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3. MÉTODO

3.6. Procedimentos de registro da atividade de trabalho

Para consecução dos objetivos propostos anteriormente, foi proposta então uma pesquisa composta por dois estudos em concatenação. A concretização de tal estratégia de trabalho abarcou o caminho operacional e instrumentos de pesquisa elencados a seguir:

a) Contato com as instituições e serviços de saúde que poderiam vir a apoiar a pesquisa possibilitando o acesso aos possíveis participantes, a fim de apresentar os objetivos do estudo e os caminhos operacionais;

b) (Estudo 1) Questionário Job Content Questionnaire (JCQ) (Apêndice A) – já traduzido e adaptado para Brasil por Araújo e Karasek (2006) – instrumento frequentemente usado para investigação dos fatores psicossociais no trabalho e níveis de risco psicossociais em populações profissionais.

c) (Estudo 1) Ficha Sociodemográfica e Funcional (Apêndice A), elaborada para a pesquisa com a finalidade de abarcar informações relevantes sobre os técnicos de enfermagem no município de Natal-RN. Esse instrumento foi composto por questões fechadas e contemplou itens sobre: gênero, idade, nível de instrução,

estado civil, e outros dados sociodemográficos; bem como aspectos relacionados às relações de trabalho do técnico de enfermagem, a saber: tipos de vinculação institucional, quantidade de vínculos empregatícios, local de trabalho, tempo no local de trabalho e tempo exercendo a profissão, carga horária oficial e real de trabalho, dentre outros aspectos de caracterização do trabalho.

d) (Estudo 2) Registros videográficos: gravação em áudio e vídeo do discurso verbalizado pelos técnicos de enfermagem sobre sua atividade real de trabalho, através da técnica de IaS, já apresentada na seção de pressupostos teórico- metodológicos.

3.6.2. Procedimentos de coleta do estudo 1

O primeiro estudo caracterizou-se como um levantamento epidemiológico do tipo survey 8 (Freitas, Oliveira, Saccol, & Moscarola, 2000) de corte transversal a partir do Questionário Job Content Questionnaire (JCQ) (Apêndice A) – já traduzido e adaptado para Brasil por Araújo e Karasek (2006) e descrito na seção de pressupostos teórico-metodológicos 1 (5.1.) – e de uma Ficha Sociodemográfica e Funcional (FSdF) – instrumentos já mencionados na subseção anterior –, com uma amostra representativa devidamente calculada de 183 técnicos de enfermagem.

Para o cálculo da amostra foi usada uma fórmula para cálculo de amostras para populações infinitas com base na estimativa da proporção populacional (Apêndice B) e foram considerados: o número de trabalhadores formais de Natal-RN fornecido pelo DIEESE-RN (Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socio-Econômicos)

8

Com “levantamento epidemiológico do tipo survey” nos referimos aos estudos que se fazem de amostras representativas de um determinado universo populacional de referência, na busca por características gerais comuns a essa população (Freitas, Oliveira, Saccol, & Moscarola, 2000).

com base nos dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) 2011; o número de técnicos de enfermagem cadastrados no COREN-RN em 2012.

Essa amostra é não-probabilística do tipo acidental. Não-probabilística porque a totalidade dos membros da população de técnicos de enfermagem da cidade de Natal- RN não teve uma oportunidade conhecida e não-nula de fazer parte da amostra, havendo uma escolha deliberada dos membros da amostra. Assim, como as amostras não- probabilísticas não garantem a representatividade da população, não é possível generalizar os resultados da pesquisa para a população de referência. É acidental porque se trata de uma amostra formada por sujeitos que foram convenientemente aparecendo, escolhidos até completar o número de elementos da amostra. Assim, alguns não tiveram chance de ser selecionados, enquanto outros foram mais favorecidos.

A coleta foi realizada por duas vias de abordagem aos profissionais. Para acessar os profissionais via online, a pesquisa contou com o suporte do COREN-RN – coordenação, presidência e equipe de Tecnologia da Informação – e com o Sindsaúde- RN (Sindicato dos Servidores da Saúde do Rio Grande do Norte) – através da acessória de imprensa. A primeira instituição encaminhou periodicamente para sua lista de endereços eletrônicos dos técnicos de enfermagem registrados o convite para participar da pesquisa respondendo ao questionário online (JCQ + FSdF), que apresentava ao final uma sondagem de interesse em participar da etapa de entrevista. A segunda instituição publicou este mesmo convite em sua página virtual e em sua rede social.

Para acessar os técnicos de enfermagem pessoalmente foram visitados diversos serviços de saúde de diferentes níveis de complexidade, públicos e privados, além de locais estratégicos tais como assembleias de greve dos servidores municipais da saúde e sala de espera do Conselho. Com esses locais foi solicitada a autorização para realizar a abordagem aos profissionais em seus espaços atendendo às exigências de cada

instituição. Os profissionais foram abordados e convidados a responder uma versão impressa do mesmo questionário.

Este primeiro momento teve como intuito de descrever sistematicamente o perfil do gênero profissional em questão no município e avaliar a sua situação em relação ao risco psicossocial a partir de características clássicas do conteúdo do trabalho relacionadas a este risco, além de características sócio-profissionais. Esta etapa de coleta durou por volta de seis meses.

3.6.3. Procedimentos de coleta do estudo 2

O segundo estudo consistiu na abordagem clínica à atividade de trabalho de quatro técnicos de enfermagem, através da técnica de entrevista clínica, Instrução ao Sósia (seção 5.2.1.). Esta técnica, utilizada segundo os pressupostos teórico- metodológicos da clínica da atividade já explicitados (seção 5.2.), teve a função de proporcionar a confrontação e coanálise da atividade dos profissionais em questão provocando uma dupla descrição: da situação a ser encontrada pelo sósia; e do comportamento adequado que ele deve desempenhar na situação descrita.

A partir da sondagem de interesse em participar da entrevista individual disponível ao final do questionário referente ao primeiro estudo, onde os interessados puderam deixar seus contatos, começou o processo de busca dos participantes da etapa clínica da pesquisa. Quase 70% dos profissionais do estudo 1 demonstraram interesse em participar do segundo estudo.

Ao longo de pouco mais de três meses, foram convidadas oito pessoas para conseguir chegar ao número de quatro participantes. Sendo que um deles se dispôs a colaborar com a pesquisa antes de receber um convite, entrando em contato com a pesquisadora através do contato disponível na apresentação do questionário.

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