4 PROCESSO DE COMUNICAÇÃO
4.3 Procedimentos específicos
Diante da diversidade de situações com as quais o policial pode se deparar nas abordagens, é importante atentar para algumas especificidades de ocorrências envolvendo autoridades ou tentativa de corrupção16 por parte do abordado.
4.3.1 Abordagem a autoridades
Caso o abordado se apresente como autoridade titular de prerrogativas ou imu- nidades, proceda da seguinte forma:
• estabeleça um diálogo inicial respeitoso e amistoso e
utilize, de imediato, os pronomes de tratamento ade- quados ao cargo ou à função alegados por ele;
• identifique-se, diga seu nome, posto ou graduação, e
explique que se trata de uma operação policial;
• diga-lhe que por não conhecê-lo pessoalmente será
necessário que apresente a identidade funcional corres- pondente.
16 Conforme artigo 7º do Código de Conduta para os Encarregados pela Aplicação da Lei – CCEAL e o previsto no artigo 308 do Código Penal Militar (Crime de Corrupção).
Nesse caso, é sugerida a seguinte verbalização:
- Senhor, (Embaixador, Juiz, Promotor, Deputado,
General, Delegado, etc.) eu sou o (posto ou graduação, seguido de nome) estamos realizando uma operação
preventiva para a sua segurança.
- Necessito que o senhor apresente sua carteira fun- cional.
Constatada formalmente a identificação da autoridade, segundo o grau de imunidades e prerrogativas, o policial avaliará as circunstâncias, para ver se é o caso de:
a) não prosseguir na abordagem;
b) prosseguir na abordagem, acionar quem de direito e adotar as providên- cias cabíveis, conforme cada circunstância observada.
Havendo indícios de suspeição, solicite a colaboração do abordado no sentido de apresentar os demais documentos do veículo ou facultar a busca veicular. Caso a autoridade se negue a apresentar sua carteira funcional, ou diante situa- ções mais graves de fundada suspeição, comunique o fato ao CPCia./CPU, soli- citando ao CICOp. ou correspondente a presença de representante do órgão a que pertence a autoridade, para as medidas decorrentes. Nesse caso, deverá dizer:
- Senhor... (nome com declinação do cargo alegado), necessito que aguarde no local, pois o coordenador de policiamento já está a caminho para solucionar esta situação.
Na solução dos conflitos ou desentendimentos que porventura possam surgir, o policial buscará atuar com comedimento e profissionalismo, evitando:
• discussões acaloradas (provocativas), corporativistas e
que se exponham ao público ou à imprensa;
• imposição de autoridade sobre autoridade, em uma
Conforme evolua a gravidade do incidente, as ações de contatos físicos ou uso de equipamentos serão restritos à contenção da pessoa e à defesa dos policiais. Numa situação de descontrole emocional da autoridade envolvida, que poderá utilizar a arma que porta para ameaçar a equipe ou empreender fuga, deverá ser dada atenção especial à segurança dos policiais, do público presente no local da ocorrência e do abordado, observando-se o uso diferenciado de força (ver Caderno Doutrinário 1 – Intervenção Policial, Verbalização e Uso de Força). Em caso de envolvimento de policial civil, federal ou militar em ocorrência poli- cial de qualquer natureza, o centro de operações, o Centro Integrado de Comu- nicações Operacionais (CICOp.) ou correspondente e a Central de Operações da Polícia Civil (CEPOLC), ou correspondentes às forças armadas e à polícia federal, deverão ser imediatamente acionados e o(s) envolvido(s) apresentado(s) à autoridade competente.
As eventuais escoltas e conduções posteriores serão realizadas por inte- grantes da própria Instituição a que pertencer o abordado. Na impossibilidade, mediante prévia solicitação formal da respectiva chefia ou comando, a con- dução poderá ser realizada em viatura da PMMG.
Na situação da autoridade querer forçar a saída da blitz antes da solução final da ocorrência, deverão ser adotadas as medidas previstas no item 3.9 – Evasão. A divulgação dos fatos aos órgãos de imprensa obedecerá aos preceitos estabe- lecidos pelas normas da PMMG.
4.3.2 Procedimento policial diante de tentativa de corrupção
Existem situações em que o abordado, para se ver livre de prisão ou sanção administrativa, oferece alguma vantagem para o policial. Essas tentativas podem ser feitas de inúmeras formas, mas o policial deve agir com profissio- nalismo.
Em outros casos, a experiência policial nos mostra que o abordado, por se sentir nervoso, ou por descrédito com os órgãos responsáveis pela aplicação da lei, empregue termos, palavras ou gestos, de maneira que possam gerar interpre-
tações que configurem situação semelhante à citada acima, ou seja, tentativa de corrupção.
Desse modo, pode ocorrer, por exemplo, a entrega de documentos pessoais (carteira de habilitação, Certidão de Registro de Veículo), com alguma van- tagem econômica, como quantia em dinheiro “deixada” intencionalmente junto à documentação e entregue ao policial.
Nesses casos, o PM deverá confirmar sua suspeita, podendo manter o seguinte diálogo:
- Senhor, por favor, retire os pertences particulares e me entregue somente os documentos solicitados.
Há também os casos de insinuações feitas pelo abordado, utilizando falas do tipo:
- É para o cafezinho!
ou
- Dá para resolver de outra forma esta situação!
ou
- Como podemos administrar esse problema!
ou
- Como forma de agradecer pelo seu serviço!
ou
- O senhor merece!
ou
ou
- Este dinheiro estava aí dentro para o senhor!
ou
- Eu nem lembrava desse dinheiro, pode ficar com ele!
ou
- É só um agrado seu guarda!
Nessas situações, o policial pode usar as seguintes frases:
- Senhor, não estou entendendo sua pergunta/colo- cação, por favor, repita!
ou
- Senhor, o que está propondo?
ou
- Senhor, o que está me dizendo?
ou
- Senhor, para que é este dinheiro?
Caso a conduta do abordado enquadre-se em crime de corrupção17, o poli-
cial deve fazer valer os valores cultuados pela Polícia Militar, sobretudo o da ética, transparência e justiça, devendo arrolar testemunhas idôneas e adotar as medidas legais.