Antes de iniciarmos a recolha de dados devemos refletir sobre “que tipo de informação se procura?”, “de que forma se pretende recolhe-la?” e “como se registar?” (Latorre, 2003). Para tal, a construção e validação dos instrumentos de recolha de dados contou com a verificação de dois juízes peritos: a orientadora desta investigação e um outro docente doutorado da Universidade do Minho.
Após a validação dos instrumentos de recolha de dados foram contactados os diretores provinciais da Educação, Ciência e Tecnologia e da Cultura por via documental (Anexos 4 e 5) pedindo autorização de interagirmos com os quadros sob sua tutela que mereceu uma resposta aplausível de nossa parte pelo que desde já agradecemos.
Depois de contactados, os entrevistados acharam por conveniente a entrevista ser por escrito pois na voz da maioria, ajudaria a analisar e reflectir melhor as respostas.
Enumeramos as questões das nossasentrevistas dirigidas aos responsáveis da Educação e da Cultura na Província de Benguela, bem como osinquéritos por questionário dirigidos aos professores da língua Umbundu e, em seguida, elaboramos três grelhas de análise em função das questões colocadas aos inquiridos e entrevistados (Quadros 3, 4 e 5) para depois as respostas serem analisadas através de gráficos que passaremos a explicar no capítulo logo em seguida. Após a numeração dos documentos, foi realizada uma leitura flutuante que permitiu obter a perceção global das respostas, para além da criação das categorias de análise.
Quadro 3: Organização dos dados: por objetivos, intervenientes e questões
OBJETIVO
1. Averiguar as perceções dos inquiridos sobre a inserção do Umbundu no currículo do Ensino Primário em Angola/Benguela, quer na escola rural quer na escola urbana
SUJEITOS INVESTIGAÇÃO/QUESTÕES ENTREVISTA a
gestores provinciais da Cultura
O então Conselho de Defesa e Segurança criou o Instituto de Línguas Nacionais através do Decreto nº 40/85 de 18 de Novembro, (…). Decorridos cerca de 30 anos o ensino dessas Línguas, a Umbundu, em particular, está ainda em fase de experimentação na 1ª classe. O
72 que lhe cabe nos informar a esse respeito? Qual a sua posição enquanto diretor ou chefe de Departamento?
[…] legislação sobre as línguas nacionais o seu cumprimento cabal por parte das estruturas da Educação a nível central e intermédio, nomeadamente em relação ao Umbundu? Acha que a inserção da Língua Umbundu no Ensino Primário veio a tempo oportuno? Em seu entender qual a relevância, o interesse, do ensino desta língua na escola?
Qual é a sua opinião sobre a inserção das línguas nacionais no ensino primário, em particular a do Umbundu?
INQUÉRITO POR QUESTIONÁRIO aos professores da Língua Umbundu
Como acha a inserção da Língua Umbundu no Ensino Primário?
Na sua opinião os programas da 1ª classe trazem todos os conteúdos necessários? Os alunos estão motivados em aprender a Língua Umbundu?
Considera que a metodologia que utiliza na sala de aulas contribui para um bom aproveitamento escolar dos alunos?
Considera que os manuais são um recurso importante para a aquisição da Língua Umbundu? Considera que nos Kit’s de material didáctico para o ensino devem constar Gramáticas de Umbundu/Português, Português/Umbundu, Dicionários de Português/Umbundu, Umbundu/Português e outro material didáctico?
ENTREVISTA a gestores provinciais e municipais da Educação
Qual é a sua opinião sobre a inserção das línguas nacionais no ensino primário, em particular a do Umbundu?
O Conselho de Defesa e Segurança cria o Instituto de Línguas Nacionais através do Decreto nº 40/85 de 18 de Novembro (…). Decorridos cerca de 30 anos o ensino dessas Línguas, a Umbundu, em particular, está ainda em fase de experimentação na 1ª classe. O que lhe cabe nos informar a esse respeito? Qual a sua posição enquanto director ou responsável?
Em seu entender, qual a relevância, o interesse do ensino desta língua na escola?
Como pai/encarregado de educação como se sente em ter um filho/educando a aprender a Língua Umbundu? Porquê?
Qual o papel da escola na aprendizagem da Língua Umbundu nomeadamente quando os pais e encarregados de educação não falam nem valorizam?
Em seu entender o que caracteriza e diferencia o ensino desta língua na escola rural e urbana?
Que avaliação faz sobre os manuais concebidos para a 1ª classe na ministração das aulas quanto ao portal pedagógico e não só?
Que suportes, instrumentos e meios pedagógico-didácticos existem nas escolas que favorecem e valorizam a aprendizagem da Língua Umbundu? Considera-os necessários? O que falta nas escolas para um efectivo processo de ensino e aprendizagem da Língua Umbundu?
