Mapa 15 – Mapa de Ordenamento do Uso do Solo, escala 1:25.000
3. MATERIAL E MÉTODOS
3.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Esta proposta de análise integrada e espacializada das unidades geomorfológicas, analisando e avaliando a vulnerabilidade e sustentabilidade, tem forte influência teórica na Ciência da Paisagem. Portanto, neste trabalho adotou-se uma abordagem de planejamento ambiental, no qual o ordenamento do uso do solo utilizando zonas de intervenção constitui ferramentas importantes para o alcance da sustentabilidade na região de Santiago do Iguape.
Considerando que a paisagem é resultante de uma dada organização que apresenta uma dinâmica da qual resulta sua evolução e, portanto que o conjunto é uma
totalidade formada por partes, com características próprias, porém
interdependentes, procura-se neste trabalho, realizar a delimitação de áreas homogêneas utilizando o termo Unidades Geomorfológicas, passando a se constituir em unidade operativa do planejamento no qual se baseia o sistema de gestão territorial.
Estas Unidades Geomorfológicas são definidas pela síntese de várias características que em cada unidade de paisagem justifica-se por sua redundância ou repetição e corresponde a expressão concreta da estrutura morfofuncional desta paisagem. Portanto, cada unidade é a representação de um sistema, denunciada por indicadores facilmente perceptíveis na paisagem, com um nível homogêneo de organização, tanto em sua estrutura, quanto em seu funcionamento.
Ao realizar uma compartimentação da paisagem, trabalha-se com a complexidade de um sistema espacial. Segundo Bolós (1992) sistema pode ser definido por “um conjunto de elementos em interação”. A compartimentação da região de Santiago do Iguape em Unidades Geomorfológicas baseou-se na construção de um modelo descritivo dinâmico, que para o mesmo autor, representa uma realidade observada e leva em consideração a evolução dos processos ao longo do tempo e do espaço e nos procedimentos metodológicos propostos por Bertrand (1971) posteriormente descritos por Monteiro (2000).
Para os autores supracitados, a compartimentação tem princípios que permitem compreender a paisagem como um todo, ainda que analisada em suas partes, pois a análise sistêmica da paisagem, por um lado, conduz ao estudo das relações de interdependência existente entre os componentes do meio físico, permitindo conhecer seus mecanismos e funcionamento; por outro lado, a compartimentação da paisagem física também permite a identificação de áreas homogêneas na região de Santiago do Iguape, município de Cachoeira, cujo arranjo espacial se deve a uma origem comum e cuja semelhança dos aspectos bióticos e abióticos traduz uma mesma fase evolutiva. Do ponto de vista prático, essas paisagens se comportam como verdadeiras unidades de planejamento ambiental, facilitando a tomada de decisões quanto a sua utilização.
Os estudos foram abordados para alcançar as variáveis ambientais, sociais e econômicas, utilizando como instrumento de análise, o método quantitativo, baseado na hipótese para averiguação e modelos de análise estabelecido, e qualitativo, procurando visualizar o contexto, fazendo uma relação do processo com o objeto de estudo. Assim, buscando uma integração desses métodos para contribuição e
melhor entendimento dos fenômenos, aspectos da Vulnerabilidade e
Sustentabilidade da Paisagem, possui os seguintes níveis:
- Analítico: analisar os atributos, suas propriedades geoambientais e os fatores de natureza socioeconômica e política;
- Sintético: delimitação e caracterização das unidades espaciais que
representam sistemas ambientais resultantes das interpretações das variáveis físico- bióticas e antrópicas;
- Dialético: avaliação dos riscos potenciais e restrições através dos efeitos produzidos por usos inadequados.
O desenvolvimento da pesquisa abrangeu quatro etapas. A primeira etapa envolveu a coleta de dados secundários sobre a área com o inventário de informações
sobre as características físicas, biológicas e antrópicas. Este inventário priorizou
a busca de estudos, dados e informações sobre a área, além de trabalhos cartográficos ou georeferenciados, que permitiram estes procedimentos.
