• Nenhum resultado encontrado

Procedimentos e instrumentos para coleta dos dados

A descrição da coleta de dados seguiu o projeto explanatório das pesquisas mistas, que segundo Creswell e Clark (2013) são procedimentos que primeiro coletam os dados quantitativos, seguidos de análise dos mesmos, para então utilizar os dados obtidos para coletar e analisar os dados qualitativos.

Retomando a questão norteadora: como se dá a prática da Consulta de Enfermagem à criança na atenção básica? Quais as representações dos enfermeiros sobre essa prática?

Na primeira fase constitui-se a quantificação na atenção básica de Teresina-PI, em 2012, do número de crianças menores de cinco anos cadastradas pelas ESF, a quantidade de Consultas de enfermagem, a população e as crianças menores de cinco anos, de puericulturas, o atendimento individual e visitas domiciliares realizadas exclusivamente pelos enfermeiros. Para isso, utilizaram-se fontes secundárias obtidas nos SIAB e SIA/SUS disponíveis na homepage: www.datasus.gov.br. Por conta da desatualização dos Sistemas de Informação na época da coleta (segundo semestre de 2013), foi necessário consultar as informações nos bancos dados disponíveis nos setores responsáveis da Fundação Municipal de Saúde.

Ainda na primeira fase, para relatar a Consulta de Enfermagem, quanto às características “estrutura física” e “equipamentos observados”, foi elaborado o Instrumento de Coleta 1 (IC1), para registro dos dados de observação, a saber: estrutura física e equipamentos, por meio da observação sistemática e direta do pesquisador (APÊNDICE A).

Para a construção deste instrumento, tomou-se como referência publicações recentes e normativas preconizadas pelo Ministério da Saúde, além dos dados preliminares da presente pesquisa. A definição das categorias observadas antes e durante a Consulta de Enfermagem a crianças na atenção básica são apresentadas a seguir:

Instrumento de Coleta 1 (IC1):

1) Estrutura física mínima da ESF, composta por: consultório médico; consultório de enfermagem; ambiente para armazenamento e dispensação de medicamentos; laboratório; sala de vacina; banheiro público; banheiro exclusivo para os funcionários; expurgo; cabines com leitos em número suficiente para toda a equipe; cozinha; sala de procedimentos; e, se forem compostas por profissionais de saúde bucal, a existência de consultório odontológico com equipamento odontológico completo;

2) Equipamentos mínimos: presença de balança e antropômetro infantil; a quantidade de Consultórios de enfermagem para cada equipe da UBS; a identificação com logomarcas do SUS e da ESF; se o consultório de Enfermagem possui luz branca (ou natural) e ventilação adequada; piso e paredes laváveis; pia com água e dispensador de sabão; mesa e cadeiras adequadas para a consulta; maca e instrumentos para o exame físico adaptado para atendimento infantil (estetoscópio, esfigmomanômetro, otoscópio, lanterna, fita métrica, termômetro); e desenhos, brinquedos ou decoração para crianças.

A aplicação do IC1 possibilitou uma análise por meio de dez questões fechadas e estruturadas aplicado pela pesquisadora no ambiente de trabalho das enfermeiras a partir do procedimento de observações gerais. O desenvolvimento desse instrumento possibilitou o registro das observações acerca do cotidiano da Consulta de Enfermagem, vivenciada na atenção básica, permitindo estabelecer uma comparação com o estabelecido nas normativas oficiais da consulta de enfermagem.

Foram registrados os dados de observação geral e sistemática nos sete consultórios de enfermagem das unidades básicas de saúde UBS (A e B), no período da coleta de dados.

A proposta inicial previa a aplicação de um instrumento (IC1 e IC2) no decorrer da Consulta de Enfermagem à criança, pela enfermeira de cada equipe que compunha a unidade básica, por meio da observação direta pelo pesquisador. Entretanto, houve rejeição por parte das enfermeiras em serem observadas e analisadas, justificada pelas mesmas como sentimentos como vergonha, medo, constrangimento, excesso de trabalho e pelo desafio de serem analisadas em uma pesquisa que certamente iria comparar as práticas com os pressupostos teóricos que, muitas vezes, se distanciam da realidade na qual estas enfermeiras trabalham ou vivenciam.

Assim, modificou-se o instrumento de coleta de dados, passando a ser aplicado pela pesquisadora na fase 1 a partir da observação direta, geral e sistemática da estrutura física da unidade básica de saúde (IC1).

Na segunda fase, ocorreram entrevistas semiestruturadas, agendadas e registradas em equipamento de gravação de áudio tecnologicamente adequado, com aplicação do instrumento de coleta 2 (IC2) que versa sobre os seis itens descritos abaixo, além de um roteiro semiestruturado com questões abertas (IC3), que é dividido em duas partes, o perfil do enfermeiro participante e as questões sobre as representações sociais elaboradas pelas enfermeiras sobre a prática da Consulta de Enfermagem, essas últimas aplicadas com técnica de entrevista com profundidade.

A aplicação dos instrumentos de coleta teve a duração em média de 40 minutos. Após o término da coleta de dados, as gravações foram transcritas do oral para o escrito, pela pesquisadora.

Instrumento de Coleta 2 (IC2):

1) Processo de trabalho, aborda-se cadastro atualizado das crianças de sua área; agenda de trabalho semanal com base no perfil populacional; quantidade de dias do mês destinado ao atendimento de criança; tipo de atendimento; priorização de grupos de risco ou crianças com fatores de risco; acolhimento; Consulta de enfermagem sistemática ou não; aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE); Solicitação de exames complementares; prescrição de medicamentos; e registro em prontuários.

2) Duração da realização da consulta: avaliando a média de uma consulta em minutos, relatadas pelas enfermeiras.

3) Participantes da Consulta de Enfermagem: quem participa acompanhando a criança e quem acompanha o enfermeiro (restante da equipe ou estagiário).

4) Objetivos da consulta de enfermagem, tais como: Promoção da saúde e prevenção de doenças; Doença ou agravo em curso; Educação em saúde; Retorno; Bolsa Família e Cadastro /primeira consulta.

5) Procedimentos realizados ou relatados pelo enfermeiro, como: lavagem das mãos; administração de medicamentos; medidas antropométricas; toque terapêutico; uso de brinquedos; orientações alimentares; e curativos.

6) Temáticas abordadas pelo enfermeiro durante a Consulta de Enfermagem, como: Alimentação infantil; Crescimento e Desenvolvimento; Vacinações; Bolsa Família; Mudanças biopsicossociais da infância e Desenvolvimento neuropsicomotor.

Documentos relacionados