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4   MATERIAIS E MÉTODOS

4.3   Procedimentos de coleta

arquivo foi salvo no computador, ficando disponível para análises posteriores. 

No segundo momento da coleta de dados, com base nas percepções identificadas na  primeira fase de entrevistas com especialistas, foi elaborado o questionário a ser aplicado  em uma amostra do universo pesquisado, com a finalidade de obter dados mais precisos e  generalizáveis  em  relação  à  atuação  do  profissional  do  design  dentro  da  indústria  automobilística. Algumas das vantagens do uso dos questionários compreendem o fato de o  mesmo  resultar  em  respostas  rápidas  e  precisas,  com  menor  risco  de  distorção  pela  não  influência do pesquisador, além de garantir maior uniformidade na avaliação resultante da  natureza impessoal do instrumento. Entre as desvantagens, destacam‐se a devolução tardia  dos questionários, fator prejudicial ao calendário da pesquisa e a porcentagem pequena dos  questionários, os quais retornam respondidos, sendo que, dos questionários expedidos, em  média 25% são devolvidos (MARCONI e LAKATOS, 2009, p.86‐87). 

Para  a  presente  pesquisa  foi  elaborado  um  questionário  contendo  10  questões  fechadas,  sendo  o  mesmo  disponibilizado  em  plataforma  virtual  de  maneira  a  facilitar  o  acesso por parte dos participantes e ampliar o alcance da pesquisa – Apêndice E. 

 

4.3 Procedimentos de coleta   

Para  a  primeira  fase  da  coleta,  após  o  contato  inicial,  foram  agendados  com  cada  profissional o melhor dia e horário para a realização das entrevistas, as quais foram feitas  por  telefone  e  registradas  a  partir  da  gravação  telefônica  do  diálogo.  Antes  de  cada  entrevista, a pesquisadora responsável adotou como padrão informar o entrevistado sobre a  gravação  da  conversa,  sobre  os  objetivos  da  pesquisa,  bem  como  sobre  a  importância  do  TCLE, o qual foi enviado por e‐mail no mesmo dia da entrevista e devolvido também por e‐ mail, devidamente assinado por cada participante e pela pesquisadora.  

Nos  dias  e  horários  agendados  realizaram‐se  as  entrevistas,  as  quais  tomaram  o  tempo necessário para que os profissionais se manifestassem livremente. Ao final de cada  entrevista, foi permitido aos participantes tecer considerações, as quais acreditassem serem  pertinentes  aos  objetivos  da  pesquisa.  A  fim  de  garantir  o  anonimato  de  cada  designer  entrevistado,  bem  como  da  empresa  para  a  qual  trabalha,  a  pesquisadora  convencionou  referir‐se aos profissionais pela letra inicial da palavra designer – portanto letra D – seguida 

do  número  de  ordem  cronológica  da  realização  de  cada  entrevista,  sendo  o  primeiro  entrevistado denominado pela sigla D1, o segundo pela sigla D2 e assim sucessivamente. O  mesmo procedimento foi adotado para as indústrias – referenciadas pela letra M – seguidas  da ordem cronológica de entrevista dos seus funcionários, sendo os dois primeiros D1 e D2  funcionários  da  M1;  D3  e  D4  funcionários  da  M2  e  assim  sucessivamente.  Uma  vez  concluídas,  todas  as  entrevistas  foram  transcritas  –  Apêndice  F  –  formando  o  corpus  de  análise. 

Na  segunda  fase  da  coleta,  uma  vez  obtido  o  valor  da  amostra  de  79  indivíduos,  seguiu‐se o contato com os chefes dos departamentos design das seis empresas pesquisadas  e,  na  presença  de  obstáculos  quanto  ao  contato  com  estes  chefes,  foram  contatados  diretamente  designers  atuantes  nestas  empresas,  solicitando  aos  mesmos  que  respondessem ao questionário online, bem como divulgassem amplamente entre os colegas  de departamento o link de acesso ao formulário. No total 32 indivíduos foram contatados  diretamente,  ocasião  na  qual  foi  solicitando  aos  mesmos  que  encaminhassem  o  link  aos  demais  designers  do  departamento  no  qual  atuavam  e  com  os  quais  a  pesquisadora  não  obteve o contato.    4.4 Análise de dados    A análise dos dados obtidos na primeira etapa da pesquisa, qualitativa, foi realizada à  luz do método de Análise de Conteúdo (BARDIN, 2011), o qual é caracterizado por ser um  conjunto  de  técnicas  de  análise  das  comunicações,  visando  compreender  criticamente  o  sentido das comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explicitas ou  ocultas.  

