predial), o qual é ofertado apenas aos adolescentes que estão nas fases intermediária e conclusiva29 da medida socioeducativa, como uma espécie de estímulo para que se ajustem às normas institucionais.
Em respeito a “Instrução de Serviço nº038-P” de 20 de janeiro de 201230, que dispõe
29 O Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo estabelece para os programas de execução de medidas socioeducativas de internação que a organização do espaço físico, bem como a organização da intervenção educativa aconteçam em torno de fases de atendimento. A progressão das fases é condicionada ao estabelecimento de um perfil que o adolescente deve atingir (BRASIL, 2012). Dessa forma, na Unimetro, o atendimento socioeducativo é divido nas seguintes fases: inicial, intermediária e conclusiva, Para cada fase existe uma cor de camisa específica, branca, amarela e verde; além da camisa, os adolescentes umas bermudas de um tecido leve e chinelos do tipo havaianas.
30 Disponível em: https://iases.es.gov.br/Media/iases/Arquivos/Procedimentos%20de%20Pesquisas.pdf Acesso em 29 de maio de 2017. Os técnicos da Subfop estão revendo estas normas, de modo a tornar mais simples o trabalho de pesquisa no âmbito da instituição. Inclusive eu e outros pesquisadores fomos convidados para participar desse processo de revisão.
sobre a regulamentação dos procedimentos de pesquisa no âmbito do Iases, as entrevistas foram registradas por meio de anotações no diário de campo, sem o uso de quaisquer recursos audiovisuais. Durante as entrevistas em grupo e individuais, eu anotava rapidamente apenas palavras-chave. Imediatamente após os encontros, gravava em áudio no meu celular como havia sido a entrevista, descrevendo as partes mais relevantes. Depois redigia essa descrição num bloco de notas no computador, a partir do áudio e de minha memória.
Desde o início, esforcei-me para explicar aos rapazes que estava fazendo um trabalho sobre a vida de adolescentes e jovens na RMGV, acerca de suas amizades, seus conflitos, enfim, sobre suas histórias. Cuidei para que eles soubessem que a minha pesquisa não interferiria no destino deles dentro da unidade e que todas as informações seriam tratadas com o sigilo devido. Então, quando chegou o momento da coleta das narrativas de vida, ocasião em que tivemos mais privacidade, eles contaram suas experiências, sobre as famílias, suas atividades no comércio de substâncias ilícitas, seus conflitos com outros adolescentes relacionados ou não a esta atividade e o cotidiano na unidade de internação.
Antes da etapa das narrativas de vida, foram realizadas cinco entrevistas em grupo (grupos focais). Como indicado, os encontros aconteciam depois do curso de elétrica, entre 11h e 12h. Entretanto, eu chegava mais cedo, às 9h, para acompanhar as aulas, nesse sentido, lancei mão também da observação participante. Eu ria com eles das piadas do professor, às vezes me aventurava a tecer algum comentário, e demonstrava interesse pelo progresso deles no curso. Semelhante situação contribuiu para o estreitamento dos laços, por assim dizer. A estratégia de pesquisa de nos reunirmos para discussões em grupo antes da coleta dos relatos de vida foi muito positiva, a meu ver. Pois quando me encontrei individualmente com os três jovens, já estávamos em uma disposição de espírito mais íntima, leve, tranquila. Enfim, eu não era mais tão “estrangeira” quanto antes.
Assim, cinco entrevistas em grupo foram realizadas e três entrevistas narrativas, sendo que um destes três adolescentes eu entrevistei duas vezes. Por fim, tivemos oportunidade de nos encontrarmos em um feriado, sexta-feira, para a confraternização de encerramento da pesquisa. Peguntei a gerente da unidade se poderia levar um lanche para os adolescentes durante as entrevistas em grupo, pois esta era uma recomendação dos manuais para a realização de grupos focais. Então, ela disse que não seria conveniente, uma vez que o horário em que eu me encontrava com os adolescentes era próximo do almoço. Todavia, a senhora sugeriu que eu deixasse o lanche apenas para o último dia de trabalho, realizando uma espécie
de confraternização “como uma forma de agradecimento pela participação dos jovens na pesquisa”, tais foram as palavras dela. Dito e feito – acolhi a ideia com alegria. E o plano foi executado na sexta-feira que antecedeu a Páscoa, era feriado, não havia ninguém na unidade, a não ser os agentes socioeducativos responsáveis, eu e os adolescentes. Essa atividade me proporcionou uma excelente oportunidade de interação com o grupo e de observação31. Desse modo, meu trabalho de campo na Unimetro foi concluído.
