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3 METODOLOGIA

3.2 DELIMITAÇÃO E DELINEAMENTO DA PESQUISA

3.2.4 Procedimentos de Tratamento e Análise dos Dados

A análise de conteúdo consiste numa técnica de análise de dados que vem sendo utilizada com maior frequência em pesquisas qualitativas no campo da administração (MOZZATO; GRZYBOVSKI, 2011) e refere-se a um conjunto de instrumentos metodológicos que pode ser aplicado a diversos tipos de discurso (BARDIN, 2009).

A análise de conteúdo tem por objetivo compreender o sentido das comunicações, seja ele explícito ou oculto (CHIZZOTTI, 2018), permitindo ao pesquisador separar a estrutura do conteúdo das informações para evidenciar as suas características e os seus significados (LAVILLE; DIONE, 1999).

Este tipo de análise se aplica a discursos e conteúdos extremamente diversificados (BARDIN, 2009), sendo adequados ao presente trabalho, que se utilizou de fontes de dados distintas para elucidar o problema de pesquisa proposto.

De acordo com Bardin (2009), a realização da análise de conteúdo deve seguir os seguintes passos: (1) pré-análise; (2) exploração do material; e (3) tratamento dos resultados, inferências e interpretações.

A pré-análise consiste na fase de organização do material a ser analisado, visando à estruturação das ideias iniciais em quatro etapas: (a) leitura flutuante, que é o contato inicial do pesquisador com os documentos da coleta de dados; (b) escolha dos documentos a serem analisados; (c) formulação das hipóteses e dos objetivos; e (d) referenciação dos índices e elaboração de indicadores, por meio de recortes de texto nos documentos analisados (BARDIN, 2009).

A segunda fase diz respeito à exploração do material a ser analisado, contemplando a definição de categorias, a identificação das unidades de registro e das unidades de contexto nos documentos (BARDIN, 2009). De acordo com a autora, são essenciais nesta etapa a codificação, a classificação e a categorização dos dados, visto que possibilitam a riqueza das interpretações e inferências, pois a descrição analítica submete o material coletado a um estudo aprofundado, orientado pelas hipóteses e referenciais teóricos (BARDIN, 2009).

A terceira etapa é destinada ao tratamento dos resultados, inferências e interpretações, mediante a condensação das informações e o uso da intuição, da análise reflexiva e crítica do pesquisador (BARDIN, 2009).

Assim, os dados obtidos nesta pesquisa foram tratados mediante análise de conteúdo temática das notas de campo, entrevistas e documentos, visando a obter, por meio de procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores para inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e recepção dessas mensagens (BARDIN, 2009).

Seguindo os estágios descritos por Bardin (2009) para a realização da análise de conteúdo, inicialmente todos os documentos foram previamente analisados e organizados, viabilizando a seleção das informações essenciais à resolução do problema de pesquisa. Nesse sentido, os documentos coletados que não apresentavam relação direta com os objetivos deste trabalho foram descartados,

sendo integrados ao conjunto de dados de análise apenas as informações pertinentes ao estudo.

Na sequência os dados foram classificados por ordem cronológica, a fim de que possibilitassem a construção histórica do caso analisado. Ao passo em que novos dados acrescentavam-se à pesquisa, consequentemente eram incluídos no período de tempo a que pertenciam.

Respeitando o segundo passo apresentado por Bardin (2009), que se refere à exploração do material, foram criadas planilhas em Excel para categorização dos dados: a primeira, denominada “reuniões”, contendo um quadro com as informações pertinentes às reuniões realizadas pelo grupo, desde as tratativas iniciais de formalização do roteiro, até os últimos encontros realizados pelo grupo já organizado; e a segunda, denominada “análises”, trazendo informações acerca das ações sociais identificadas pelas observações, atas de reuniões e entrevistas.

Na planilha “reuniões”, os encontros foram classificados por data de realização, local de encontro, número de participantes presentes, se havia representantes dos poderes executivos municipais, se estavam presentes técnicos do Governo Federal, se na ocasião foi realizada observação da pesquisadora, se na reunião o Núcleo de Turismo já havia sido constituído e por fim, a pauta do encontro. Foram catalogadas 39 reuniões, sendo que em 4 delas não foram encontradas as atas, dificultando a compreensão do teor desses encontros.

A planilha seguinte denominada “análises” contemplou a classificação de cada tipo de trabalho institucional, separado de acordo com a data de ocorrência, a descrição da ação social realizada, e a fonte de dados utilizada.

Em cumprimento à terceira fase descrita por Bardin (2009) para a realização da análise de conteúdo, houve o tratamento de resultados, inferências e interpretações das informações.

Os dados previamente classificados foram tratados, sendo divididos por categoria de Trabalho Institucional, a saber, trabalho institucional de criação, de manutenção e de ruptura (LAWRENCE; SUDDABY, 2006), sendo subdivididos de

acordo com os Pilares Institucionais regulativos, normativos e cognitivos (SCOTT, 2008) relacionados na base teórica adotada nesta pesquisa.

As inferências e as interpretações foram possíveis mediante a sintetização e aglomeração das informações, que facilitaram a adoção das análises reflexivas e críticas da pesquisadora, com o intuito de encontrar os resultados da pesquisa.

Para a realização da análise de conteúdo temática, utilizou-se a própria classificação apresentada na base teórica para a categorização dos dados empíricos. A identificação empírica das categorias de análise seguiu o quadro teórico de referência, a fim de identificar as palavras codificadas para categorização dos dados. Destaca-se que a análise de conteúdo é uma técnica que exige do pesquisador dedicação, paciência, tempo, intuição, imaginação e criatividade para a definição das categorias de análise (MOZZATO; GRZYBOVSKI, 2011), e esta tarefa demandou muito esforço por parte da pesquisadora, tendo em vista a juntada de 342 páginas de documentos para seleção, tratamento e análise dos dados.