Uma  vez  de  posse  dos  dados  coletados,  o  método  é  composto  pelas  seguintes  etapas:  

 Organização  da  análise  –  fases  de  pré‐análise,  leitura  flutuante  e  exploração  do  material;  

 Codificação dos dados;    Categorização; 

Com o objetivo de otimizar a análise, a fase de pré‐análise corresponde à organização  do material, tornando‐o operacional e sistematizando as ideias iniciais. Em seguida, realiza‐ se a leitura flutuante – uma leitura inicial – e escolha dos documentos. No caso, todas as  entrevistas  foram  consideradas  válidas,  procedendo‐se  à  constituição  de  um  corpus  de  análise e levando em consideração todos os elementos deste corpus, sem excluir qualquer  um  destes.  Tal  corpus  deve  ser  homogêneo  e  adequado  enquanto  fonte  de  informação.  Também fazem parte da pré‐análise a formulação das hipóteses e objetivos – o olhar com  que se busca a informação, sendo o trabalho do analista orientado por hipóteses implícitas.  Segue‐se então à elaboração de indicadores ou itens,  em função das hipóteses previamente  levantadas.  A fase de exploração do material é composta por operações de codificação, desconto  ou enumeração, em função de regras previamente formuladas. Nesta fase, os resultados são  tratados  de  maneira  a  serem  significativos  e  válidos.  A  codificação  –  ou  tratamento  do  material propriamente dito – corresponde a uma transformação – efetuada segundo regras   dos  dados  brutos  do  texto,  as  quais  por  recorte,  agregação  e  enumeração,  permitem  atingir uma representação do conteúdo, esclarecendo o analista acerca das características  do texto, podendo servir de índices.  

No caso do presente estudo, empreendeu‐se a leitura das entrevistas, realizando‐se  uma análise de conteúdo de caráter qualitativo. Neste sentido, tal análise foi fundamentada  na  presença  do  índice,  o  qual  pode  ser  uma  palavra  ou  um  tema.  Para  a  elaboração  dos  índices  foi  considerado  como  unidade  de  registro  o  tema.  Assim,  tomando  por  base  tal  codificação  inicial,  procedeu‐se  a  categorização  dos  índices  encontrados,  elucidando  também os indicadores que os fundamentam. As categorias reúnem um grupo de elementos  – unidades de registro – sob um título genérico, agrupamento este efetuado em razão dos  caracteres comuns destes elementos. 

Categorizar os elementos verificados na mensagem impõe a investigação do que cada  um  tem  em  comum  com  os  outros.  Desta  forma,  o  que  permite  o  agrupamento  de  informações em categorias é a parte comum existente entre elas. A categorização, portanto,  compreende  o  processo  de,  em  um  primeiro  momento,  isolar  os  elementos  e,  posteriormente,  reagrupá‐los  por  semelhança  em  categoriasl,  e  visa  fornecer,  por  condensação,  uma  representação  simplificada  dos  dados  brutos,  sendo  a  inferência  final  efetuada a partir do material reconstruído, ou reagrupado por semelhança de conteúdo.  

