3. CAMINHOS METODOLÓGICOS PERCORRIDOS: TRAÇANDO O MAPA
3.4. Procedimentos metodológicos e instrumento de coleta de
O estudo teve a técnica de análise documental como fonte principal de coleta de informações, sendo definida por Chizzotti (1998, p.98) como sendo:
Um método de tratamento e análise de informações colhidas por meio de técnicas de coleta de dados consubstanciados em um documento. A técnica se aplica á análise de textos escritos ou de qualquer comunicação reduzida a um texto ou documento. O objetivo da análise de conteúdo é compreender criticamente o sentido das comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas.
Com relação ao currículo, Buriti; Buriti (1999) destacam que o mesmo é mais que uma descrição pormenorizada da vida do cidadão, é na verdade, uma fonte fundamental para a avaliação da produção científica e participação em outras atividades voltadas para as suas áreas de atuações.
3.4.1. Procedimentos metodológicos e instrumento de coleta de informações: as etapas seguidas no processo de uso da técnica de análise de conteúdo
Não obstante, a presente pesquisa se utilizou dos estudos de Lüdke; André (1986), que consideram que a primeira decisão a ser tomada dentro de um processo de análise documental é a caracterização do tipo de documento que serão usados.
Assim, a mesma foi empregada na análise dos Currículos Lattes disponíveis pelo sítio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq10) dos docentes graduados em Educação Física, atuantes efetivamente no curso de Educação Física – Licenciatura de uma IES do setor privado de Caxias do Sul/RS.
A escolha desses documentos não foi aleatória, na medida em que contribuíram para a caracterização docente num primeiro momento e, posteriormente, possibilitaram discussões acerca das mesmas numa tentativa de buscar-se possíveis implicações oriundas dessas constatações, bem como explicações para a ocorrência de uma determinada característica.
A próxima questão se refere, de acordo com Lüdke; André (1986), à análise documental propriamente dita das informações, e para tanto sugerem a metodologia de análise de conteúdo de Krippendorff (1980 apud LÜDKE, ANDRÉ, 1986), que afirma que a análise de conteúdo caracteriza-se como um método de investigação do conteúdo simbólico de mensagens.
Essas mensagens são, para esse autor, de diferentes formas e sob inúmeros ângulos. Disso decorre que, dentre todas as sugestões desse referido autor, optou- se por fazer análises temáticas com enfoque interpretativo nos aspectos pedagógicos, formativos e científicos contidos nos documentos especificados anteriormente.
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O próximo procedimento mencionado por Krippendorff (1980 apud LÜDKE, ANDRÉ, 1986) a ser adotado dentro do processo de análise de conteúdo é a metodologia de codificação onde foi escolhida e desenvolvida a opção da unidade de análise mista para codificação das mensagens, ou seja, integrando tanto a unidade de registro definida por Holsti (1969 apud LÜDKE, ANDRÉ, 1986) para selecionar segmentos específicos do conteúdo para fazer a análise como a unidade de contexto onde foi possível explorar um universo maior, e não ficando preso apenas na freqüência com que aparece no texto um tema ou uma palavra.
A partir disso, surgiu a necessidade de se expor a forma de registro adotada no estudo e dentro desta análise de conteúdo onde se optou pela técnica de fichamento que serviu para arquivar e organizar de forma funcional as principais informações provenientes dos documentos selecionados, permitindo um fácil acesso aos dados fundamentais contidos nos mesmos.
Depois de organizar as informações e de realizar uma pré-análise, num processo de leituras e releituras, Lüdke; André (1986) sugerem que o pesquisador deve voltar-se à análise para tentar detectar temas e temáticas mais freqüentes, num procedimento que culmina na criação de categorias de análise.
A construção de categorias é uma tarefa complexa, pois surgem num primeiro momento, do arcabouço teórico em que se apóia a pesquisa e num segundo, das próprias informações colhidas.
Não obstante esse conjunto inicial de categorias vai mudando ao longo da investigação, num processo dinâmico e constante e de confronto entre a teoria e a empiria, não existindo normas fixas e procedimentos padronizados para a criação e recriação de categorias de análise (LÜDKE, ANDRÉ, 1986).
3.4.2. Procedimentos metodológicos e instrumento de coleta de informações: a fase de interpretação referencial
De acordo com Triviños (1987), esta última fase da análise de conteúdo é a mais intensa. A reflexão, a intuição, com embasamento nos materiais empíricos, estabelecem relações entre a investigação, com a realidade educacional e social ampla, aprofundando-se as conexões das idéias, chegando se possível à propostas básicas de transformações nos limites das estruturas específicas e gerais.
(...) não é possível que o pesquisador detenha sua atenção exclusivamente no conteúdo manifesto dos documentos. Ele deve aprofundar sua análise tratando de desvendar o conteúdo latente que eles possuem. O primeiro pode orientar para conclusões para dados.
O autor esclarece a citação acima ao mencionar que, se o pesquisador ficar restrito ao conteúdo manifesto, pode vir a ter conclusões orientadas e apoiadas em informações quantitativas, dentro de uma perspectiva estática e em nível de denúncia de realidades negativas para o indivíduo e a sociedade. Mas, no entanto, se o pesquisador voltar-se para desvendar o conteúdo latente das informações, abre-se então a possibilidade, sem excluir uma análise qualitativa, para descobrir ideologias, tendências, etc., das características dos fenômenos sociais que se analisam e, ao contrário da análise apenas do conteúdo manifesto, é dinâmico, estrutural e histórico.