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2.4 MATERIAL E MÉTODO

2.4.3 Procedimentos e instrumentos de amostragem

Primeiramente, foram realizadas as avaliações, sendo elas: coleta dos TMF, NPS e CVF. As avaliações supracitadas ocorreram antes do primeiro dia de terapia (Momento 1 – M1) e após dez dias de TBI (Momento 2 – M2).

Em sala silenciosa, com ruído ambiental inferior a 50dB(5,11,20,21), foram coletados os TMF dos fonemas /a/, /i/, /u/, /s/, /z/ e /e/. As participantes foram orientadas a realizar inspiração profunda e, após, emitir por três vezes cada fonema em pitch e loudness habituais, em posição ortostática e sem fazer uso da reserva expiratória. Da mesma maneira foram orientadas a emitir o [ė] e a contagem de números(5,11,17,20,21,23,24).

Durante a emissão da vogal /a:/, verificou-se o NPS vocal modal através de medidor de pressão sonora da marca Icel, DL-4200 (Brasil), que foi posicionado em frente e a 90º da boca da participante e a 30cm de distância(11,16,22).

As emissões foram gravadas com gravador digital profissional da marca Zoom (Estados Unidos), modelo H4n (96kHz, 16bits, 50% do nível de captação do sinal de entrada), utilizando microfone acoplado da marca Behringer (Alemanha), ECM 8000 (resposta de frequência plana de 15Hz a 20kHz) que foi posicionado em ângulo de 90º em frente à boca do indivíduo(5,6,11), mantendo-se a distância de 4cm entre o microfone e a boca para emissão das vogais e 10cm para os fricativos /s/ e /z/(5,11). As

emissões sustentadas foram cronometradas com cronômetro da marca Stop Watch modelo VL512.

A CVF foi coletada através de um espirômetro digital Spirobank II. O bocal, inserido na turbina a 0,5cm, foi colocado na boca da paciente que ocluiu totalmente os lábios no bocal. Um clip nasal foi colocado no nariz, a fim de ocluir as narinas e, dessa forma, a participante foi orientada a realizar uma inspiração máxima e, logo após, uma expiração máxima no aparelho. Foram coletadas três emissões e considerou-se o maior valor (BEHLAU, 2008). Para os TMF e CVF foram considerados para o estudo os maiores valores encontrados das três execuções(16).

As avaliações e reavaliações ocorreram durante a primeira e a última sessão, respectivamente, tendo duração, em média, 30 minutos.

2.4.4 Grupos

Ressalta-se que foi realizado um estudo piloto com as avaliações e uma sessão de terapia, com 10% do total da amostra esperada (quatro sujeitos), a fim de verificar a aplicabilidade da metodologia proposta.

Para a seleção das participantes que fariam parte do estudo piloto, numerou- se cada nome que estava na lista de espera e uma das terapeutas realizou o sorteio, a fim de estabelecer a primeira participante da pesquisa que iria para o GE1 ou GE2. Como a sorteada apresentou AL, foi alocada no GE2. A partir disso, as próximas participantes foram distribuídas de maneira alternada entre os grupos GE1, GE2, GC1 e GC2, conforme a ordem da fila de espera, com o intuito de manter um número equilibrado de mulheres em cada grupo.

Duas participantes foram excluídas devido a ajustes que necessitaram ser realizados na metodologia e as demais fizeram parte da amostra do estudo.

2.4.5 Terapia vocal breve intensiva

As participantes realizaram a TBI em dez sessões consecutivas de segunda à sexta-feira, sendo uma sessão por dia, com duração em média de 50min. Nos casos de faltas, as sessões puderam ser recuperadas até completar o total de dez sessões, caso a participante tivesse disponibilidade, de maneira que foram permitidas no máximo duas faltas, sendo a terceira um critério de exclusão.

A terapia foi monitorada por seis terapeutas, alunas de graduação do curso de Fonoaudiologia da instituição que já haviam cursado as disciplinas da área de Voz, que se revezaram nos atendimentos, sendo que cada uma atendeu um paciente no máximo cinco vezes, com o objetivo de anular o máximo possível a influência dos terapeutas nos resultados da pesquisa. Realizou-se treinamento em grupo com todas as terapeutas, sendo que receberam informações necessárias em relação a todos os procedimentos que seriam aplicados. Ainda, receberam as orientações impressas e praticaram os procedimentos juntamente com a pesquisadora responsável. Para a realização das avaliações e terapia, houve revezamento das terapeutas, conforme a disponibilidade de cada uma, e todas tinham conhecimento dos grupos aos quais as voluntárias pertenciam, já que deveriam iniciar a terapia ou não, dependendo do grupo em que a participante seria alocada (1,5,11).

Para a terapia, utilizou-se um tubo de vidro com 27cm de comprimento, 1mm de espessura e 9mm de diâmetro(8,11,12) e recipiente com água com 12cm de largura, 12cm de profundidade, 15cm de comprimento, com água até a altura de 9cm, a fim

de evitar a postura inadequada da coluna cervical durante a execução da técnica. No recipiente, foi adaptado um suporte para fixação do tubo, de forma que o ângulo entre o tubo e o queixo permanecesse o mesmo para todas as participantes. Ainda, teve a finalidade de manter a extremidade distal submersa a 2cm da superfície sem alterações, de maneira que havia uma medida marcada no tubo(11) (Figura 2).

Figura 2 – a) marca do tubo no nível de água, imerso a 2cm da superfície; b) marca do nível da água no recipiente (9cm); c) suporte do tubo; d) marca no tubo para imersão a 2cm

As participantes do GE foram ensinadas a executar a técnica FTVIA através de orientação e demonstração da terapeuta. Foram instruídas a permanecer sentadas com a coluna ereta, pés apoiados no chão, colocar a extremidade proximal do tubo entre os lábios, inspirar profundamente e emitir um sopro sonorizado com a vogal /u:/ em TMF e cada expiração foi contada como uma repetição. A emissão foi realizada em pitch e loudness habituais(5,11,12). Todas executaram seis séries de 15 repetições, com intervalo de 1min entre cada série, com repouso passivo(5,11,26).

A terapeuta monitorou a execução correta da técnica, a fim de manter a postura ideal e a altura do tubo no nível dos lábios da participante. Foi possível fazer o uso, quando necessário, de uma elevação do recipiente, a fim de mantê-lo na altura adequada (Figura 3)(11). Além disso, todas puderam ingerir água não gaseificada e em temperatura ambiente, sempre que sentissem necessidade(5,11).

As mulheres do GC passaram pelas mesmas avaliações em M1 e M2, sendo que as coletas do GC, referentes a M2, foram realizadas após dez dias, nos quais as participantes não executaram a técnica, assim como nenhum outro procedimento terapêutico vocal. Após esse período, de acordo com a alocação nos grupos, algumas realizaram a TBI e também fizeram parte do GE, conforme as desistências. Ainda, foram encaminhadas para terapia fonoaudiológica tradicional pelo Sistema Único de Saúde caso tivessem interesse.

Figura 3 – Postura adequada para realização da técnica de FTVIA