5 O PAPEL DA CONSCIÊNCIA METALINGUÍSTICA E DA EXPLICITAÇÃO
6.6 Procedimentos e instrumentos de análise de dados
Apesar de ter sido realizado levantamento bibliográfico, não se encontraram estudos que auxiliassem a definir estratégias de análise dos dados obtidos. Diante dessa dificuldade, foi necessário criar categorias de níveis de explicitação/mobilização que orientassem a
categorização dos resultados apontados nas atividades realizadas com as crianças e modos de organização e sistematização dos dados.
Portanto, após a realização das tarefas, foram feitas as transcrições das respostas dadas pelos sujeitos nas tarefas de explicitação e análises da atividade de produção escrita. Inicialmente, considerando-se exemplares do gênero notícia que circulam socialmente e a presença ou ausência dos componentes do gênero presentes nas produções das crianças, de acordo com as dimensões investigadas, uma tabela com os modelos de textos (Tabela 1, página 124). A criação dos referidos modelos objetivou investigar quantas crianças produziram textos que se aproximaram dos exemplares das notícias que circulam cotidianamente, com foco na flexibilidade e instabilidade do gênero, e quais as que se distanciaram. Por meio da análise da produção das crianças, além de verificar os textos que se aproximaram e se distanciaram dos modelos existentes, também se investigaram as dificuldades das crianças para produzir o gênero.
Para categorizar os dados encontrados na produção escrita também foram criados quadros (Apêndice B) para registrar a presença ou ausência de mobilização das dimensões do gênero em foco, através da incidência, ou não, dos componentes das dimensões investigadas. Paralelamente, também foram criados níveis, considerando os conhecimentos mobilizados, tomando como referência a ausência ou presença de tais dimensões na produção escrita, e suas respectivas legendas, a saber Nível 3 – ficaram incluídas nesse nível as crianças que mobilizaram o conhecimento plenamente; Nível 2 – foram categorizadas nesse nível as crianças que mobilizaram parcialmente a característica, como, por exemplo, as que no componente “indicação do tempo em que o fato aconteceu”, citam a hora, mas não indicam a data em que o incêndio aconteceu; e Nível 1 – ficaram categorizadas as crianças que não conseguiram mobilizar o conhecimento investigado.
Após a categorização dos textos produzidos também foram construídas tabelas (Tabelas 2 e 3, páginas 147 e 153) para analisar a frequência e o percentual dos componentes mobilizados na produção escrita. Portanto, de posse dos dados, procedeu-se também uma análise quantitativa e qualitativa dos aspectos do gênero mobilizados. Os dados quantitativos indicaram também o percentual e a frequência dos conhecimentos mobilizados pelos alunos em cada dimensão investigada. A análise qualitativa apontou trechos das produções que indicaram quando o conhecimento foi mobilizado plenamente ou parcialmente, bem como quando não havia a mobilização do referindo componente.
Para analisar os dados encontrados nas tarefas de explicitação foram criados quadros de perguntas e respostas das crianças para verificar a explicitação, ou não, dos conhecimentos
investigados (Apêndice A). Os níveis de explicitação foram assim definidos Nível 3 – Foram categorizadas nesse nível, as crianças que verbalizaram de forma clara o conhecimento nas tarefas de explicitação; Nível 2 – as crianças categorizadas nesse nível explicitaram o conhecimento de modo confuso, uma vez que não verbalizavam com segurança o conhecimento ou o verbalizavam apenas por meio de exemplo, sem explicitá-lo de forma clara; Nível 1 – foram incluídas as crianças que não conseguiram explicitar o conhecimento avaliado ou que o verbalizaram de forma inapropriada.
De posse dessa categorização dos níveis, foi criado um quadro que indicava o nível de explicitação em que se encontrava cada sujeito (Apêndice A). Após a indicação das crianças por nível de explicitação, foram criadas tabelas (Tabelas 4 e 5, páginas 159 e 174), visando à realização de uma análise quantitativa e qualitativa dos dados encontrados. Na análise quantitativa, encontrou-se a frequência e o percentual de crianças categorizadas por níveis de explicitação, em cada dimensão investigada. Quanto à análise qualitativa, foram usadas amostras das respostas dadas pelas crianças, por nível, bem como foram esclarecidos os critérios adotados para categorizar as crianças em cada nível. Os trechos das respostas expostos exemplificaram o nível de explicitação em que se encontravam os sujeitos que representaram o nível de categorização.