Antes de ir embora definitivamente, passei meu contato para os adolescentes, pois desde o início do trabalho de campo alguns haviam pedido o Facebook da pesquisadora. Para minha surpresa, pouco tempo depois do fim da pesquisa de campo, três adolescentes falaram comigo pelo bate-papo da rede social mencionada. Eles estavam, enfim, livres da instituição - “recebi meu alvará no dia...”. Assim, nós ainda conversamos de vez em quando. Contudo, lamentavelmente, a liberdade de um dos rapazes não durou muito, ou melhor, não durou nada. Soube por sua mãe que ele está “preso de novo”, desta vez em uma unidade prisional para adultos, pois já tem 19 anos. Com esse jovem, em particular, eu havia conquistado mais intimidade, por isso foi possível tomar conhecimento dessas coisas. Retornarei ao assunto.
Os leitores devem ter percebido que uso os termos “entrevistas em grupo” e “grupos focais”32 como se fossem sinônimos. Acontece que a perspectiva de grupo focal aqui adotada apresenta-se como uma entrevista em grupo, que atende a fins específicos de investigação. Mas não se trata de entrevistar indivíduos no mesmo espaço físico. Os grupos focais utilizam a interação grupal para produzir dados e insights que seriam dificilmente conseguidos fora do grupo. Dessa forma, os dados obtidos levam em consideração o processo do grupo, tomado como maior que a soma das opiniões, sentimentos e pontos de vista individuais. Em resumo, o grupo focal é um procedimento de coleta de dados no qual o pesquisador tem a possibilidade de ouvir vários sujeitos ao mesmo tempo, além de observar as interações características do processo grupal. Tem como alvo conseguir uma variedade de informações, sentimentos e experiências de pequenos grupos acerca de um tema específico. A técnica se fundamenta na 31 Se não fosse por essa ocasião, eu jamais teria descoberto que não é permitido entrar na unidade com “bebidas escuras”. Tampouco teria descoberto que “vagabundo tem que ir pro Xuri pra tomar coca-cola” (comentário jocoso feito por um dos adolescentes). Xuri, leitores, é o nome da região onde a Unimetro está situada. Felizmente, depois de insistir e ligeiramente protestar que eu desconhecia a tal regra referente às bebidas, o agente responsável liberou o refrigerante, não sem antes contactar seus superiores a fim de obter autorização. 32 O grupo focal é uma técnica qualitativa de coleta de dados por meio das interações grupais através da discussão de um tema particular ou um problema bem definido sugerido pelo investigador. A técnica nos permite compreender o processo de construção das percepções, atitudes e representações sociais. O moderador do grupo focal assume uma posição de facilitador da discussão e seu alvo é verificar o jogo das interinfluências da formação de opiniões sobre um tópico específico. Dessa maneira, a unidade de análise do grupo focal é o grupo em si, não os sujeitos individualmente (GONDIM, 2002).
discursividade e na interação, pressupõe a construção de conhecimento em espaços de intersubjetividade (KIND, 2004).
Conforme os manuais para a execução desse procedimento é importante que, pelo menos, dois grupos sejam organizados para cada variável pertinente ao tema que será abordado (KIND, 2004). Também é preciso organizarmos um número de grupos suficiente para que haja a saturação do tema. Neste caso, a quantidade de grupos é menos importante do que a qualidade das discussões. Tal qualidade em geral é proporcionada pelo estilo de condução do moderador e por um bom guia de temas. Nesse sentido, foi importante realizar cinco grupos focais na Unimetro e dois na Casa da Juventude, com a participação dos mesmos indivíduos, pois assim, pude explorar todos os pontos de interesse da minha investigação. Em cada discussão, um tema diferente era explorado, a partir, também, dos resultados das discussões anteriores33.
