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CAPÍTULO 3: METODOLOGIA

3.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E COLETA DE DADOS

Durante a pesquisa estive na EEMCR no período entre os meses de junho de 2017 a fevereiro de 2018, a maioria das visitas ocorreram em dias letivos, com o objetivo de sentir o ambiente, perceber e observar aspectos sobre o currículo da EEMCR.

Foi realizada uma reunião com a direção, coordenação e professores para contextualizá-los sobre a pesquisa, bem como os procedimentos de coleta de dados, e consequentemente, a participação. Esclarecemos que é de suma importância fazer uma análise sobre o currículo da EEMCR, a luz da Educação do Campo e suas perspectivas.

Iniciamos a pesquisa partindo das observações e anotações no diário de campo realizado na EEMCR. Já o roteiro da entrevista foi elaborado a partir dos objetivos da pesquisa e por ser um estudo exploratório a entrevista semiestruturada é mais adequada a este tipo de pesquisa. Pois possibilita ao entrevistado expressar-se, porém tem a liberdade de expor informações de relevância, que ora, estão fora do roteiro organizado pelo pesquisador.

3.3.1 Observação participante

Na etapa inicial da pesquisa foi possível compreender os fenômenos que ocorrem a partir da observação do contexto/realidade, oportunizando uma aproximação do objeto de pesquisa, permitindo identificar aspectos de relevância. Através da observação percebemos os sentidos e chegamos ao conhecimento produzido socialmente (GIL, 2008).

Consiste em observar os fenômenos que se pretende investigar, sendo uma importante etapa no contexto da pesquisa e no desdobramento das demais etapas, permitindo uma maior aproximação do objeto e interpretação dos fenômenos.

O diário de campo constitui um importante recurso metodológico, permitindo a observação do contexto da pesquisa. Sendo assim, durante as

observações e coleta de dados às informações foram registradas no diário de campo.

Para Minayo (1994, p. 59) uma das formas de investigar o objeto é realizar a observação, através deste procedimento o pesquisador acaba integrando-se e fazendo parte da mesma. Sendo assim, “O observador, enquanto parte do contexto de observação, estabelece uma relação face a face com os observados. Nesse processo, ele, ao mesmo tempo, pode modificar e ser modificado pelo contexto”. Esta aproximação do objeto permite identificar informações que talvez não estejam evidentes na fonte documental e nem são perceptíveis nas entrevistas.

Por meio dessa compreensão somos capazes de entender melhor os aspectos rotineiros, as relevâncias, os conflitos, os rituais, bem como a delimitação [...]. Essas considerações baseiam-se no pressuposto de que os entrevistados não são ingênuos espectadores, nem subjetividades ao acaso ou atores não-críticos. (MINAYO, 1994, p. 62).

A observação na presente pesquisa é um procedimento de extrema importância que não desconsidera os demais métodos de coleta de dados, pelo contrário, alia-se aos demais para interpretar os resultados.

Além disso a observação contribui para uma melhor interpretação dos dados, contribuindo assim para um olhar mais aprimorado do caso a ser pesquisado, estas devem ser relevantes para a compreensão do objeto, segundo Stake (1998).

3.3.2 Fontes documentais

A pesquisa documental permite ao pesquisador recorrer a inúmeras fontes para compreensão do fenômeno, logo tem uma versatilidade na escolha, entretanto deve-se primeiramente definir os objetivos da pesquisa para não recorrer a fontes que de repente não traga um significado para a pesquisa.

A fonte documental permite que o pesquisador recorra várias vezes ao estudo do mesmo, permitindo uma maior apreciação dos documentos selecionados pelo pesquisador, porém este pode se tornar tendencioso, por ser analisado de forma seletiva (YIN, 2001).

Nessa etapa foi analisado o Plano Municipal de Educação, o PNLD- Campo, PPP (2014) e o Regimento Escolar com o objetivo de conhecer e

descrever o currículo da EEMCR, através da compreensão e interpretação dos dados obtidos.

3.3.3 Entrevistas

Ao realizar as entrevistas com a direção, coordenação e professores buscamos interpretar o currículo da EEMCR, através das narrativas dos participantes da entrevista. Nas entrevistas semiestruturadas é possível deixar os participantes mais à vontade para se expressar, na qual permite uma maior liberdade opinativa sobre o tema.

A entrevista semiestruturada permite que haja um diálogo com os participantes, de forma aberta, mas não perdendo o fio condutor da pesquisa, sendo que o foco consiste na realidade pesquisada. Este instrumento de produção de dados permite que o entrevistado fique à vontade para expressar sua opinião e entendimento sobre os questionamentos, principalmente para colocar em pauta alguns detalhes que não estão explícitos no roteiro. Isso permite ao pesquisador esmiuçar informações detalhadas que podem ser valiosas para a pesquisa.

No estudo de caso a entrevista configura-se como uma das principais fontes, pois geralmente são coletadas de forma espontânea, e podem produzir resultados significativos, pois quanto mais o entrevistado se sentir à vontade para responder às interrogações, seus relatos orais poderão ter maior teor/valor nas etapas seguintes da pesquisa (YIN, 2001).

Os participantes da entrevista semiestruturada foram escolhidos a partir de dois segmentos da escola: (01) uma diretora, (02) duas coordenadoras pedagógicas e (05) professores da educação básica. A escolha da direção e coordenação se deu pelo fato de fazerem parte diretamente da construção das propostas curriculares da escola, na qual tem o poder de decisão e autonomia na tomada de decisões internas e as próprias responsabilidades apontadas na Lei Complementar n.º 206 (Mato Grosso/2004) que institui a função de cada segmento da escola e a Lei Complementar n.º 7.040 (Mato Grosso/1998) que aborda sobre a gestão democrática nas escolas e autonomia. Já os demais participantes (professores), foi delimitado o número de entrevistados, já que na abordagem qualitativa analisa-se o contexto, portanto, foi apresentado o projeto de pesquisa aos professores, direção e coordenação numa reunião, os

participantes foram exatamente os que se dispuseram a contribuir e participar da presente pesquisa, totalizando (08) participantes.

Após organizar as questões (roteiro) sobre o currículo da Educação do Campo optamos pela entrevista semiestruturada, visto que os sujeitos desse espaço escolar têm em relação ao currículo e o que pensam ser o currículo. A entrevista foi realizada com a direção, coordenação e professores conforme quadro abaixo:

Quadro 2 – Participantes / Entrevista.

PARTICIPANTE FUNÇÃO FORMAÇÃO TEMPO NA

ESCOLA

Pequi Diretora Matemática 6 anos

Jenipapo Coordenadora História 1 ano

Murici Coordenadora Pedagogia 6 anos

Jatobá Educadora Pedagogia 1 ano

Baru Educador Química 1 ano

Cajá Educador Biologia 6 anos

Buriti Educadora Pedagogia 1 ano

Pitomba Educadora Pedagogia 1 ano

Fonte: Dados da pesquisa (2018).

As entrevistas com os participantes foram realizadas entre novembro e dezembro de 2017 mediante documento de autorização, as mesmas foram gravadas em equipamento de áudio, e posteriormente as transcrições dos áudios preservando suas respectivas identidades. Para manter o sigilo e resguardo dos participantes optei por utilizar nomes fictícios, respeitosamente, utilizei nomes de frutos do cerrado mato-grossense. A diretora (Pequi), coordenadora 1 (Jenipapo), coordenadora 2 (Murici), professor 1(Jatobá), professor 2 (Baru), professora 3 (Cajá), professora 4 (Buriti) e professora 5 (Pitomba).

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