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CAPÍTULO 4 A PESQUISA: PERCURSO METODOLÓGICO

4.3 PROCEDIMENTOS E INSTRUMENTOS PARA COLETA DE DADOS

centrando-se nos participantes, dado o campo de pesquisa, os sujeitos de pesquisa são aqueles envolvidos na materialidade da trajetória dessa política no campo delimitado.

A respeito da PFP foi possível realizar somente uma única visita, no final do ano 2017, pois a instituição optou em 2018 por interromper definitivamente a realização da pesquisa alegando excesso de trabalho e indisponibilidade de tempo dos profissionais para participarem das ações que dariam prosseguimento à pesquisa. Diante deste impasse, neste lócus foram realizados somente os procedimentos de questionário com seis professores, e duas entrevistas com dois professores, dentre os sete professores da instituição.

No CRESF foi possível desenvolver todos os procedimentos da pesquisa. A instituição forneceu os relatórios acerca do perfil social e educacional das internas. Dois, dentre os três gestores da unidade, concederam entrevista e preencheram o questionário. No total, 36 (trinta e seis) agentes trabalham na penitenciária em uma escala de 12 (doze) agentes por turno, no entanto esse número por turno varia, pois há as folgas e os afastamentos. Seis agentes da instituição participaram da investigação. Dos sete educadores que exercem a docência na unidade, seis participaram da investigação.

A respeito das internas do CRESF, dez (10) delas foram autorizadas para participarem da pesquisa. A própria instituição indicou o número e quais internas poderiam participar, de acordo com suas normas de segurança, considerando a periculosidade e a disciplina das internas e também os procedimentos necessários para que se pudesse entrevistá-las, a saída da cela e o acompanhamento por agentes.

A seguir são explicitados os procedimentos elencados para a coleta de dados, bem como a justificativa e a finalidade das escolhas descritas.

4.3 PROCEDIMENTOS E INSTRUMENTOS PARA COLETA DE DADOS

Para o cumprimento do propósito de avaliar o PEESPP (PARANÁ, 2012, 2015) e realizar a pesquisa de avaliação, foram elaborados alguns procedimentos, apoiados em instrumentos de coleta de dados, desenvolvidos especialmente para

esta investigação, em coerência com os objetivos e o referencial teórico explicitado no Capítulo 1.

No desenvolvimento de uma pesquisa qualitativa “não existe apenas um caminho para conseguir reconstruir a realidade, nem para conhecê-la, explorá-la e interpretá-la” (BRANDALISE, 2010, p. 110). O processo de avaliação foi desenvolvido por meio dos seguintes procedimentos: a análise documental; a pesquisa bibliográfica; as coletas de dados junto aos sujeitos participantes nas instituições que compõem o campo da pesquisa; e a observação.

As pesquisas bibliográfica e documental compõem o processo de coleta de dados no percurso delimitado. No intuito de alcançar os objetivos propostos, se fez necessário a apreciação das produções acadêmicas desenvolvidas na área da Educação na Prisão. Para isto, foi realizada uma revisão de literatura, apresentada no Capítulo 3, abarcando as produções acadêmicas brasileiras na forma de teses e dissertações publicadas no período entre os anos 2001 e 2018.

A pesquisa documental contribuiu, como orientam Gerhardt e colaboradores (2009, p. 69), no sentido que tem como atribuição explorar os documentos “contemporâneos ou retrospectivos”, aqueles que já foram divulgados e que não sofreram análise, ou aqueles em que a análise caracteriza-se como incipiente, cabendo a proposta de novas análises condizentes com o objeto em pesquisa.

Foram utilizadas fontes documentais variadas, destacando-se: documentos institucionais referentes ao universo e aos sujeitos de pesquisa, em especial o Plano Estadual de Educação no Sistema Prisional do Paraná (2012, 2015), objeto de avaliação; o Plano Estratégico de Educação no âmbito do Sistema Prisional (BRASIL, 2011a); a lei de Execução Penal de 1984 (LEP); a CF/88; bem como todo aparato documental que organiza a educação no sistema penitenciário brasileiro e paranaense, dentre outras.

Os relatórios institucionais das internas foram coletados junto à instituição penal por meio do instrumento de coleta de dados disponível no Apêndice F, elaborado pelas pesquisadoras. Como a PFP optou por interromper a investigação, foram obtidos somente os relatórios referentes às internas do CRESF.

