Capítulo IV METODOLOGIA
4.4 Procedimentos de tratamento de dados dos ecopontos
Após a compilação e análise da informação a retirar dos dados recolhidos, e tendo por base casos de estudo semelhantes, tal como, por exemplo, os referidos em Beijoco (2011), Boieiro & Mendes (2011), Cardoso (2009) e Moreira (2008), procede-se ao tratamento dos dados nos seguintes temas de estudo:
Gestão de Resíduos;
Sistema de Informação Geográfica;
Algoritmo matemático para validação de rotas.
4.4.1 Gestão de resíduos
A partir dos dados recolhidos sobre rotas, procura-se obter a seguinte informação, adotando os respetivos procedimentos de tratamento de dados:
Nº de circuitos de RS, através do SIG;
Custos da RS, através de algoritmo matemático;
Quantidade de resíduos transportados no ano de 2011, por tipologia de resíduo, por sistema e por mês, através de algoritmo matemático;
Distâncias percorridas (km), através do SIG;
Algoritmo matemático para otimização de rotas de recolha, desenvolvida através da utilização da folha de cálculo em Excel do software Microsoft Office® 2007.
4.4.2 Rotas em sistema de informação geográfica
No que se refere ao SIG são cadastrados 631 ecopontos, agrupados por 6 subsistemas de recolha. Cada subsistema constitui uma rota de recolha. Um subsistema é
definido por um conjunto de ecopontos localizados na mesma área geográfica, a qual corresponde a cada um das localidades do Pólo de Castelo Branco.
Numa primeira fase, para o cadastro dos ecopontos, utiliza-se a plataforma de visualização centralizada Google Earth6, na qual se introduz as coordenadas de cada ecoponto.
O cadastro dos ecopontos, depois de efetuado, é importado para o SIG, cuja base é a plataforma de mapas ArcGIS7, seguido do ArcMAP, e, por fim, utiliza-se o Network Analist8, que é a ferramenta para a análise de redes, numa extensão do ArcGIS.
No SIG são utlizados vários shape.files (shp) com pontos de localização dos ecopontos, com linhas e rede viária para o distrito de Castelo Branco, limites de concelhos e freguesias, cartas militares à escala 1:25000 do distrito de Castelo Branco e sinalização de trânsito, incluindo os sentidos proibido.
Através do SIG são definidas as várias rotas de recolha, selecionados todos os pontos, tendo em atenção qual o caminho mais perto, partindo e voltando sempre ao mesmo ponto que é a VALNOR.
4.4.3 Validação de rotas com o algoritmo
Para calcular o algoritmo matemático é escolhido o concelho de Oleiros com dezassete ecopontos, considerando-se que se trata de uma amostra por conveniência por a representatividade da população na amostra não estar razoavelmente assegurada, isto é, com confiança (Guimarães & Cabral, 2007), uma vez que se pretende apenas comprovar que a informação proporcionada pelo SIG é válida, ou seja, que os resultados são coincidentes com os que são obtidos por aplicação do algoritmo. Para Zikmund, Babin, Carr & Griffin (2012), a amostra de conveniência escolhida é muitas vezes utilizada para trabalho exploratório, como é o caso de Oleiros.
6
http://www.google.com/earth/index.html 7
Em relação à representatividade de uma população finita de ecopontos na amostra, é de salientar que não se procura extrapolar as conclusões com confiança para a população, uma vez que não há garantia de que a amostra seja razoavelmente representativa da população, mas, ainda assim, observa-se:
- os mesmos tipo de resíduos;
- a mesma gestão de resíduos;
- que Oleiros é um concelho integrado no conjunto de concelhos com ecopontos a analisar (população ou universo);
- os atributos (tipo de resíduos, estrutura e dimensão dos ecopontos, local, comportamentos observáveis da parte dos produtores de resíduos e quantidade média de resíduo por dia e por habitante) da população a analisar estão presentes na amostra.
Os valores de RS considerados são baseados no gráfico 2.2 do Capitulo II.
Em relação ao algoritmo a utilizar, através de uma folha de cálculo em Excel do software Microsoft Office® 2007, mantem-se a mesma rota que seja definida no SIG, mas por observação direta. Em função da altitude do terreno, opta-se por iniciar a rota pelos pontos localizados a maior altitude, para que o camião circule nos pontos mais altos com menos carga.
Para a recolha de resíduos considera-se os seguintes elementos, dando origem às colunas da Tabela 4.1 a seguir apresentada:
(A) Origem e destino da viatura em trânsito de um ecoponto para o outro ecoponto. (B) Os km percorridos de ecoponto para ecoponto são verificados através do Google
Earth antes mencionado.
(C) Para o tempo de viagem, sabendo que a velocidade médio do camião, conforme informação do responsável do departamento, é assumida em 50 km/hora, ou seja, por exemplo, para percorrer 10 km são necessários 12 minutos, é estabelecida uma proporção para calcular o tempo de viagem em minutos.
(D) O tempo médio de carga e descarga é de 5 minutos em cada ecoponto, por observação.
(E) O tempo acumulado é o tempo de viagem de um ecoponto para outro, e assim sucessivamente na rede, mais o tempo de carga e descarga.
(F) Para calcular o valor médio de enchimento de cada ecoponto, sabendo que em Oleiros existem dezassete ecopontos e em 2011 se recolheu determinada quantidade de X kg, a média mensal é de X kg/mês, e a média por ecoponto resulta da divisão de X kg/mês pelo número de ecopontos.
(G) Para calcular o consumo de gasóleo assume-se que, em média, por cada 100 km percorridos, são consumidos 23 litros, segundo informação obtida junto do responsável do departamento. A partir desta indicação é estabelecida uma proporção para se efetuar os cálculos.
(H) Se no ano de 2011, a compra de gasóleo foi efetuada ao preço de 1,19€ por cada litro, então multiplica-se o preço do gasóleo pelos litros consumidos e obtem-se o valor a indicar na respetiva coluna da Tabela 4.1.
Tabela 4.1 – Resultados relacionadas com a recolha
(A) km percorridos (B) Tempo viagem (minutos) (C) Descarga/ carga (minutos) (D) Tempo acumulado (minutos) (E) Valor médio ecopontos acumulados (Toneladas) (F) Consumo gasóleo (litros) (G) Consumo gasóleo (€) (H)
Fonte: Elaboração própria
Para testar as rotas definidas pelo SIG é realizado um exercício de validação. Esta validação consiste no seguinte:
Utilização do algoritmo referido na secção anterior;
Explicação da forma como o algoritmo permite atribuir validade às rotas definidas pelo SIG.