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4. A Psicomotricidade no Envelhecimento

5.5. Procedimentos de recolha e análise de dados

O estudo teve como sinal de partida a realização de entrevistas semiestruturadas, acompanhadas pela observação direta dos participantes.

Com intuito de cumprir os princípios éticos e morais que uma investigação qualitativa acarreta, é importante salientar que toda a recolha de dados ocorreu após a assinatura do consentimento informado por todos os participantes no estudo (Anexo I). Foi, conforme explícito no consentimento, garantida a confidencialidade dos dados e o anonimato dos participantes.

Objetivos Gerais Objetivos Específicos Questões

Compreender de que modo a velhice é vivida e sentida pelos idosos.

 Compreender se houve alterações com o modo de encarar a velhice após intervenção.

 Tendo em conta o significado do envelhecimento/pensar sobre a velhice para si, considera que a sua maneira de encarar esta fase alterou?

Compreender o conhecimento e a perceção de si próprio e a forma como este se tem alterado ao envelhecer.  Perceber se houve alterações no modo de sentir o corpo;  Alterações no corpo: dores, capacidades, incapacidades.

 E o seu corpo? Sente-o de maneira igual?

 Que alterações sentiu com a intervenção? Em relação a dores, capacidades, incapacidades? Perceber a avaliação que

os idosos fazem da sua qualidade de vida e do bem-estar consigo próprios.

 Satisfação com a vida: muito mal, mal, bem, muito bem;

 Se a vontade de aprender coisas novas aumentou (bem como de ingressar em atividades diferentes);

 Compreender a autoavaliação de capacidades para a realização das AVD’S.

 Como se sente com a sua vida? Muito mal, mal, bem, muito bem?  E em relação à sua vontade de aprender coisas novas? Aumentou?

 As atividades que desenvolvemos fizeram com que pensasse que conseguiria fazer mais tarefas?

Compreender quais as mudanças verificadas após a intervenção psicomotora  Compreender se notou melhorias após a intervenção. E de que modo.  Perceber se as expetativas foram alcançadas e de que modo encarou a intervenção.

 Sente-se melhor agora após a intervenção? Porquê?

 As expetativas foram alcançadas? A intervenção foi o que pensava ser? Como encarou toda esta intervenção?

Para além da assinatura do consentimento informado foi também assinado uma autorização de uso de imagem, onde é permitida a utilização de fotografias para registo académico (Anexo II).

Aquando a realização das entrevistas, foi tido em conta o facto de se tratar de uma entrevista semiestruturada e, assim, intervir o menos possível na mesma, deixando que o participante guie a entrevista consoante a sua vontade, promovendo um ambiente securizante, de escuta, de cumplicidade e de confiança. Antes de iniciar a entrevista foi informado o participante sobre o objetivo da mesma, bem como questionada a possibilidade de efetuar a gravação, pelo que foi acordado com todo o grupo tais procedimentos. É de realçar que todas as entrevistas foram gravadas para que se mantivesse ao máximo a fiabilidade dos registos.

Há que ter em conta a baixa escolaridade dos participantes e, por isso ser necessária a utilização de um vocabulário simples e adequado, para que haja uma maior compreensão da entrevista.

Todas as entrevistas ocorreram no Gabinete de Enfermagem da associação, tendo tido uma duração média de 15 minutos. Foi escolhido este gabinete com intuito de promover um ambiente sem elementos distratores ou estímulos externos, com vista a impulsionar a confiança e a entrega neste momento. É importante salientar que a investigadora já tinha uma relação próxima e de confiança com todos os participantes do estudo, favorecendo assim a partilha de sensações e pensamentos.

Para o tratamento dos dados foi utilizada a análise de conteúdo, definida por Bardin (2014) como sendo um método empírico dependente do modo de interagir, bem como do objetivo da investigação em si. Esta compreende duas funções que podem ou não, dissociar-se: a função heurística, em primeiro lugar, que nos permite enriquecer a exploração, aumentando a probabilidade de novas descobertas e, noutro âmbito, a função de administração da prova, composta por questões ou afirmações provisórias que servem como diretrizes. Estas questões levam à escolha do método de análise sistemática com fim de confirmar ou infirmar tal afirmação.

Este tipo de análise compreende diferentes polos cronológicos: a pré-análise; a exploração do material e o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação (Bardin, 2014).

Relativamente à pré-análise, esta relaciona-se com a fase de organização, tem por objetivo operacionalizar e sistematizar as ideias iniciais com fim à construção de um plano de análise (Bardin, 2014). Geralmente é nesta fase que ocorre a escolha dos documentos

que serão sujeitos a análise, dá-se a formulação de hipóteses e dos objetivos e, por fim, constroem-se os indicadores que irão fundamentar a interpretação final. Para começar, deve-se recorrer a uma leitura flutuante, onde se estabelece contacto com os documentos e o texto a analisar, permitindo que se formem impressões, orientações e opiniões sobre o material. Nesta fase, a leitura do investigador deve-se tornar mais precisa ao longo do tempo, consoante a formulação de hipóteses e teorias e, posteriormente, com a aplicação de técnicas específicas. Com a seleção de determinados documentos e o aumento da precisão na leitura destes, vão sendo formuladas as hipóteses e os objetivos da investigação, de modo a que, posteriormente, se elabore a referenciação do índice e a elaboração de indicadores (Bardin, 2014). Quando terminada esta fase dá-se a preparação do material para as fases de análise e exploração que se avizinham, contando com uma fase longa que consiste, principalmente, em operações de codificação, decomposição ou enumeração (Bardin, 2014).

Segue-se a fase de tratamento dos resultados obtidos e posterior interpretação, onde se tratam, com o objetivo de se tornarem significativos e válidos. É aqui que são criados quadros, diagramas e figuras para uma melhor interpretação e leitura dos dados, colocando em relevância as informações essenciais para a compreensão do estudo (Bardin, 2014). Remetendo para as questões da codificação, é possível afirmar que esta fase se trata de uma operação de classificação dos elementos e, posteriormente reagrupados em categorias segundo o género, conforme os critérios definidos A priori. As categorias referem-se a classes que reúnem um determinado número de elementos (unidades de registo, neste caso da análise de conteúdo) advindas de um título específico (Bardin, 2014).

No que respeita ao presente estudo, foi realizada a transcrição das entrevistas na íntegra, para formato digital. Após uma primeira leitura flutuante de todos os documentos transcritos, foi possível criar uma ideia geral e prosseguir para uma leitura mais precisa sobre os mesmos, levando assim à criação de quadros-síntese, onde são apresentadas as unidades de registo mais importantes para o desenrolar da investigação. Esta categorização foi conseguida a partir da seleção das unidades de registo pertinentes para a investigação, juntando-as consoante as suas características. Seguidamente, foram criados diferentes temas e, posteriormente subtemas de modo a obter uma leitura coerente e facilitada de todos os resultados.

6. Perceções da Velhice & Expectativas em relação à Intervenção