Aliás, eu mesma atuei como moderadora em todos os grupos focais. Apesar de os metodólogos apregoarem a fundamental importância da presença de um observador durante o procedimento, não foi possível contar com o auxílio de alguém que desempenhasse semelhante papel. Principalmente por se tratar de uma instituição “fechada” e de difícil acesso como a Unimetro. O observador é necessário, conforme Kind (2004), para analisar a rede de interações presentes durante o grupo focal. Caberia a ele apontar as reações do moderador com relação ao grupo, suas dificuldades e limitações; e assumir uma posição menos ativa, registrando as comunicações não-verbais, a linguagem e as atitudes de preocupação dos componentes dos grupos. Ciente de que não poderia contar com esse observador, mantive minha atenção redobrada e recorri a outros procedimentos.
Pois bem, não foi possível seguir ortodoxamente o procedimento do grupo focal conforme ensinam os manuais, porquanto não gravei as entrevistas e muito menos contei com o auxílio de um observador. Orientava-me por um roteiro de discussão34 com perguntas abertas e utilizei dinâmicas de grupo. Em verdade, os adolescentes percebiam, em certa medida, os grupos focais como uma espécie de aula e eu como uma espécie de professora, 33 Caso os leitores estejam curiosos acerca das perguntas feitas nessas ocasiões, informo que os roteiros de discussão e o questionário estão disponíveis em anexo. Em nome da fidelidade científica, informo também que muitas questões não constam no roteiro em função de terem sido elaboradas espontaneamente no momento da discussão.
34 No roteiro de discussão ou no temário é que a ligação entre os objetivos da pesquisa e o grupo focal fica mais evidente. Ele deve ser flexível para que a discussão transcorra espontaneamente e ainda permita que novas questões sejam introduzidas. Na prática, elaborar um temário requer que o investigador esboce áreas de indagação de acordo com os objetivos do estudo (KIND, 2004).
pelo fato de os encontros acontecerem depois do curso de elétrica (curso de Eletricista Predial) e num ambiente de sala de aula. Mas também pelas dinâmicas que eu propunha. Alguns, às vezes, me tratavam também como uma espécie de psicóloga, ou amiga, com quem queriam desabafar – o que era difícil, pois nesse sentido eles esperavam de mim ajuda, conselhos.
Como disse, tive de utilizar uma diversidade de procedimentos para realizar a coleta de dados, tendo em vista as peculiaridades do campo. Assim, as dinâmicas de grupo e os questionários com perguntas abertas foram meios de coletar dados. Apenas para ilustrar, cito sumariamente alguns exemplos.
A primeira dinâmica consistiu na apresentação dos participantes. O primeiro adolescente tinha de dizer seu nome e uma qualidade/característica com a primeira letra do nome e, depois, os outros deviam fazer o mesmo e, também, repetir os nomes e as características dos outros que disseram antes deles. Isso fez com que nos divertíssemos; pude conhecer as qualidades (autoatribuídas) dos adolescentes e memorizar os nomes. Leandro disse que sua característica era “lindo”, mas depois mudou para “louco”, pois os colegas não o chamariam de “lindo” nem brincando. Ou seja, aqui me interessou o aspecto das relações entre os rapazes, as representações do que é ser “homem”, de que um “homem de verdade” não pode apreciar e tampouco proclamar a beleza de outro. Outro adolescente se nomeou “inimigo”. A princípio, isso me pareceu estranho, sem sentido. Depois, ao longo de minha presença no campo, percebi que fazia muito sentido no contexto dos adolescentes, pois eles discorriam frequentemente sobre as “guerras nas ruas” que tinham a ver com as disputas do comércio varejista de substâncias ilícitas. Ora, se existe “guerra”, existe “inimigo” a ser combatido.
