APÊNDICES E ANEXOS
5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de cunho exploratório e descritivo, que se utilizou da técnica de estudo de caso para coleta de dados de fonte primária e pesquisa documental para coleta de dados de fonte secundária.
O cenário da pesquisa foi o município de Curitiba, capital do Estado do Paraná, onde se utiliza a CIPESC® como ferramenta para as consultas de enfermagem realizadas na rede municipal de saúde, por meio de sistema informatizado que abriga o prontuário eletrônico.
A população do estudo foi constituída pelos enfermeiros da rede municipal de saúde.
Quanto ao número de participantes ou amostragem, Minayo (2008) esclarece que a pesquisa de abordagem quantitativa há necessidade de um critério de representatividade numérica que possibilite a generalização dos conceitos. Entretanto, na pesquisa de abordagem qualitativa, segundo a mesma autora, o que se busca é mais o aprofundamento, a abrangência e a diversidade do que a generalização. Para a limitação da amostra em estudos qualitativos o instrumento deve admitir a compreensão da homogeneidade e da diferenciação, os entrevistados devem ser representativos na experiências e expressões do fenômeno que se pretende observar, os sujeitos devem constituir grupo relevante e ter os atributos que atendam ao que busca o estudo, não se pode desprezar as informações ímpares e não repetidas que por vezes explicitam aspectos da lógica interna do grupo, deve-se considerar que o número de participantes permita reincidência e complementaridade das respostas, entre outros aspectos.
Para a coleta dos dados de e análise parcial dos resultados, este estudo utilizou-se da técnica de estudo de caso. O objetivo na elaboração de estudos de caso foi verificar o uso da nomenclatura CIPESC® Curitiba em consultas de enfermagem envolvendo diferentes situações de atendimento a crianças. Embora fossem situações cotidianas do atendimento nas Unidades de Saúde requerem um olhar apurado e abrangente do profissional.
O estudo de caso é uma abordagem compreensiva utilizada na pesquisa qualitativa, conforme descreve Minayo (2008, p. 164) e
utiliza estratégias de investigação qualitativa para mapear, descrever e analisar o contexto, as relações a respeito da situação, fenômeno ou episódio em questão [...], evidenciam relações causais entre intervenções e situações da vida real.
Embora seja uma abordagem desafiadora, conforme defende Yin (2005, p.20), seu uso “surge do desejo de se compreender fenômenos sociais complexos”.
Chizzotti (2009) define caso como uma unidade do todo suficientemente significativa para fundamentar julgamentos e intervenções. Além de retratar uma realidade, revela aspectos múltiplos presentes em uma determinada situação. O autor resume as três fases do estudo de caso, sendo a primeira chamada seleção e delimitação do caso onde deve-se buscar uma referência significativa de forma que seja possível generalizar ou permitir inferências frente a situações similares. O caso deve ser delimitado de forma a buscar objetos que permitam compreender uma realidade. Ao usar um conjunto de casos, deve-se buscar abranger os diversos aspectos do problema. A fase de trabalho de campo busca reunir informações comprobatórias e que fundamentem o caso apresentado. Por fim, a organização do relatório consiste na constituição dos dados que comprovem as descrições e análises, mostrando os múltiplos aspectos do problema, sua relevância, seu contexto e as possibilidades de modificá-lo.
Yin (2005), aponta dois tipos de pesquisas de estudos de caso: os estudos de caso únicos e os estudos de caso múltiplos. Os primeiros trabalham com um único caso raro, extremo e decisivo suficientemente para confirmar, contestar ou estender uma teoria. Pode ainda ser um caso representativo e típico do dia-a-dia, um caso revelador ou caso para estudo longitudinal. Os segundos, os casos múltiplos, utilizam-se de dois ou mais casos onde cada um toma para si pontos específicos da investigação, cada caso comporta-se como um estudo completo onde se procuram evidências. Segundo o autor, os estudos de casos múltiplos resultam em evidências
mais robustas e consistentes. Há que se considerar que os estudos de caso múltiplos geram mais benefícios analíticos ainda que ocorram em contextos discretamente diferentes. Se resultarem em conclusões comuns, amplia-se a capacidade de generalização da descoberta, quando comparado ao estudo de caso único (Yin, 2005).
Deve-se utilizar na sua operacionalização, a lógica da replicação, prevendo alcançar resultados semelhantes (replicação literal) ou resultados contrastantes (replicação teórica). Essa lógica de replicação é oposta à lógica de amostragem pois os estudos de caso, em geral, não devem avaliar incidência de fenômenos e sim tratar do fenômeno e seu contexto, tornando a lógica da amostragem impraticável (Yin, 2005).
Yin (2005) sugere algumas etapas na condução do estudo de caso. Partindo de uma teoria desenvolvida sobre o fenômeno em estudo (pressupostos teóricos) são selecionados os casos e projetada a coleta de dados. O número de casos para o estudo múltiplo, visto que a lógica da amostragem é inválida, deve atender ao objetivo de estudo do fenômeno. São conduzidos os casos múltiplos, cada um como um caso individual, resultando no momento da análise em relatórios também individuais. Em etapa seguinte, cruzam-se os casos buscando-se as conclusões oriundas deles. A partir dessas conclusões encontram-se subsídios para modificar a teoria inicial, desenvolver implicações políticas e elaborar as conclusões dos casos cruzados.
Na etapa de análise das pesquisas que utilizam estudos de caso, a qualidade é garantida quando o pesquisador baseia-se em todas as evidências encontradas, abrange as interpretações concorrentes com os achados, foca a análise aos aspectos mais significativos o estudo de caso e utiliza seu conhecimento prévio no estudo do fenômeno.
Nesse contexto, com a finalidade de escolher os casos que abrangessem os temas relevantes sobre a saúde da criança, foi realizada uma busca simples da produção científica da enfermagem na base de dados LILACS, utilizando-se os descritores saúde da criança e enfermagem, sem limitação de período ou tipo de publicação.
A busca foi realizada antes da escolha dos casos que seriam utilizados na coleta de dados e depois, na ocasião da análise dos dados, a busca foi atualizada e tabulada. A busca mais recente, realizada em janeiro de 2011, localizou 122 referências que foram separadas em grupos de temas principais, por meio da leitura dos títulos e quando necessário, dos resumos. Foi estabelecido que a publicação entraria para o grupo no qual o tema predominasse no trabalho, mesmo que secundariamente pudesse ser enquadrado em outro grupo. Foram formados 23 grupos de temas e as publicações compreenderam o período de 1985 a 2010. Vale ressaltar que a produção científica acerca da infância e os temas que dela emergem são muito maiores que esta pequena amostra. O objetivo dessa revisão foi apenas elencar os temas mais estudados quando se fala em saúde da criança. Com maior ou menos freqüência, os temas encontrados representam a vasta área a ser estudada. A distribuição dos grupos, temas de cada grupo e quantidade de trabalhos estão representadas na tabela abaixo:
Quadro 1 – Grupos de temas da produção científica da Literatura Latino- Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) a partir dos descritores saúde da criança e enfermagem no período de 1985 a 2010.