5 PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA, INSPEÇÃO TERMOGRÁFIA E MEDIÇÃO DA
5.1 Procedimentos de Segurança em Ambientes de Risco
Perigo elétrico é a condição perigosa devido à falha de procedimento, contato ou equipamento; podendo resultar em choque elétrico, queimaduras por arco elétrico, queimaduras térmicas e explosões. A segurança elétrica é o reconhecimento dos perigos associados ao uso da energia elétrica, estabelecendo precauções para que os riscos não causem acidentes, ferimentos e morte. (NR-10, 2004)
As instalações elétricas devem ser projetadas e construídas de forma que forneçam um ambiente de trabalho que minimize exposição aos riscos elétricos, devendo obedecer todas as prescrições de legislações vigentes como NR-10 (Segurança em instalações e serviços em eletricidade).
A manutenção dos equipamentos elétricos é extremamente útil no quesito da segurança em instalações elétricas, pois seus métodos e procedimento visam à integridade do equipamento, assim como condições de invólucros, isolamento, aterramento e dispositivos de proteção do circuito.
Os procedimentos de trabalho em eletricidades são essências para que funcionários conheçam e minimizem os riscos ao qual estão expostos. Hoje em dia a maioria dos equipamentos são projetados e instalados de forma a oferecer uma proteção adequada a riscos elétricos, mas uma maior exposição acontece durante manutenções, soluções de problemas ou alguma outra atividade.
Somente a disponibilidades de documentos ou planos de segurança não são suficientes. É necessário que os funcionários que atuarão em zonas de riscos sejam treinados e qualificados para o serviço.
De acordo com a NBR-14039/2005, a subestação deve ser provida de pelo menos uma unidade de extintor de incêndio para uso em eletricidade instalada nas mediações da porta de acesso a pessoas. Deve estar disponível um diagrama unifilar geral da instalação, contendo especificações do sistema de aterramento e demais equipamentos e dispositivos de proteção.
É necessário estabelecer todas as regiões de riscos da subestação conforme suas dimensões físicas e classe de tensão conforme figura 5.1 e tabela 5.1 da NR – 10 abaixo:
Figura 5.1 – Classificação das zonas de risco
Fonte: (NR-10, 2004)
Onde:
ZL= Zona Livre;
ZCP= Zona controlada, restritas a trabalhadores autorizados;
ZR = Zona de risco, restrita a trabalhadores autorizados e com a adoção de técnicas, instrumentos e equipamentos apropriados ao trabalho;
PE= Ponto da instalação energizado;
Rr= Raio de delimitação entre a zona de risco e controlada em metros; Rc= Raio de delimitação entre a zona controlada e livre em metros;
Tabela 5.1 – Distâncias de segurança de acordo com a tensão
Faixa de tensão nominal da instalação elétrica
em kV
Rr - Raio de delimitação entre a zona de risco e controlada
em metros
Rc - Raio de delimitação entre a zona controlada e
livre em metros <1 0,20 0,70 ≥ 1 e < 3 0,22 1,22 ≥ 3 e < 6 0,25 1,25 ≥ 6 e < 10 0,35 1,35 ≥ 10 e < 15 0,38 1,38 ≥ 15 e < 20 0,40 1,40 ≥ 20 e < 30 0,56 1,56 ≥ 30 e < 36 0,58 1,58 ≥ 36 e < 45 0,63 1,63 ≥ 45 e < 60 0,83 1,83 ≥ 60 e < 70 0,90 1,90 ≥ 70 e < 110 1,00 2,00 ≥ 110 e < 132 1,10 3,10 ≥ 132 e < 150 1,20 3,20 ≥ 150 e < 220 1,60 3,60 ≥ 220 e < 275 1,80 3,80 ≥ 275 e < 380 2,50 4,50 ≥ 380 e < 480 3,20 5,20 ≥ 480 e < 700 5,20 7,20 Fonte: (NR-10, 2004)
Nos locais de possível acesso à subestação devem ser fixadas placas com os dizeres “perigo de morte” com seu respectivo símbolo.
As manobras para a operações de manutenção em subestações podem ser programadas ou emergenciais. É necessário haver procedimentos para tais manobras de responsabilidade dos responsáveis pela subestação, assinado por um profissional legalmente habilitado. No caso de manobras de emergência, é necessária a elaboração de um relatório para os responsáveis contendo os motivos das manobras e condições dos equipamentos.