Outra dinâmica foi relacionada aos problemas dos adolescentes. Eu pedi que completassem anonimamente em um papel a frase: “O meu problema é...”. Depois, nós trocamos os papéis, cada um lia um que não era o seu próprio e o grupo pensava em soluções para os problemas dos outros. Isso nos rendeu boas risadas, mas também reflexões. Foi um pouco tenso, pois um dos jovens escreveu que o problema era conviver com os “agentes”, e os tais “agentes” estavam conosco no espaço onde as discussões aconteciam… Outros disseram que o problema era conviver com “bola” no alojamento. Assim, eu descobri que “bola” era um adolescente transgressor das normas do grupo. Então, passei a conhecer as tais normas e os conflitos que o não cumprimento delas poderiam gerar. Mais especificamente, conheci os
fundamentos morais para a existência das normas. Desse modo, essas dinâmicas foram muito úteis. A partir delas, as conversas também eram estruturadas.
Com relação ao questionário com perguntas abertas, foi aplicado no segundo encontro. Foi uma estratégia que encontrei para conhecer um pouco sobre o contexto familiar e comunitário dos adolescentes, sobre seus momentos mais felizes e mais tristes, sobre o que mais gostavam na unidade de internação e o que menos gostavam e sobre o que mais causava problemas lá dentro entre eles. Também perguntei coisas aparentemente banais, como a música preferida ou uma frase de que mais gostavam. Assim, soube que alguns gostavam de
funk, outros do estilo do grupo Racionais (com canções mais críticas da sociedade) e outros
ainda de músicas gospel. Nesse sentido, pude, por exemplo, memorizar de qual bairro era cada um deles e construir um repertório de ideais sobre o grupo, a fim de elaborar os roteiros das discussões que se seguiram.
Durante as primeiras entrevistas em grupo, os adolescentes estavam naturalmente mais reservados e não quiseram comentar sobre alguns pontos que eu abordava ou comentavam pouco, também tendo em vista a presença/vigilância dos agentes socioeducativos. Existia o receio de falarem algo que depois pudesse prejudicá-los. Mas isso, felizmente, foi só nos primeiros dias do trabalho de campo.
Para uniformizar os procedimentos de coleta de dados, optei por também não utilizar o gravador nas entrevistas com o grupo dos adolescentes em São Pedro; lá também me vali das dinâmicas de grupo, além das entrevistas narrativas e do questionário com perguntas abertas. Apenas usei o gravador em uma entrevista narrativa com um jovem, que atualmente não mora em São Pedro, mas viveu a infância e a maior parte da juventude próximo da região, no Bairro da Penha35. Convém destacar que o rapaz não participa da Casa da Juventude. Eu o conheci a
35 Digite “bairro da penha vitória es” no site de busca “Google” e aparecerão, nos primeiros links, notícias sobre facções do “tráfico de drogas”, apreensão de armas pela polícia, e vídeos no Youtube de homens armados. Ou seja, trata-se de um lugar socialmente representado como lócus da “violência urbana”. O Bairro da Penha está situado, portanto, no município de Vitória – ES, tendo por limites os bairros Itararé e Bonfim. No início de sua ocupação era chamado de “Morro do Teimoso” pois, quando a prefeitura começou a urbanizar a área, algumas casas situadas em áreas de risco foram retiradas. Os moradores “teimosos” retornavam constantemente. A ocupação inicial se deu na década de 1950 e foi feita por meio de “invasões pacíficas” conduzidas pelo Sargento Carioca, considerado uma liderança pelos moradores. O bairro foi ocupado tanto por migrantes quanto por moradores das proximidades. Os migrantes vieram, sobretudo, do interior do estado, norte de Minas Gerais, norte do Rio de Janeiro e do sul da Bahia. A princípio, a ocupação se deu na parte baixa do morro, devido à maior facilidade de acesso à água, luz, transporte, alcançando, depois, a parte alta. O perfil inicial da comunidade era de muita pobreza, as casas eram de estuque ou de madeira, cobertas por folhas de coqueiro ou palha, aos poucos foram construindo barracos de madeira localizadas na parte alta do morro e casas de alvenaria na parte baixa. Para mais detalhes cf. http://legado.vitoria.es.gov.br/regionais/bairros/regiao4/dapenha.asp Acesso em 23 de maio de 2017.
