SUMÁRIO
DOS ESTUDOS FIBRA CAMPINAS E FIBRA BELÉM
2. ESTUDO FIBRA UNICAMP: OBJETIVOS, DEFINIÇÃO DO TERMO PRINCIPAL, E VISÃO GERAL DA METODOLOGIA
2.5. Procedimentos de Recrutamento e de Coleta de Dados
Na prática clínica, o ponto de corte 23 ou 24 é o mais comumente empregado, apresentando alta sensibilidade e especificidade para a detecção de comprometimento cognitivo e demência.
Aos idosos excluídos por ocasião do recrutamento ou da coleta de dados ou aos seus familiares, os recrutadores e entrevistadores ofereceram explicações compatíveis com o respeito à dignidade das pessoas, tais como “a pesquisa tem algumas exigências para participação”, ou, “a coleta de dados pode ser muito longa e cansativa para as suas condições” ou “para as condições do seu familiar”.
2.5. Procedimentos de Recrutamento e de Coleta de Dados
Em todas as cidades, o recrutamento, a oferta de informações sobre os objetivos da pesquisa, o caráter da participação e o convite para participar foram feitos aos idosos em seus respectivos domicílios. Foi dada preferência a contatos com os próprios idosos, mas em casos em que eram verificadas dificuldades motivadas por limitações cognitivas ou sensoriais, aceitava-se que familiares ou outros residentes dessem informações e que se manifestassem sobre a impossibilidade de o idoso participar.
Os recrutadores seguiram um roteiro para a apresentação pessoal, para a apresentação da pesquisa e para o convite aos idosos. Tinham formulários padronizados para preencher com dados dos idosos incluídos e excluídos, de recusas e domicílios fechados. Foram previamente treinados nos procedimentos de recrutamento, compareciam uniformizados e com crachá da Rede FIBRA e receberam remuneração por esse trabalho.
Os responsáveis pelo recrutamento receberam um manual de instruções que foi construído para o estudo e previamente testado. Além disso, tiveram treinamento de 24 horas de duração, no qual receberam informações teóricas sobre o Estudo FIBRA e sobre os procedimentos de recrutamento e de coleta de dados, de forma a conhecerem a finalidade de seu trabalho e a poderem realizá-lo de forma precisa e padronizada. Além de instruções sobre como operacionalizar o recrutamento dos idosos, as equipes de recrutamento e de coleta de dados foram instruídas sobre o uso de critérios de inclusão e de exclusão a serem adotados. No Polo Unicamp, o treinamento teve duração de 24 horas e foi oferecido por duas profissionais da equipe de coordenação do Estudo FIBRA – Polo Unicamp3.4 Precedendo esse treinamento, todas as cidades foram visitadas pela coordenadora do Polo4. Nessa ocasião, de comum acordo com o coordenador local, era oferecida uma palestra aberta aos idosos e a
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outros interessados da cidade, outra aberta à comunidade universitária e um seminário de 4 horas em que a pesquisa era apresentada à equipe local de alunos e professores.
Os recrutadores e os entrevistadores foram orientados a portar crachás contendo nome e fotografia, bem como o símbolo de identificação visual da Rede FIBRA, da universidade sede do polo e o da universidade local que patrocinava a pesquisa, quando fossem recrutar. Deveriam usar a camiseta, a bolsa, a pasta, canetas e impressos igualmente identificados com os logotipos da pesquisa e das universidades parceiras.
Além de convidar os idosos, os recrutadores foram orientados a mencionar os objetivos da pesquisa, o local, a duração e o conteúdo da sessão de coleta de dados e a ressaltar o caráter voluntário da participação. No Polo Unicamp, os recrutadores entregavam aos idosos visitados um folheto impresso com breve explicação sobre os objetivos da pesquisa, o caráter voluntário da participação, o direito ao sigilo e a forma de devolução dos dados clínicos aos idosos (Anexo B).
Deveriam dizer que a informação global sobre os resultados de cada idoso não seria um diagnóstico, que não havia compromisso de atendimento clínico posterior à sessão de coleta de dados e que cada idoso receberia uma cartilha de saúde, ao final da sua participação. Foram instruídos a informar que os dados da amostra total seriam analisados e que os resultados correspondentes a cada cidade seriam impressos e enviados à secretaria de saúde do município, mas que nenhum idoso seria identificado nesse processo.
O recrutamento foi realizado somente em domicílios familiares5.
Assim, não foram considerados como locais elegíveis para recrutamento casas de comércio, fábricas, oficinas, escolas, escritórios, sedes sociais, sindicatos, consultórios, clínicas, instituições de longa permanência, academias de ginástica, salões de beleza, centros de saúde ou grupos de ginástica e caminhada. A instrução foi de visitar todos os domicílios até obter a cota de idosos especificada. Havia uma ficha de registro na qual os recrutadores anotavam o nome, a idade, o gênero, o endereço e o telefone do idoso, assim como o nome de outra pessoa para contato, a cada idoso recrutado.
O recrutamento dos idosos foi precedido de uma fase de divulgação em emissoras de rádio e TV, jornais, igrejas, clubes, associações de moradores e centros de saúde. O Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (CEP/FCM/Unicamp) aprovou o conteúdo dessa divulgação.
3 A psicóloga e Mestre em Gerontologia Andréa Cristina Garofe Fortes-Burgos e a professora e Mestre em Educação Física Efigênia Passarelli Mantovani.
4 A psicóloga e professora Dra. Anita Liberalesso Neri.
5 Definidos como “locais estruturalmente separados e independentes, destinados a servir de habitação a uma ou mais pessoas” (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, 2003, p.7).
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Ela mencionava que a Unicamp iria desenvolver uma pesquisa com o objetivo de investigar perfis de saúde e bem-estar em idosos de 65 anos e mais. Dizia que os dados seriam úteis para subsidiar políticas de saúde e para orientar a população sobre os cuidados em saúde que podem promover boa qualidade de vida na velhice (ver modelo da divulgação em Campinas no Anexo C).
Em todas as cidades do Polo Unicamp os dados foram coletados em sessão única realizada em locais previamente combinados com os idosos. Esses locais podiam ser ambulatórios de hospitais universitários, clínicas associadas a cursos superiores da área da saúde, unidades básicas de saúde, centros de referência de idosos, centros de convivência, clubes, associações de moradores, igrejas, escolas ou parques.
Os colaboradores que participaram da coleta de dados eram alunos de graduação e de pós-graduação e passaram por treinamento, juntamente com os recrutadores, como já mencionado. Um manual de coleta de dados foi construído e testado, com o objetivo de uniformizar e de aumentar a precisão dos procedimentos. Os instrumentos que propiciariam a coleta de dados de autorrelato foram previamente testados e adequados em todos os polos da Rede, assim como os relativos aos testes clínicos e de execução foram testados e calibrados em todas as cidades de cada polo. Os equipamentos – dinamômetros hidráulicos modelo Jamar, esfigmomanômetros digitais portáteis, balanças digitais e fitas métricas milimetradas – foram comprados todos no mesmo fornecedor e eram todos da mesma marca. Em cada pólo, os cronômetros digitais foram comprados num mesmo fornecedor. Em cada cidade, as equipes foram orientadas a realizar calibragens periódicas dos equipamentos, para garantir comparabilidade entre os dados.