Seguem os procedimentos realizados para a desenergização no inicio de uma operação programada de manutenção em subestações:
Desligamento Programado 1- Planejamento;
2- Conferir disponibilidade e adequação dos equipamentos de segurança e testes; 3- Desligar através da abertura do disjuntor, após verificação realizar a abertura da chave seccionadora;
4- Isolar e confirmar, isolando fisicamente os dispositivos para manutenção, confirmando visualmente;
5- Bloquear e etiquetar, com cadeados no bastão de manobra da chave seccionadora e avisos nos dispositivos de manobra;
6- Testar, com de um detector de tensão as três fases são testadas, confirmando se a alimentação do circuito foi corretamente aberta;
Antes de realizar o teste com o detector de tensão, verificar o funcionamento do mesmo em um condutor energizado.
Figura 5.2 - Detector de tensão
Fonte: (HELITE, DMU-25, 2013)
7- Aterrar para evitar a energização indevida por: Tensões estáticas, indutivas e capacitivas;
Erros de manobra; Contato acidental; Descargas atmosféricas; Religamento acidental;
O aterramento temporário consiste em uma ligação elétrica intencional à terra, destinada a garantir a equipotencialidade e mantida continuamente, a montante e a jusante do ponto, durante a intervenção na instalação.
A primeira conexão do aterramento deve ser feito na malha de aterramento da subestação, com conexão em um cabo de bitola elevada, e em seguida é feita as ligações às fases.
Figura 5.3 - Aterramento temporário
Fonte: (ENGEMATEC, 2013)
8- Identificar e demarcar a área segura;
9- Documentar a área de trabalho segura estabelecida; Religamento Programado
Realizar os procedimentos para desligamento na ordem inversa, observando se todas as ferramentas e equipamentos destinados a ensaios foram retirados do local, certificar que o aterramento temporário foi retirado, analisar se os equipamentos e os sistema de proteção estão em ordem, verificar se as telas de proteção e portas estão no lugar e devidamente fechadas.
Desligamento Automático
Em subestações os desligamentos automáticos podem ocorrer por atuação da proteção ou outros fatores devido:
1- Falta de fase no circuito de alimentação; 2- Interrupção total do circuito de alimentação;
3- Atuação da proteção por curto-circuito, sobrecorrentes, sobre ou subtensão, dependendo das funções do relé;
4- Problema de algum equipamento, que cause interrupção da operação normal da subestação;
Para a desenergização é necessário proceder como para o desligamento programado, e o Religamento só poderá ser efetuado quando forem detectados:
1- Motivo do desligamento; 2- Condições dos equipamentos;
3- Verificar se há total segurança para o religamento, certificando-se que o motivo do desligamento foi corrido;
Quando o responsável pela manutenção da subestação for funcionário da empresa ou de terceirizada, este se torna responsável pela viabilidade na execução e pelas medidas de seguranças necessárias. É necessária a emissão de dois documentos que são descritos abaixo:
PES – Pedido para a execução do serviço
Documento emitido para solicitar a área funcional responsável pelo sistema ou instalação, impedimento de equipamento, sistema ou instalação, visando a realização de serviços, contendo informações como descrição dos serviços, local, data, horário, responsável, entre outros.
AES- Autorização para execução do serviço
Autorização fornecida pela área funcional, ao responsável pelo serviço, liberando e autorizando a execução do serviço.
Para toda atividade realizada na manutenção é necessária a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI) e equipamentos de proteção coletiva (EPC). Antes de qualquer atividade deve ser feita uma análise das condições de risco e operação, estabelecendo as características da atividade realizada, e se esta será em ambiente energizado ou desenergizado.
A proteção deve ser capaz de proteger de acordo com a quantidade de energia incidente por resultado de um possível arco elétrico. A energia incidente é calculada com base nos parâmetros da instalação como: tensão de alimentação, correntes de curto circuito, tempo de atuação da proteção, posição do trabalhador, entre outros.
Existem alguns métodos para a realização do cálculo de energia incidente de acordo com a National Fire Protection Association (NFPA 70E: STANDARD For ELECTRICAL SAFETY IN THE WORKPLACE). Dentre eles o método de Ralph Lee para instalações com tensão superiores a 600 V é demostrado conforme equação 5 a seguir.
Onde:
E= energia incidente, em cal/cm²; F= corrente de curto-circuito, em kA; V= Tensão de linha;
ta = tempo de duração do arco, em segundos;
D= distância de trabalho do ponto de arco elétrico, em polegadas;
De acordo com o valor da energia incidente é possível classificar a categoria de risco especificar as vestimentas de proteção e equipamento de proteção individual como mostrado no ANEXO 1.