Valha-nos com mais informações para o enriquecimento do nosso trabalho
Quadro 4: Organização dos dados: por objetivos, intervenientes e questões
OBJETIVO
Averiguar as perceções dos inquiridos sobre a formação inicial de professores e a cultura do Umbundu na escola SUJEITOS INVESTIGAÇÃO ENTREVISTA a gestores provinciais da Cultura INQUÉRITO POR QUESTIONÁRIO aos professores da Língua Umbundu
Quantos seminários de formação ou estágios já frequentou?
Na sua opinião os seminários / estágios que tem tido, são um pilar seguro para o melhoramento da sua tarefa didáctico-pedagógica?
Considera que para um ensino eficiente da Língua Umbundu se deve inserir nos currículos das Escolas dos Magistérios Primários para melhor preparação dos futuros professores? Enquanto professor, sente-se motivado para ensinar a Língua Umbundu?
O que aprendeu para a sua prática profissional nestes seminários? (dê 3 ou 4 exemplos) Na sua opinião, os programas para o ensino da 1ª classe fomentam uma atualização permanente dos professores?
73 ENTREVISTA a
gestores provinciais e municipais da Educação
Considera que todos os professores que leccionam a Língua Umbundu possuem a habilitação literária e a formação, pelo menos, básica para poderem exercer com eficiência esta
responsabilidade?
Considera que os seminários de formação e capacitação são suficientes para capacitar os docentes a ensinar eficazmente a Língua Umbundu, ou será que os conhecimentos (in) formais que eles possuem dela são suficientes para serem professores da mesma? Como é feita a seleção/escolha dos professores para lecionarem a Língua Umbundu? Quais foram os critérios para essa seleção/escolha dos professores?
Quadro 5: Organização dos dados: por objetivos, intervenientes e questões
OBJETIVO
3. Refletir sobre os desafios que se colocam à escola na promoção da língua Umbundu, nomeadamente quando os pais e encarregados de educação não falam nem valorizam essa língua
SUJEITOS INVESTIGAÇÃO ENTREVISTA a
gestores provinciais da Cultura
Em seu entender qual a relevância, o interesse, do ensino desta língua na escola?
Acha que com a introdução da Língua Umbundu no Ensino Primário é um passo dado para uma integração nacional?
Acha que o ensino da Língua Umbundu contribui para o resgate dos valores morais e culturais?
INQUÉRITO POR QUESTIONÁRIO aos professores da Língua Umbundu
Que dificuldades enfrenta no sucesso de ensino aprendizagem da Língua Umbundu com os seus alunos?
Os pais e encarregados de educação estão satisfeitos com o ensino da Língua Umbundu aos seus filhos e educandos
Que metodologia de ensino utiliza para o ensino da Língua Umbundu? Que vantagens vê nessa metodologia e estratégias de ensino?
Como ensina corretamente, na sua prática, esta Língua às crianças se alguns pais e encarregados de educação não a valorizam e nem falam?
Como resolve o binómio ortográfico do Umbundu escrito de forma católica e evangélica no ensino desta Língua para os professores e alunos destas duas denominações religiosas? ENTREVISTA a
gestores provinciais e municipais da Educação
Qual o papel da escola na aprendizagem da Língua Umbundu nomeadamente quando os pais e encarregados de educação não falam nem valorizam?
O nosso trabalho trata de uma pesquisa de natureza qualitativa. A abordagem descritiva e interpretativa permitiu, todavia, que, sempre que possível, os dados tenham sido organizados e apresentados em forma de gráficos, frequências e percentagens para a sua maior e melhor perceção. A análise dos dados seguiu os critérios propostos pela análise de conteúdo preconizada por Bardin (2009), onde na
Pré-análise - determinamos os documentos que constituirão o "corpus" a ser analisado (as observações livres, as entrevistas, os questionários e documentos como jornais e fotografias);
Exploração do material - Codificação e categorização utilizando critério semântico (significativo), construindo desta forma categorias temáticas adequadas ao tipo de análise que realizaremos;
Tratamento dos resultados - Inferência e a interpretação - é a fase da reflexão, da intuição, com embasamento nos materiais empíricos. Confronto entre o conhecimento acumulado e o adquirido.
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Por fim, fizemos a triangulação dos dados que permite combinar vários métodos qualitativos entre si e de articular métodos quantitativos e qualitativos (Flick, 2005). A triangulação de dados refere- se à recolha de dados recorrendo a diferentes fontes, como forma de integrar diferentes perspectivas no fenómeno em estudo (Flick, 2005), o que permite que o investigador seja crítico face aos dados recolhidos. Paralelamente, tratando-se de uma pesquisa qualitativa, não podemos esquecer que “A subjectividade do investigador e dos sujeitos estudados faz parte do processo de investigação” (Flick, 2005, p.6).
CAPÍTULO V
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Introdução
Ao longo deste capítulo são apresentados e analisados os resultados das entrevistas e dos inquéritos aplicados aos sujeitos que constituíram a amostra produtora dos referidos dados, bem como apresentação de algumas notas sobre as perceções dos docentes, acerca dos métodos e dos manuais escolares de Umbundu.