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1. INTRODUÇÃO

1.5.1 Procedimentos metodológicos e coleta de dados

Os procedimentos para a realização da pesquisa foram estruturados e divididos em quatro fases conforme apresentados, resumidamente, no quadro 01 e na figura 02. Neste quadro, nas quatro fases da proposta metodológica, foram coletados dados de diferentes naturezas e que foram utilizados para auxiliar as etapas subsequentes.

ETAPAS DA PESQUISA DADOS FONTE 1. Fundamentação teórica (Revisão bibliográfica)

O ecossistema manguezal Referências bibliográficas A urbanização e o manguezal SEI

A carcinicultura e o manguezal BAHIA PESCA

IBAMA MMA MPA / SEMA ONGs Núcleos comunitários 2. Caracterização do município e o uso do território Salinas da Margarida no contexto da BTS e do Recôncavo Baiano SEI /IMA/CONDER Aspectos geoecológicos e socioeconômicos BAHIA PESCA/SEMA Evolução urbana IBGE/IBAMA/MMA Organização dos núcleos / MPA

comunidades Referências Bibliográficas Estrutura produtiva e a coleta de

marisco

Prefeitura municipal Carta base Núcleos comunitários Imagem de satélite / Fotografias

aéreas

Trabalhos de campo /ONGs

3. O ecossistema manguezal na costa leste do município de Salinas da Margarida

Os impactos e a vulnerabilidade ambiental dos manguezais

Referências bibliográficas Superfície e área total ONGs

Conflitos ambientais Interpretação do material cartográfico Adaptação e confrontos territoriais 4. Análise e recomendações (quadro síntese)

A carcinicultura Interpretação do material cartográfico O crescimento urbano Prefeitura municipal Os conflitos ambientais Núcleos comunitários /

Entrevistas Trabalhos de campo

ONGs

Quadro 01 - Etapas da pesquisa, dados e fontes de referência

As etapas metodológicas estão detalhadas nos próximos parágrafos, seguindo as quatro fases pré-estabelecidas conforme a figura 02.

Para o entendimento dos estudos sobre o ecossistema manguezal (SCHAEFFER- NOVELLI, Y.S, 1995), a urbanização (COELHO, 2001) e a carcinicultura (MEIRELES, A.J.A. e VICENTE DA SILVA, E.; 2003) na área de pesquisa foi necessária a análise de dados secundários que foram levantados junto à prefeitura municipal, órgãos estaduais (Instituto do Meio Ambiente da Bahia – IMA, Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia - CONDER, BAHIA PESCA), federais (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais - IBAMA, Ministério do Meio Ambiente - MMA) e organizações não governamentais (MANGUE MAR BAHIA, Viva manguezal, Núcleo de Pesquisa Transferência Tecnológica e Desenvolvimento Socioambiental - TECNOCEANIC) que desenvolvem ou já desenvolveram projetos na região.

Os dados foram complementados com informações dos aspectos físicos do município obtidos através dos documentos pesquisados no Instituto de Gestão das Águas e Clima - INGÁ, na Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia – SEI, na Secretaria do Meio Ambiente – SEMA, através do Instituto de Meio Ambiente - IMA , no Conselho Estadual de Meio Ambiente – CEPRAM e dos dados oriundos de outros trabalhos já realizados no âmbito municipal. Além disso, os dados foram complementados por informações e dados primários que foram levantados em campo. Esta fase teve como finalidade compreender a realidade atual do município nas diversas esferas (histórica, social, econômica e ambiental) e serviu como base ao entendimento do processo de crescimento local, que formou núcleos / comunidades, bem como os conflitos ambientais nesta região.

Para o mapeamento foram utilizados como base cartográfica, dados na escala 1:100.000 do IBGE, de 2007, (delimitação nacional e estadual) e da SEI, de 1958, (delimitação municipal), dados do INGÁ quanto aos aspectos físicos e fotografias aéreas verticais, de 1959, do vôo realizado pela PETROBRÁS, além das fotografias de 1976, 1989 e 1998 da CONDER na escala 1:8.000 e duas imagens de satélite, sendo uma Satellite Probatoire Pour L’Observation La Terra - SPOT de 2003, extraída do Google EARTH, em janeiro de 2010, e outra do Satélite Sino-Brasileiro

de Recursos Terrestres - CBERS do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE5, de 2009, com resolução de 2,7m para a fotointerpretação.

