Capítulo II.III – ESTUDO 3 – O feedback dos instrutores de localizada com
3. Metodologia
3.4 Procedimentos
3.4.1 Recolha dos dados
Todos os sujeitos pertencentes à amostra foram contactados por telefone sendo explicado de forma geral o objetivo do presente estudo, bem como questionado se estes autorizavam a filmagem de uma das suas sessões de localizada. Tendo estes autorizado a filmagem, foi-lhes solicitado que disponibilizassem alguns dados (nome do ginásio e seu responsável, morada e telefone) do local onde estavam a intervir, para posterior contacto com o responsável da entidade.
Após este procedimento, foi enviada uma carta (Anexo 6) e realizado um contacto telefónico, ao responsável de cada ginásio onde se pretendiam gravar as respetivas sessões, explicando de forma geral o objetivo deste estudo, quais os procedimentos de pesquisa, solicitando autorização para a realização da recolha dos dados. Após uma resposta positiva neste sentido, cada instrutor foi novamente contactado via telefone com o objetivo de se proceder à marcação da filmagem tendo em conta a hora, o dia e o local da respetiva sessão de localizada. Posteriormente os instrutores iriam falar com os seus praticantes perguntando se nenhum se importaria que a sessão fosse gravada, explicando qual o objetivo deste registo. Dado que em algumas instituições os praticantes não são fixos por classes, antes do início de cada sessão foi novamente pedida permissão aos praticantes para a realização das gravações, sendo mais uma vez explicado qual o objetivo desta recolha. Tendo o consentimento de todos os praticantes que estavam presentes na sessão, foi colocado um microfone de lapela no instrutor que ia ser filmado, o qual transmite o som diretamente para a câmara de filmar via Bluetooth, ficando assim registada a voz do instrutor simultaneamente com o som ambiente e imagem captada. Durante a gravação os elementos da equipa de filmagem seguiram sempre o instrutor e os praticantes com as câmaras, acompanhando os seus comportamentos ao longo de toda a sessão (Gusthart, Kelly, & Rink, 1997). A equipa de recolhas foi constituída por dois sujeitos, tendo estes previamente treinado todos os procedimentos a realizar durante as gravações, que serão apresentados seguidamente:
em todas as gravações o material para a recolha dos dados foi disposto antes da sessão começar, para que as sessões se iniciassem no horário previsto, e não se atrasassem devido a este procedimento;
o microfone de lapela colocado junto ao peito de cada instrutor não aumentava o volume do som da sua voz, de forma a não causar interferência ao normal volume de voz emitido pelos mesmos, dado que estes podiam não utilizar microfone nas sessões com esse objetivo;
foram utilizados dois tripés para apoio de cada uma das duas câmaras de vídeo, uma centrada essencialmente no instrutor e outra nos praticantes, sendo que as duas câmaras de vídeo foram ligadas a uma extensão elétrica, para que os indivíduos da equipa de recolhas pudessem aceder à corrente elétrica em qualquer espaço da sala de forma a adotar a melhor posição na sala para a gravação.
Realizada a gravação da sessão, após o seu término, a equipa de recolha de dados agradeceu mais uma vez a colaboração de todos.
3.4.2 Visionamento dos vídeos
Após realizada a gravação dos vídeos em formato digital, numa câmara Sony HDD (DCR-SR 50) e numa câmara Sony HDD (DCR-SR 190), estes foram todos transferidos para um computador. Os vídeos foram depois observados e codificados os comportamentos de feedback, utilizando o software Match Vision Studio Premium® (Perea, Alday, & Castellano, 2005). Este software foi criado para facilitar o uso da observação, codificação, registo e análise de qualquer situação de um contexto natural e de comportamentos espontâneos (Castañer et al., 2009). Neste software foi realizada a análise para obter os valores absolutos de cada uma das categorias de feedback. Estes valores foram depois transformados em valores relativos, para posterior análise estatística, realizando-se a divisão dos valores absolutos de cada categoria pelo número total de feedbacks emitidos em cada dimensão.
Tal como sugerido por vários autores (Benavente & López, 2006; Brewer & Jones, 2002; Castañer et al., 2009; Gilbert, Trudel, Gaumond, & Larocque, 1999; Mesquita et al., 2009; Prudente et al., 2004) foi ainda testada a fiabilidade intra-observador e inter- observadores, pois a fiabilidade é, segundo Sarmento (2004), um pré-requisito para aceitar a interpretação dos dados.
