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Apêndices 269 Apêndice 1: Ofício que solicita os dados à Unifesp

1.1 Como a pesquisa foi feita

1.1.1 Procedimentos e fontes

Os documentos abrangeram desde a legislação sobre a Educação Superior até os Planos e Relatórios da Unifesp relacionados à expansão, passando por publicações do Ministério da Educação e órgãos a ele vinculados, relacionadas à temática, tais como o Censo Anual da Educação Superior, produzidos pelo Inep, os relatórios de gestão do Reuni, publicados pelo próprio Ministério, e os Documentos de Área, elaborados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para orientar a avaliação dos programas de Pós-Graduação no País. Também foram utilizados dados cadastrais fornecidos pela Pró-Reitoria de Administração da Unifesp14, currículo Lattes dos docentes, memoriais acadêmicos submetidos a concursos de ingresso e outros documentos: todas as atas de reuniões ordinárias e extraordinárias do Conselho Universitário (Consu), no período entre 2002 e 2014, totalizando 168 atas, e suas resoluções de números 001 a 112, que correspondem

14 Houve um grande déficit de informações quando se compara o rol de dados que a pesquisa pretendia explorar e o conjunto disponibilizado pela instituição. A íntegra do ofício que formalizou a solicitação (Apêndice 1), o qual lista todos os itens acordados com a equipe responsável por sistematizá-los, atesta o acirramento dos limites da análise na medida em que foram obtidos os dados cadastrais referentes à totalidade dos docentes efetivos, mas nenhum referente aos que ingressaram após 2004.

a todo o período de funcionamento do órgão, de 1995 a 2014; notícias publicadas nos sítios da própria Unifesp e da Associação dos Docentes da Unifesp (Adunifesp) e em Entreteses e Entrementes, respectivamente revista semestral e jornal bimestral da universidade, em circulação desde 2013; comunicações virtuais travadas durante a coleta de dados via questionários online e ao longo das negociações para realizar as entrevistas e aprovar os conteúdos transcritos.

Aplicado e sistematizado pelo aplicativo GoogleDocs, o questionário foi enviado por correio eletrônico15 para o total de 1427 docentes efetivos e contou com 339 respostas válidas, no período de 12 de agosto a 24 de outubro de 2014. Este procedimento enfrentou algumas críticas, manifestadas via e-mail, quanto à eticidade e aos propósitos da pesquisa. A despeito dos problemas em torno desta estratégia de aproximação do universo investigado, seu duplo intuito foi cumprido. O primeiro, traçar um perfil básico dos capitais cultural e social detidos pelos respondentes, deparou-se com o desafio da representatividade, limitação comum quando o preenchimento é espontâneo. De acordo com Ângela Paes, estatística que assessorou esta etapa da pesquisa, nos casos de mala direta, a resposta costuma ficar em torno de 30%, o que não é ruim. Neste caso, obtive 24% de respostas válidas, com boa participação de Diadema e Guarulhos (30%), um pouco menor em São Paulo (22%) e na Baixada Santista (21%), e menor ainda em São José dos Campos (14,9%) e Osasco (10,2%), o que não invalida o estudo. O segundo intuito foi um tanto mais exitoso. Ele consistia em localizar docentes enquadrados nos seguintes critérios de composição da amostra de entrevistados: ingresso a partir de 2005, pertencer a família de classe baixa e cujos pais tenham concluído, no máximo, a escolarização básica. Foram enviados e-mails solicitando concessão de entrevista aos 43 docentes (13% dos respondentes) que possuíam tais características, dos quais 31 tornaram-se sujeitos desta pesquisa. Além disso, foram feitas 7 entrevistas suplementares com docentes e técnicos que esclareceram questões específicas sobre o funcionamento da instituição.

A parte mais substancial da massa de dados consiste nos conteúdos transcritos das entrevistas. Esperava-se que fossem realizadas nos locais de trabalho, dada à expectativa de conhecer a estrutura física, a organização dos espaços (setores administrativos, salas de aula, laboratórios, gabinetes etc.), as formas de acomodação dos docentes nesses espaços e outros detalhes do cotidiano que foram registrados, com fotografias e anotações, no diário de campo.

15 As mensagens que solicitaram a colaboração dos docentes podem ser lidas nos Apêndices, assim como o termo de consentimento que os entrevistados assinaram e o quadro de síntese das entrevistas suplementares informadas ao final deste parágrafo.

Esse instrumento foi útil para objetivar o aparentemente banal e corriqueiro, desvelando pistas de como os docentes se integraram à instituição e quais espaços físicos e sociais nela ocupam. A pretensão inicial era realizar entrevistas nos seguintes campi: São Paulo, por ser a sede; Baixada Santista, por dar continuidade à tradição da Saúde com novas perspectivas de atuação; Guarulhos, por ser o único campus na área de Humanidades; e São José dos Campos, por ser o mais distante, geograficamente, da sede e em área (Ciência e Tecnologia) distinta das demais. Todavia, o mapeamento dos entrevistáveis localizou apenas dois docentes em São José dos Campos enquanto o maior grupo (12 nomes) pertencia ao campus Diadema, cuja área de atuação é “Química e Biológica”, o qual foi aproveitado para dar maior equilíbrio à composição da amostra e aumentar as chances de adensamento dos dados. Assim, dos seis campi que integram a Unifesp, apenas o de Osasco não foi incluído na pesquisa, cumprindo o propósito inicial reforçado pelo fato de que nenhum respondente ao questionário, alocado nesse campus, preenchia os critérios de seleção.

As entrevistas foram realizadas entre os meses de julho de 201416 e fevereiro de 2015,

conforme disponibilidade dos colaboradores, em locais e horários que dizem muito a respeito da precariedade dos campi onde trabalham. Indício claro da penúria é o fato de que quanto mais adequada a estrutura física, maior a probabilidade de os docentes agendarem a entrevista em seu local de trabalho ao passo que os alocados em campi com estrutura insuficiente tenderam a escolher outros lugares (informados no Apêndice 6).