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4. HIPÓTESES

5.3.2. Estudo 2

5.3.2.2. Procedimentos do Estudo 2

A sessão de Oficina ocorreu em um encontro de duas horas/aulas concedidas pela escola e pelo professor responsável pela disciplina de Biologia, no próprio espaço da sala de aula. Considerando o tempo percorrido (de aproximados quatro meses) entre a etapa de coleta de dados do Estudo 1 e a do Estudo 2, novamente foram solicitados aos pais ou representantes legais dos estudantes, autorização, através do TCLs, para a participação dos estudantes e divulgação dos dados.

Baseando-se na proposta de que, segundo Biaggio et al (1999), técnicas de dinâmica de grupo que proporcionam o debate de dilemas ecológicos estimulam a maturidade de julgamento moral nos indivíduos, tornou-se relevante buscarmos implantar uma proposta de intervenção

no contexto escolar que promovesse o desenvolvimento do pensamento autônomo das crianças, no questionamento da lei e da moral ambiental vigentes e ao mesmo tempo pudesse ser um campo de coleta de dados e aprofundamento sobre o raciocínio moral ecológico dos mesmos.

Sob esta ótica, o procedimento do Estudo 2 objetivou promover uma situação interativa, mais próxima da realidade do cotidiano escolar, para gerar discussões que revelassem os significados presumidos sobre a relação pessoa-ambiente. Isso porque, as entrevistas em grupo geram discussão que revelam os significados presumidos pelas pessoas sobre um determinado assunto e geram diversidade e diferenças dentro e/ou entre grupos (Fick, 2004).

A Oficina foi dividida em dois momentos a saber, momento lúdico de aquecimento da Oficina, primeira parte nomeada de Jogo Sem Censura, e o momento da segunda parte nomeada de Discussão dos Dilemas Ecológicos:

 Jogo Sem Censura - Primeiro o coordenador/pesquisador convidou oito alunos (de ambos os sexos) para formarem a equipe dos meninos (com quatro representantes) e a equipe das meninas (também com quatro representantes). Esta equipe foi sendo modificada no decorrer do jogo para que mais alunos pudessem participar dos grupos, conforme o interesse da turma. Cada equipe recebeu um quadro negro e giz branco para anotar suas respostas. Os alunos restantes receberam placas de respostas que deveriam ser levantadas conforme a opinião individual sobre a questão apresentada. Foram confeccionadao vinte conjuntos de placas respostas. As placas respostas estavam marcadas com SIM, NÃO e

DEPENDE de um lado e A, B e C do outro. Os estímulos para o debate foram projetados em formato Power Point com o auxílio de equipamento multimídia. Foram feitas perguntas sobre assuntos ecológicos agrupadas em duas categorias: normas pessoais (formuladas para o presente Estudo) e comportamentos pró- ambientais, baseados nos estudos de Evans et al. (2007), como mostra a Tabela 3. Cada equipe teve a tarefa de desvendar qual seria o ponto de vista escolhido pela maioria dos alunos de seu grupo de iguais (meninos ou meninas). Cada resposta SIM foi computada e os participantes que escolheram a resposta DEPENDE foram convidados a argumentarem sobre a escolha desta resposta. A equipe que mais se aproximou da escolha dos alunos marcou um ponto.

Tabela 3. Variáveis investigadas e suas respectivas questões e respostas

Variáveis Perguntas Respostas

Normas pessoais

 Você está comendo um lanche em uma calçada. Você está com muita fome. Aproxima-se de você um cachorro esperando um pedaço do seu lanche, não há ninguém por perto, você divide seu lanche com o cachorro de rua?

 Você está bastante atrasado para o horário de entrada na escola. No seu trajeto há um canteiro com uma placa que diz: NÃO PISE NA GRAMA. Você ao ver a placa evita o canteiro e vai por um caminho mais longo e demorado?

 Você está na praia e resolve

SIM NÃO DEPENDE

chupar um sorvete. Não há nenhuma lixeira próxima e ninguém está vendo o que você vai fazer. Para se livrar do palito de sorvete você o enterra na areia? Comportam ento pró- ambiental autorreporta do

Com que freqüência você pratica essa ação?

 Andar a pé com a família

 Passear na natureza

 Separar o lixo em casa

 Esquecer de apagar a luz quando sai do quarto

 Recolher o lixo dos colegas quando termina o recreio

 Esquecer de fechar a torneira enquanto escova os dentes

 Pedir muita comida e deixar no prato

 Ler sobre a natureza, animais e plantas

 Deixar a porta da geladeira aberta ao decidir o que comer.

 Pedir para o pai lhe deixar ir de ônibus ou a pé para a escola para não ter que utilizar o automóvel.

 Trazer plantas e insetos para dentro de casa.

 Alimentar as aves

 Perturbar ou capturar animais

 Pensar que animais selvagens podem ser mortos

 Usar os dois lados da folha de papel

 Pegar o lixo do chão e colocá-lo na lixeira

A – Nunca B – Às vezes C – Muitas vezes

 Discussão de Dilemas Ecológicos - Foram apresentados três dilemas de conteúdo ecológico, o dilema “A Cidade e o Lixo” apresentado

no estudo de Santos (2000), “O Dilema da Capivara” apresentado no estudo de Biaggio et. al. (1999) e o dilema “A Árvore e o Futebol” proposto no estudo de Gomes (2007), que abordam a problemática do destino do lixo, da paisagem e dos animais selvagens. Vale ressaltar que estes dilemas foram selecionados baseando-se nos resultados obtidos com o Estudo 1, pois estas temáticas (lixo, plantas e animais) despertaram o interesse da pesquisadora em aprofundá-las. Os dilemas consistem em pequenas histórias que ilustram um conflito entre as necessidades e desejos do protagonista (o ser humano) e os de outro receptor de ajuda (elementos da natureza e/ou meio ambiente), em um contexto no qual o papel das regras, da autoridade, da punição e de outras proibições é mínimo (ver Apêndice C). A cada dilema apresentado a equipe teve um tempo máximo de três minutos para debaterem no grupo uma resposta para a resolução do dilema. Utilizou-se uma ampulheta para marcar o tempo de discussão dos dilemas. Decorridos o tempo limite, cada grupo foi convidado a expor aos demais colegas da turma sua conclusão. Não houve respostas certas ou erradas, ganhou dez pontos a equipe que conseguiu desenvolver mais argumentos a favor da sua resposta. O professor da turma atuou como juiz na escolha do argumento mais elaborado. A pontuação das equipes foi registrada no quadro da sala de aula. Cada aluno recebeu uma lembrancinha pela participação na Oficina (ver ilustração no Apêndice D). As falas durante as discussões dos dilemas foram gravadas em aparelho de áudio para posterior transcrição dos dados pelos pesquisadores auxiliares (membros do Laboratório de Psicologia Ambiental).