partir da rede de contatos da Coanp. Essa entrevista, especificamente, foi realizada na Ufes, na sala de reuniões do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Todas as outras aconteceram na Casa da Juventude.
Sendo assim, foram realizadas duas entrevistas em grupo com adolescentes e jovens em São Pedro, na Casa da Juventude. Deste grupo, foram selecionados para a coleta das narrativas de vida um jovem de 23 anos e uma adolescente de 14 anos. A escolha desses interlocutores seguiu o mesmo critério de seleção adotado na Unimetro, enfoquei os que mais discutiram, nas entrevistas em grupo, os pontos de interesse da pesquisa.
Além das entrevistas em grupo e narrativas de vida, aproveitei para observar o cotidiano das atividades do Projovem. Por exemplo, na primeira vez que estive na Casa da Juventude, aconteceu uma oficina sobre infecções sexualmente transmissíveis, que foi conduzida por uma pessoa cujo nome é Débora, do grupo GOLD: Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade36. Débora disse que os jovens são, atualmente, os mais infectados pelo vírus HIV, por isso a atividade faz parte de um programa de conscientização. Ela também disse que essa mesma oficina já havia sido ministrada para adolescentes privados de liberdade. Naquela ocasião, todos os participantes eram meninos, embora não fosse uma atividade específica para meninos. De modo semelhante, estive presente em outros momentos, por exemplo, durante a exibição de um filme. A partir dai, foi possível interagir com os jovens, como será apresentado ao longo do trabalho.
Quanto aos procedimentos de análise dos grupos focais, Krueger (1998) explica que a maior parte do conteúdo analítico dos grupos advém da interação entre os participantes, isso faz com que o encadeamento da discussão seja um elemento importante a ser analisado. Na análise, cada sessão foi examinada separadamente, sendo, depois, comparados os resultados dos grupos dos adolescentes na Unimetro e em São Pedro. Krueger (1998) declara que o principal objetivo da análise é encontrar padrões e estabelecer contrastes e comparações, entre os diferentes conjuntos de dados. A sistematização dos resultados é feita a partir de um processo de codificação. Ou seja, conforme o pesquisador detecte uma ideia ou fenômeno, uma legenda é colocada ao lado do texto cujo conteúdo trata das descrições das entrevistas. A
36 A Associação GOLD é uma entidade sem fins lucrativos fundada em 2005 com a intenção de promover a cidadania e defender os direitos da população LGBT capixaba. Segundo a Associação, sua missão é promover a cidadania e defender os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero. Tais informações estão disponíveis na página do grupo no Facebook. Disponível em:
porção do texto é assinalada e a legenda é colocada. Quando tal ideia reaparece, a legenda é posta mais uma vez. Mais tarde, o pesquisador pode recuperar e rever seletivamente informações relativas a certos códigos ou situações relacionadas. Visto que eu não gravava as entrevistas, logo depois delas realizava uma descrição (densa)37, destacando o conteúdo das respostas, comentários e reflexões, bem como as expressões e atitudes demonstradas pelos jovens.
Krueger (1998) ensina que devemos fazer a avaliação das palavras utilizadas na discussão e seus significados; devemos nos atentar para a intensidade em que elas são ditas, e para as posições tomadas pelos integrantes do grupo diante de determinados pontos. Além disso, é preciso refletir sobre o quão aprofundado foi o debate e que ideias originais ele proporcionou. Por fim, analisar dados provenientes do grupo focal impõe um grande desafio ao pesquisador, qual seja, analisar tanto o conteúdo da discussão quanto o processo grupal.