“Na pesquisa qualitativa, a interação entre o pesquisador e os sujeitos pesquisados é essencial” (MINAYO, 2007, p. 63, grifo da autora). Concordando com a afirmação de Minayo (2007), para o levantamento de informações a respeito das ações educacionais promovidas pelo PEESPP junto aos gestores, as agentes, aos

educadores e às internas das instituições penais que constituem o campo de pesquisa, foram elaborados um questionário e um roteiro de entrevista. Respectivamente, para apreensão dos dados referentes ao perfil social e educacional e a avaliação do PEESPP.

O formato de questionário foi elencado como instrumento de coleta de dados, pois possibilita apreender dados referentes ao perfil social e educacional dos sujeitos de pesquisa, mantendo uma consistência em relação à natureza dos dados, considerando o número elevado de sujeitos convocados para participar da pesquisa. No entanto, a respeito da avaliação do plano paranaense, acredita-se que a entrevista é um instrumento de coleta de dados privilegiado na pesquisa qualitativa, pois se compreende

[...] a possibilidade que tem a fala de ser reveladora de condições de vida, da expressão dos sistemas de valores e crenças e, ao mesmo tempo, ter a magia de transmitir, por meio de um porta-voz, o que pensa o grupo dentro das mesmas condições históricas, socioeconômicas e culturais que o interlocutor (MINAYO, 2007, p. 63-64, grifo da autora).

Considerando a diversidade dos sujeitos e o lócus de pesquisa, as coletas de dados junto aos sujeitos de pesquisa foram realizadas por meio de cinco instrumentos, os quais foram elaborados pelas pesquisadoras: o formato de questionário e entrevista com perguntas abertas e fechadas direcionadas às mulheres que cumprem pena nas penitenciárias paranaenses em regime fechado (Apêndice B); e o formato de questionário e entrevista semiestruturada para a participação dos professores atuantes nas unidades penais, bem como com os diretores e as agentes das unidades penais (respectivamente, Apêndices C, D e E).

De acordo com as orientações de Alaiz, Góis e Gonçalvez (2003), ao elaborar um instrumento de coleta de dados para avaliação, se faz necessário que ele seja desenvolvido como um quadro operacional, no qual haja um referencial de construção compatível com o objeto em avaliação, capaz de englobar suas áreas e dimensões. Além disso, esse instrumento para avaliação precisa ser capaz de aferir e expor um referencial de definição de critérios e indicadores em cada área e dimensão do objeto a ser avaliado, neste caso, a política de Educação na Prisão paranaense.

Seguindo tais orientações, os instrumentos de coleta de dados, que podem ser apreciados nos apêndices indicados acima, foram desenvolvidos a partir de um

referencial que envolve as áreas de interesse na avaliação do PEESPP (PARANÁ, 2012, 2015), delimitadas de acordo com as ações educacionais dispostas no plano.

Assim sendo, todos os instrumentos destinados a todos os sujeitos de pesquisa foram elaborados para compreender cinco eixos relevantes acerca da política em avaliação: dados socioeducacionais; objetivo do PEESPP; infraestrutura; atuação profissional; e diversidade e gênero.

Por fim, para a coleta de dados referentes às observações realizadas durante o processo de investigação, utilizou-se como instrumento o diário de campo. Em acorco com Fiorentini e Lorenzato (2009), o diário de campo apresenta duas perspectivas de registros de dados: uma descritiva que consiste na descrição das tarefas e atividades, de diálogos, de eventos, de gestos e atitudes, do ambiente, do próprio comportamento dos observados e observadores; e uma perspectiva interpretativa, que caracteriza-se pelo olhar aos espaços investigados enquanto espaços socioculturais produzidos pelo agir humano na trama social, envolvendo sentimentos, decepções, intuições, reflexões, ideias, experiências e as relações interpessoais.

Compreendendo que as duas perspectivas se relacionam, foram registradas no diário de campo os aspectos observados durante todo o processo de coleta de dados, desde o deslocamento e as condições de acesso às instituições elencadas como lócus de pesquisa até a aplicação dos questionários. Este registro das observações foi essencial para complementar a interpretação e análise dos dados coletados.

Neste momento, cabe comentar que não obtivemos autorização do DEPEN- PR para o registro em áudio, imagem ou vídeo das dependências das instituições, nem para registrar as entrevistas que compuseram as coletas de dados, dessa forma tudo precisou ser registrado manualmente por meio de texto.

Expostos os procedimentos e instrumentos metodológicos, a seguir descreve-se a abordagem elencada para a análise dos dados obtidos.