De posse dos quadros que indicavam o percentual e a frequência dos conhecimentos mobilizados e explicitados, houve a necessidade de criar uma nova categorização de níveis que dessem conta de analisar a possibilidade, ou não, da relação entre explicitação e mobilização dos conhecimentos sobre o gênero, foco principal dessa investigação. Diante dessa necessidade, foram definidos os seguintes níveis de relação
Nível 1 – não há relação entre explicitação e mobilização. Para categorizar os alunos nesse nível,foi tomada como parâmetro uma diferença de dois números nas tarefas de explicitação e produção escrita. Dentro desse parâmetro, aparece a relação (1x3) para os sujeitos que não explicitam a característica, ou explicitam inadequadamente, e mobilizam plenamente a característica e (3 x 1) para as crianças que explicitam claramente a característica, mas não atendem ao critério de mobilização.
Nível 2 – Existe uma relação fraca, porque aparecem valores próximos nas duas tarefas Nesse nível, estão incluídas as correlações (1x2) para crianças que não explicitam a característica, ou explicitam-na de forma inadequada, e mobilizam-na parcialmente; (2 x 1) sujeitos que explicitam de modo confuso ou em forma de exemplos e não mobilizam o conhecimento; (3 x 2) crianças que explicitam claramente a característica, mas a mobilizam de forma parcial; (2x3) crianças que explicitam de forma confusa ou através de exemplos e
mobilizam plenamente o conhecimento.
Nível 3 – Relação forte, ou seja, existe essa relação quando aparecerem os mesmos valores nas duas tarefas. Nesse nível, foram categorizados os sujeitos cujas produções e verbalizações possibilitaram as seguintes correlações (1x1) não explicitam, ou explicitam impropriamente, e não atendem ao critério na mobilização; (2x2) explicitação confusa ou através de exemplos e mobilização parcial; (3x3) explicitam claramente e mobilizam plenamente.
Tomando-se, portanto, os níveis de explicitação, mobilização e de relação, foram construídos dois quadros demonstrativos (Páginas 187 e 188) que indicaram a presença dos referidos níveis e da relação, por cada sujeito, dos componente investigados. Através da criação do referido quadro foi possível analisar se houve ou não a relação de explicitação por cada criança e por dimensão e componente investigados. Os dados evidenciados nesse quadro proporcionaram criação de dois gráficos (Gráfico 1 e Gráfico 2, página 224) que possibilitaram realizar uma análise qualitativa do percentual de crianças que estabeleceram uma relação forte entre explicitação e mobilização, uma relação fraca e, ainda, o percentual dos que indicaram não haver relação entre os processos de explicitação e mobilização, considerando as duas dimensões investigadas.
Ainda diante dos resultados apresentados nos Quadros 7 e 8, foram selecionados dois sujeitos em que a relação entre explicitação e mobilização dos componentes foram mais evidentes e dois sujeitos cuja relação foi menos evidente. Partindo dessa seleção, foi possível estabelecer uma análise qualitativa comparativa entre o conhecimento explicitado e mobilizado, ou não explicitado e mobilizado, ou ainda mobilizado e não explicitado pelas quatro crianças selecionadas. Vale salientar, ainda, que, para a verificação, foram utilizados trechos resultantes das tarefas de explicitação e trechos da produção escrita que indicavam a mobilização, ou não, do conhecimento, com intuito de evidenciar a presença, ou não, da relação, por criança selecionada na amostra.
Para concluir os procedimentos da análise de dados, foram construídos mais duas tabelas (Tabelas 6 e 7, páginas 191 e 199) através dos quais se percebeu, de forma globalizada, a frequência e o percentual de crianças que estabeleceram relação forte, relação fraca e, ainda, das que não apresentaram relação entre a explicitação e a mobilização. Para realizar a análise qualitativa, foram utilizadas, também, amostras de trechos das tarefas de explicitação e de produção escrita das crianças, por componente investigado, tomando-se como referência os níveis de relação apresentados.
7. AS CRIANÇAS ESCREVEM NOTÍCIAS? QUAIS MODELOS DE TEXTOS