Como recomendado por Carreiro da Costa (1998), Mars (1989) e Rodrigues, (1997b), foram realizados todos os procedimentos inerentes ao treino dos observadores, nomeadamente: 1ª fase - identificação das categorias do sistema; 2ª fase - discussão do protocolo de observação; 3ª fase - avaliação da aprendizagem das categorias; 4ª fase - prática e aplicação do sistema de observação. Após realizado o treino dos
observadores, foi testada a fiabilidade intra-observador e inter-observadores em todas as categorias do sistema de observação utilizado (SOFIF-AG), tendo sido usada a medida de concordância Kappa de Cohen sugerida por Pestana e Gageiro (2005). Segundo estes autores o nível de concordância, dado pelo valor do Kappa de Cohen, é excelente para valores maiores ou iguais a 0.75 (75%). Verificou-se a existência de fiabilidade intra-observador bem como inter-observadores em todas as categorias de feedback, já que estes valores foram iguais ou superiores a 93,0% (Kappa ≥ 0,930) e 97,5% (Kappa ≥ 0,975) respetivamente. Estes dados vão ao encontro das afirmações de Losada e Arnau (2000), que sugerem que quando se utilizam sistemas de observação para estudar os comportamentos humanos, uma das características muito importante que esses instrumentos devem ter, é elevada fiabilidade por parte dos observadores, utilizadores do respetivo instrumento.
3.4.3 Regras de registo
O método de registo utilizado foi o registo de ocorrências (Sarmento, Veiga, Rosado, Rodrigues, & Ferreira, 1998).
Dado que no início de cada sessão foi necessário pedir autorização aos praticantes para proceder à gravação em vídeo e dado que por vezes existiam sessões seguidas, estando o instrutor e alguns praticantes que ficam para uma sessão seguinte já dentro da sala, foi necessário proceder à definição do que se considerava o início e o fim da sessão. Assim sendo, foi considerado como início da sessão quando o instrutor interveio referindo que ia iniciar a sessão (Ex: “Vamos começar ”) ou, por exemplo, quando o instrutor colocou a música com o intuito de dar início à sessão. Foi considerado como término da sessão quando o instrutor referiu que a sessão tinha terminado, ou agradeceu a presença dos praticantes, ou bateu palmas ou ainda desligou a música.
3.5 Tratamento dos dados
Para dar resposta a cada um dos objetivos propostos no presente estudo vários foram os procedimentos estatísticos realizados.
Relativamente à caracterização da amostra foi determinada a média, o desvio padrão, o valor mínimo e o valor máximo das seguintes características dos instrutores: idade e experiência dos instrutores na atividade de localizada. Foi também determinada a frequência absoluta e relativa (percentagem) da característica género.
Para testar as fiabilidades inter-observadores e intra-observador para cada uma das categorias de feedback estudadas, foi utilizado o teste Kappa de Cohen, tal como sugerido por Pestana e Gageiro, (2005).
Para análise da frequência de feedback por minuto, foi dividido o número total de feedbacks de cada sessão, pela duração total das mesmas (em minutos), bem como, foi determinada a sua média, o desvio padrão, o valor mínimo e o valor máximo. No que diz respeito aos comportamentos de feedback dos instrutores, foram calculadas as frequências absolutas e as frequências relativas (percentagem) de cada tipo de comportamento de feedback. Após este procedimento estes dados foram utilizados para posterior tratamento estatístico, tendo sido realizada uma análise descritiva utilizando a média, o desvio padrão, o valor mínimo e o valor máximo para cada categoria de feedback de cada grupo de instrutores analisados (estagiários e experientes).
Considerando os dois diferentes grupos de sujeitos, o grupo dos instrutores estagiários e o grupo dos instrutores experientes, e considerando que o n de cada grupo é inferior a 50 sujeitos, foi testada a normalidade, utilizando o teste Shapiro-Wilk para a frequência de feedback por minuto e para cada categoria de feedback, de cada um dos grupos. Nas categorias onde se verificou normalidade e para comparação entre grupos, foi utilizado o teste paramétrico, teste t-Student, que, tal como sugerem Pestana e Gageiro (2005) e Marôco (2011), é indicado para duas amostras independentes, e aplica-se sempre que se pretende comparar as médias de uma variável quantitativa em dois grupos diferentes. Nas categorias onde não se verificou normalidade, foi utilizado o teste de Mann-Whitney, que é um teste não paramétrico, alternativo ao teste t-Student (Pestana & Gageiro, 2005; Marôco, 2011).
Para realização das análises estatísticas referidas anteriormente, foi utilizado o