O uso do território, na área de estudo, foi definido através das informações obtidas com os dados cartográficos, informações da Prefeitura Municipal de Salinas da Margarida e trabalho de campo, onde foram analisados 3 (três) núcleos / comunidades ou distritos: Salinas da Margarida (sede), Dendê e Encarnação. Tal análise foi estruturada em informações socioeconômicas, caracterização dos pescadores, marisqueiras e suas famílias através de entrevistas (com abordagem metodológica qualitativa) que foi aplicada nos 3 (três) núcleos / comunidades citados.

A caracterização da estrutura produtiva (pesca) e a organização das comunidades foram analisadas com base no trabalho de campo, onde o contato com a população local e os núcleos existentes foi fundamental. Através das entrevistas semi- estruturadas, da observação do trabalho diário e dos relatórios técnicos produzidos por instituições que atuam ou atuaram na área, foram obtidos os dados sobre a adaptação da população com o meio (porção do espaço que é apropriada por cada um), dos confrontos territoriais de cada núcleo / comunidade e da atuação de cada grupo que realiza a pesca estuarina, a mariscagem, a carcinicultura, dentre outros.

A entrevista foi utilizada para a complementação dos dados levantados para esta pesquisa e tornou-se importante utilizá-la, pelo fato de permitir uma abordagem mais aprofundada de determinadas questões, possibilitando explicações que muitas vezes não são possíveis de serem detectadas em questionários ou observações (REIS e LAY, 1994). Foram feitas 15 entrevistas, sendo 5 por família, em cada núcleo (Salinas (sede), Encarnação e Dendê), destinadas à coleta de informações sobre a identificação do pescador ou marisqueira, informações em nível de domicílio e com a finalidade de estabelecer um diagnóstico quanto ao perfil dos mesmos. Foram aplicadas entrevistas semi-estruturadas somente nos domicílios em que a pesca se configura como atividade exclusiva de um membro familiar, pois a intenção foi avaliar o pescador e a marisqueira que dependem, exclusivamente, dos recursos

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Fonte: http://www.cbers.inpe.br, acesso em 15 de Janeiro de 2010, (imagem é de Dezembro de 2009).

disponíveis e que se inserem nos mecanismos de mercado. A importância da atividade pesqueira para os núcleos / comunidades foi abordada através do nível de dependência do ecossistema manguezal de cada comunidade, o que foi analisado através dos dados colhidos.

Para a pesquisa foi necessária a caracterização do manguezal do município, onde é realizada a pesca artesanal pela população tradicional e onde se desenvolvem outras atividades econômicas, como cultivos de camarão (carcinicultura) e atividades turísticas. Avaliando a dinâmica ambiental desse ecossistema que, atualmente, recebe efluentes urbanos decorrentes dos processos de uso e ocupação do solo, analisou-se a atuação das políticas ambientais (em nível federal e estadual) responsáveis pela preservação desse ambiente e suas interações. Baseado em uma revisão bibliográfica sobre o tema, onde foram estabelecidos conceitos, definições e observadas às particularidades dos manguezais da Costa Leste do município, estes foram comparados a outras áreas do litoral baiano, considerando-se aspectos como área total (obtida a partir da análise do material cartográfico e da classificação da imagem de satélite), estado de conservação (dados secundários), dentre outros fatores relevantes.

A análise dos conflitos ambientais consiste nos modos diferenciados de apropriação do território, envolvendo grupos sociais e nos conhecimentos de alguns dos maiores problemas de ordem ambiental. Para a pesquisa fez-se necessário a análise integrada do meio ambiente através dos estudos de suas variáveis, entre elas, a situação econômica, a social, a política e a cultural das comunidades tradicionais, a geomorfologia, o clima, a hidrologia, a vegetação, o solo e a fauna. Analisada a área de estudo, segundo essas variáveis, identificaram-se as relações socioambientais com a área, possibilitando os conhecimentos dos maiores problemas de ordem ambiental além de indicar as vulnerabilidades e potencialidades dos manguezais e a atividade de carcinicultura sobre este ecossistema, permitindo ainda subsidiar futuros planos de manejo e melhoria da qualidade ambiental urbana da área.

Tal análise foi feita com uso de bibliografias (ACSELRAD, 2004; AFONSO, 1999; CARVALHO, 2004; COELHO JUNIOR, C.; SCHAEFFER-NOVELLI, Y.S, 2000, entre outros) relevantes que possuem estudo próximo ao realizado. O contato e

acompanhamento das rotinas de cada núcleo / comunidade foi fundamental para o entendimento da dinâmica socioambiental dos pescadores e marisqueiras. O levantamento de documentos legislativos, como o Código Florestal, resoluções do CONAMA, decretos e a Constituição da República Federativa do Brasil, entre outros possibilitaram um entendimento sobre a importância do manguezal para todos os seres vivos que necessitam deste para sobreviver e extrair recursos.