CAPÍTULO 4 – AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA LICENCIATURA
5.2 PROCEDIMENTOS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO
A avaliação como parte do processo de aprendizagem precisa ter um acompanhamento contínuo e permitir a compreensão de todo o processo por meio da coleta de informação. Assim
Os instrumentos de avaliação em cursos online facilitam o registro, análise e sistematização dos múltiplos aspectos a ser observados em ambientes virtuais de aprendizagem. Tais instrumentos podem facilitar a busca de melhores práticas, estabelecimento de novas estratégias e enriquecer o processo de aprendizagem. (OKADA; ALMEIDA, 2003, p. 275).
Para que a avaliação da aprendizagem contribua para o processo de ensino e aprendizagem, o professor deve definir de quais instrumentos de avaliação fará uso e com qual objetivo. Nas disciplinas analisadas, encontrou-se o caso de Instrumentação II, que se utilizou da prova, do seminário, das tarefas avaliativas e do fórum. Segundo Silva (2003), os alunos devem ser submetidos a muitas atividades para que possam se expressar.
O fórum é uma ferramenta de comunicação assíncrona que permite um grupo de alunos esclarecer dúvidas, discutir temas apresentando críticas e comentários. O fórum, segundo Fernandes (2009), permite ao professor diversificar os métodos de coleta de dados com o intuito de mostrar aos alunos que não é suficiente estudar somente para a realização da
prova e, sim, buscar desenvolver a aprendizagem diante da diversidade da avaliação. “Cada mensagem num fórum integra-se num conjunto que se pretende harmonioso de mensagens, pelo que as que são anteriores a uma que se pretende responder devem ser todas lidas antes da resposta e esta deve ser pertinente”. (VALADARES, 2011, p. 189).
No caso de Geometria II, os instrumentos de avaliação utilizados são a prova, o seminário, as tarefas avaliativas e o questionário.
No caso de Fundamentos da Matemática III, as quatro unidades da disciplina utilizam-se dos mesmos instrumentos de avaliação: o questionário online e o envio de arquivo único para a AVA. As tarefas de envio de arquivo constituem-se de exercícios de resolução que, em alguns momentos, remetem-se ao livro impresso da disciplina e, em outros, não.
O segundo instrumento de avaliação adotado é o questionário que, para Valadares (2011), consiste em um conjunto de questões com o objetivo de verificar o desempenho quantitativo do aluno. Assim, para esse autor, os questionários são “[...] provas com tempo fixo podem, de certo modo, limitar a criatividade do aluno e não permitir o desenvolvimento de uma atitude investigativa”. (VALADARES, 2011, p. 245). Essa disciplina, apesar de adotar como instrumentos de avaliação a prova, o seminário, as tarefas avaliativas e o questionário, enfatiza o uso de exercícios de reprodução e repetição. Segundo Sousa (2007, p. 84), a prova
[...] é um instrumento de testagem pelo qual podemos recorrer, não necessariamente de modo exclusivo, para realizar uma avaliação. A “prova” pode ser instrumento valioso dependendo do que se pretende avaliar, sendo,no entanto, fundamental estarmos atentos para o uso que será feito de seus resultados, quais consequências são por eles geradas.
No caso de Introdução ao Cálculo Diferencial e Integral, a prova da disciplina contém de questões de resolução, adotando níveis elevados de resolução que não correspondem ao que foi trabalhado no desenvolvimento da disciplina.
Enfim, todos os casos de disciplinas analisados nesta pesquisa utilizam os instrumentos de avaliação sugeridos no PPC do curso de Licenciatura em Matemática - EaD.
Segundo Luckesi (2011), quando o professor não testa os conhecimentos ensinados e aprendidos, mas, sim, outros conteúdos, fica evidente o desempenho insatisfatório dos alunos.
[...] os instrumentos de avaliação deveriam ser construídos de modo a ser factível verificar não só a correção ou incorreção das repostas, como proporcionar informações funcionais sobre os processos utilizados pelos educandos. Em outras palavras, os instrumentos deveriam conter algumas questões de como o aluno
seleciona os conteúdos para resolver um problema, os representa mentalmente, os organiza e recupera. (DEPRESBITERIS; TAVARES, 2009, p. 48).
De posse dessas informações, o professor comprometido com sua prática e com o processo de ensino e aprendizagem deve refletir e adequar os instrumentos. Segundo Silva (2003), os processos de avaliação não devem transferir os instrumentos adotados no ensino presencial para o virtual. “Logo, apenas mudar o instrumento avaliativo não significa uma compreensão diferenciada dessa prática, mas uma insistência em uma ação mecânica, tecnicista, marcada pelo principio da assimilação e reprodução, bem como pela programação e homogeneização de papéis, atitudes e performances cognitivas”. (SILVA, 2003, p. 69).
As tarefas avaliativas contidas em todos os casos das disciplinas estudadas são atividades que envolvem os conteúdos disponíveis na plataforma. No caso de Geometria, os exercícios são reprodutivos e de experimentação, como é o caso das cruzadinhas realizadas com os softwares hot potatoes e car metal. A construção das figuras geométricas é feitas com um software específico e o passo a passo da montagem é expresso na atividade.
No caso de Instrumentação II, as atividades instigam os alunos a resolverem situações-problema como definido por Silva (2006, p. 33) “[...] atividades de pesquisa que estimulem a construção do conhecimento a partir de situações-problema, nas quais o sujeito possa contextualizar questões locais e globais do seu universo cultural”, pondo em prática o conhecimento aprendido.
No caso da disciplina Introdução ao Cálculo Diferencial e Integral, ao adotar, como instrumentos de avaliação, a prova, o seminário, as tarefas avaliativas e o questionário enfatizando o uso de exercícios de reprodução e repetição fica evidente que os instrumentos de avaliação escolhidos pouco contribui para uma aprendizagem significativa.
No caso de Geometria II, a prova presencial teve como base os conteúdos matemáticos e as atividades estudadas no AVA, com questões dissertativas de graus fácil, intermediário e difícil.
No caso de Fundamentos da Matemática III, as atividades propostas nas quatro unidades da disciplina intercalam momentos de reprodução e repetição dos exercícios propostos, ação criticada por Silva (2003) e Behar e Notare (2009), pois esses tipos de exercícios priorizam a memorização. Esses autores defendem que a aprendizagem deve ser voltada à experimentação, à observação e à descoberta. Os conteúdos do livro-texto e o design da disciplina articulam o conteúdo, apesar de a plataforma não remeter ao uso do livro-texto e, sim, a vídeos explicativos do conteúdo, retirados do Youtube e a sites que explicam o conteúdo. A prova da disciplina utiliza-se de questões de resolução dos conteúdos, adotando
níveis elevados de resolução que não correspondem ao que foi adotado durante a disciplina. Segundo Luckesi (2011), quando o professor não testa os conhecimentos ensinados e aprendidos, mas, sim, outros conteúdos fica evidente o desempenho insatisfatório dos alunos.
A avaliação da aprendizagem matemática necessita de que o professor formador elabore caminhos para a construção da aprendizagem, a fim de que o aluno alcance os objetivos estabelecidos para a disciplina. Como a proposta de avaliação do curso expressa no PPC (2009) coloca que esta deve ser contínua e diversificada, é necessário que haja instrumentos de avaliação que auxiliem na concretização desses objetivos.