Como  último  estágio  da  análise  de  conteúdo,  a  inferência  é  resultado  da  leitura  crítica  de  uma  mensagem,  e  se  faz  como  um  bom  instrumento  de  indução  para  se  investigarem as causas – variáveis inferidas – a partir dos efeitos – variáveis de inferência ou  indicadores.  Assim,  pode‐se,  a  partir  das  categorias,  realizar  inferências  sobre  aqueles  discursos, obtendo‐se desta maneira informações significativas relacionadas à intenção da  pesquisa.  Tal  procedimento  permite  interpretações  a  partir  dos  diálogos  registrados  a  propósito dos objetivos previstos pelo estudo, ou que digam respeito a outras descobertas  inesperadas, mas igualmente ricas para a produção do conhecimento acerca do objeto de  estudo. O Diagrama 3 representa as etapas de análise de conteúdo desenvolvidas durante a  pesquisa:    Diagrama 3 – Passos da análise de conteúdo das entrevistas    Fonte: Adaptado de Bardin, 2011, p. 102.   

Na  segunda  etapa  da  pesquisa,  de  caráter  quantitativo,  a  qual  compreendeu  a  aplicação  de  questionários  online,  a  fase  de  análise  teve  início  a  partir  da  compilação  e 

tabulação  dos  dados  provenientes  do  sistema  de  formulários  online  utilizado  como  base  para a disponibilização do questionário em rede. 

Uma  vez  organizados,  os  dados  obtidos  foram  analisados  por  meio  da  estatística  descritiva,  a  partir  da  distribuição  de  frequências  para  cada  uma  das  variáveis  estudadas,  descrevendo posteriormente a relação entre as mesmas (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006,  p.415). Por fim, foram realizadas as representações gráficas dos resultados, os quais foram  discutidos paralelamente.                                                                   

5 RESULTADOS E DISCUSSÕES   

No  total,  foram  entrevistados  oito  designers  automotivos  na  primeira  fase  da  pesquisa  –  qualitativa  –  e  25  na  segunda  fase.  Na  primeira  fase,  os  dados  foram  categorizados e organizados em quadros, sendo discutidos simultaneamente. A segunda fase  – quantitativa – compreendeu a classificação e organização em planilha dos dados obtidos a  partir  dos  questionários  online  respondidos  pelos  participantes.  Tais  dados  foram  posteriormente analisados por meio de estatística descritiva, sendo apresentados na forma  de gráficos que fundamentaram sua discussão. 

A  pesquisa  do  tipo  qualitativa,  e  quantitativa  permitiu  em  um  primeiro  momento  obter  informações  em  profundidade  sobre  a  prática  profissional  dos  designers  de  automóveis  para  em  seguida  a  partir  das  percepções  dos  profissionais  obter  parâmetros  para  a  elaboração  do  questionário  objetivo  aplicado  a  uma  amostra  do  universo  de  profissionais  atuantes.  Em  seguida,  os  resultados  de  ambas  as  fases  foram  revisados  e  confrontados com os objetivos da pesquisa, resultando nas considerações finais sobre como  tem se dado a prática profissional dos designers nas indústrias automobilísticas instaladas no  Brasil na atualidade. A seguir, são apresentados os resultados e as discussões referentes às  duas etapas da pesquisa.    5.1 Resultados da primeira fase da pesquisa   

Na  primeira  fase  da  pesquisa,  tomada  como  pré‐teste,  a  investigação  através  das  entrevistas teve início no mês de Setembro de 2012, estendendo‐se à Novembro do mesmo  ano. O formulário de entrevista foi elaborado contendo 11 questões abertas.  

Com base na bibliografia e intencionando conhecer mais sobre a amostra, bem como  as  percepções  dos  profissionais  acerca  de  seu  campo  de  atuação,  a  estrutura  de  tal  documento foi construída solicitando inicialmente que os mesmos identificassem o trabalho  do  designer  de  automóveis,  e  explicitassem  sua  visão  sobre  a  profissão  e  seu  desenvolvimento  no  Brasil,  na  atualidade.  Em  seguida,  considerando  as  dinâmicas  dos  estúdios  de  design  dentro  das  montadoras,  os  entrevistados  foram  questionados  sobre  como se dão as relações interdisciplinares entre o design e as demais áreas envolvidas no  projeto  de  um  automóvel,  e  até  que  ponto  tais  relações  interferem  em  sua  prática 

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