A segunda etapa compreendeu a coleta de dados primários, correlacionando as variáveis “naturais” e “antrópicas”, feita através dos trabalhos de campo e laboratório, de forma articulada e inter-relacionada. Os estudos de campo foram conduzidos de forma a obter o conhecimento do espaço físico, condições da cobertura vegetal e dos sistemas de produção da área, identificando as áreas marginais em termos de vulnerabilidade, visando prognosticar sua tolerância a determinados tipos de intervenções naturais e antrópicas, para formar a base das respectivas Unidades Geomorfológicas. Os trabalhos foram realizados na escala 1:25.000 e incluíram observações sobre: Geologia, Geomorfologia, Pedologia, Hidrologia, Uso do Solo e cobertura vegetal.
Os trabalhos de laboratório envolveram a análise de solos, qualidade das águas
superficiais, digitalização das cartas temáticas escala 1:25.000 (carta
planialtimétrica; geológica; geomorfológica; clinográfica; hipsométrica; uso do solo e cobertura vegetal; vulnerabilidade ambiental; fragilidade ambiental com base nos índices de dissecação; fragilidade ambiental com base nas classes de declividade; sustentabilidade ambiental; sustentabilidade e qualidade ambiental; e ordenamento do uso do solo).
Na terceira etapa foram relacionados os “recursos”, “usos” e “problemas” configurados nas “Unidades Geomorfológicas”, interpretando os dados e informações dentro do contexto de integração da paisagem, primordial na montagem e entendimento da estrutura espacial e elaboração do zoneamento ecológico- econômico como proposta de ordenamento territorial.
A quarta etapa, envolveu a aplicação dos resultados, conduzindo a uma síntese do trabalho e esclarecimento do estado real da qualidade do ambiente, apresentando os resultados finais.
Ao final deste capítulo, Fluxograma dos Procedimentos Metodológicos utilizados nesta pesquisa.
3.2.1 Caracterização do Meio Físico/Biótico/Antrópico
O estudo Geológico teve como enfoque principal o reconhecimento e caracterização das unidades litológicas que ocorrem na área estudada, bem como dos seus respectivos arranjos estruturais, cujos dados foram espacializados através do Mapa Geológico.
O estudo Geomorfológico teve como base o reconhecimento da origem e processo de formação de relevo, tipos de erosão, levantamento planialtimétrico, declividade dos terrenos, posição de vales e elevação. O mapeamento geomorfológico teve como objetivo descrever e cartografar as formas de relevo local, em especial as áreas de planícies, tabuleiros, colinas, morros, vertentes, canais de drenagem, bem como as áreas sujeitas à erosão acelerada.
No estudo Pedológico foram analisados e classificados os tipos de solos encontradosna área, sendo consideradas a profundidade, espessura, granulometria e a permeabilidade do solo, relacionando-as com as formas do relevo, para tanto, as aberturas de trincheiras, coleta de amostras e análises laboratoriais dos solos, bem como as observações em campo, permitiram a identificação e classificação dos mesmos, proporcionando a confecção do mapa de solos.
O estudo Hidrológico analisou a rede de drenagem, as condições de qualidade das águas com análises laboratoriais, padrão de drenagem, cheias e vazantes, fluviometria e pluviometria.
A análise dos aspectos climáticos foi definida através dos parâmetros relacionados à temperatura, pluviosidade e umidade, obtidos através de fontes bibliográficas.
Para avaliação das formas de uso e ocupação do solo foramidentificadas às áreas com prioridade para: agricultura e densidade de cultivos, cobertura natural (vegetação arbustiva, floresta densa, primária e secundária), áreas úmidas (brejos e mangues), mata (densa, rala e ciliar), capoeiras, pastagens, extrativismo florestal, atividades produtivas / estrutura produtiva: agricultura, pecuária e extrativismo.
Com o diagnóstico da cobertura vegetal, procurou-se principalmente evidenciar o grau de vulnerabilidade dos ecossistemas locais, com o objetivo de estabelecer critérios e formas de utilização e conservação. Para tanto, utilizou-se os seguintes procedimentos: identificação e descrição das diferentes áreas fitoecológicas, principais formações vegetais; diagnose das condições atuais de vegetação existente; identificação de usos dentro dos domínios vegetacionais; mapeamento da cobertura vegetal.
Esses diagnósticos foram de fundamental importância para definição das Classes de Vulnerabilidade e da Sustentabilidade dos ambientes, de acordo com os parâmetros estabelecidos, através da avaliação dos fatores de erodibilidade e intensidade erosiva.