• Nenhum resultado encontrado

Capítulo 3 – Metodologia da pesquisa

3.6. Procedimentos

Ao iniciar o primeiro semestre de 2012, iniciei minhas buscas bibliográficas sobre o ensino de Língua Portuguesa. Como não consegui resultados concretos sobre a História do Ensino, decidi, então, enviar e-mails

pedindo indicação de referências bibliográficas para vários professores que já haviam escrito sobre o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil. Pedi ajuda para Magda Soares, Rodolfo Ilari, Leonor Fávero, Dante Lucchesi, Ariclê Vechia, Dinah Callou e Luís Carlos Travaglia, todos esses professores foram extremamente solidários e todos indicaram bibliografias salutares.

Todavia, nenhuma indicação era específica sobre a história do ensino de língua portuguesa. Entretanto, a partir dessas indicações bibliográficas as quais adquiri em sebos (livrarias de livros usados) e em livrarias, comecei a coletar os

pontos para a minha pesquisa. Esses pontos iniciais foram sobre a História da

Língua Portuguesa e sobre a História da Educação no Brasil, os quais alicerçaram esta pesquisa relatada nesta dissertação. Posterior a essas leituras percebi a necessidade de outros pontos como os da história política, econômica e cultural do Brasil, fazendo-me utilizar do método da História Nova para traçar o risco do bordado da história do ensino de língua portuguesa do Brasil.

Ao iniciar o segundo semestre de 2012, comecei a traçar cronologicamente dos pontos históricos para os quais utilizei as pesquisas bibliográfica e a documental para traçar o ponto da origem e formação da língua portuguesa na península Ibérica. Seguindo para o ponto da língua portuguesa no Brasil. Após esses dois pontos traçados, pude passar para outro ponto o da história do ensino de língua portuguesa no Brasil. Nesse terceiro ponto adotei o estudo de caso e percebi que estava no caminho para atingir o objetivo geral de minha pesquisa que é o de quebrar a visão dicotomizada entre o ensino de língua portuguesa e a história-sócio-político-econômica-cultural do Brasil. O estudo de caso me possibilitou entrecruzar os dois primeiros pontos teóricos e verificar, cronologicamente, os acontecimentos políticos, econômicos e sociais os quais interferiram diretamente ou indiretamente no processo de ensino da língua portuguesa e descobri que desde a chegada dos jesuítas no Brasil, o ensino de língua portuguesa está baseado nas dimensões política, econômica, social e cultural do país. Comecei, então, a interpretar à luz da hermenêutica fenomenológica esses acontecimentos.

Já no primeiro semestre de 2013, depois desses três pontos interpretados à luz da hermenêutica, iniciei o traçado para os entrepontos, que

são as entrevistas. Primeiro entrei em contato com cada um dos participantes por e-mail e logo depois, por telefone. Por e-mail, expliquei o tema da pesquisa e como seria desenvolvida e qual a necessidade da pesquisa ter a voz daquele professor. O professor Evanildo Bechara convencido do tema da pesquisa entrou em contato, pessoalmente, comigo por telefone, agendando o dia e o horário e o local da entrevista. Este fato causou-me emoção. Como a entrevista seria na Academia Brasileira de Letras no Rio de Janeiro, entrei imediatamente em contacto com o professor Afrânio Gonçalves da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. E ele prontamente, aceitou conceder a entrevista. A entrevista do professor Afrânio Gonçalves foi marcada na sala de Projeto de Estudo da Norma Linguística Urbana Culta (NURC).

As entrevistas foram marcadas para o segundo semestre de 2013, no mês de setembro, mês que eu iria participar do 10° Congresso Brasileiro de Linguística Aplicada (CBLA), da Associação de Linguística Aplicada Brasileira (ALAB), nos dias 09, 10, 11 e 12 na UFRJ. A entrevista do professor Afrânio Gonçalves foi realizada no dia 13 de setembro às dez horas da manhã, na sala F314 da Faculdade de Letras da UFRJ. A entrevista deve duração de 1 hora e foi gravada em vídeo e áudio, para que não houvesse nenhuma perda do depoimento.

A entrevista com o professor Evanildo Bechara foi realizada no dia 17 de setembro às dez horas da manhã na sala de reunião 5° andar da Academia Brasileira de Letras. A entrevista com a duração de 01 hora e seis minutos e 03 segundos, também, foi gravada em vídeo e áudio. Como eu não havia conseguido entrar em contato com a professora Cleonice Berardinelli, resolvi pedir ao professor Bechara, o qual, gentilmente, mediou a entrevista. Entrevistei a professora no dia 18 de setembro de 2013, na Academia Brasileira de Letras. A entrevista deve a duração de 11 minutos e 1 segundo, pelo fato de ocorrer, logo depois da seção de Leitura da Academia, a qual terminou às 17:00. Mas, também, a breve entrevista justifica-se, pelo fato de a professora Cleonice Berardinelli ter-se machucado o braço na porta do elevador. Fato este, que causou-me bastante preocupação e fez-me não alongar a entrevista.

Intencionalmente, utilizei para os três professores a entrevista não estrutura e não dirigida e não fiz intervenções no curso das respostas desses três professores, para que a amplitude da memória de cada um alcançasse o maior volume de pensamentos e posicionamento dos formadores diante o processo de ensino e aprendizagem de língua portuguesa.

A professora Maria Cecília Mollica também seria entrevistada nesta mesma semana que eu estava no Rio de Janeiro. Mas, tivemos que adiar a entrevista, porque ela havia sofrido um acidente. Então, no mês de outubro a professora Mollica enviou-me um e-mail para agendarmos a entrevista, porém eu não poderia retornar ao Rio de Janeiro, pois já havia gastado muito (com duas semanas no Rio) e estava com o meu orçamento comprometido com a viagem a Portugal no final de outubro. Então, sugeri a possibilidade de enviar as perguntas por e-mail, para ela responder da forma que achasse melhor em vídeo ou por escrito. Ela achou melhor responder por escrito. Então utilizei-me da entrevista estruturada. Elaborei 8 perguntas, intencionalmente, amplas para que eu pudesse coletar o maior volume de pensamentos e posicionamentos da entrevista, sobre o ensino de língua portuguesa e sobre a formação dos professores. Enviei, então, as perguntas e no outro dia, a professora enviou-me as respostas. Além das repostas a professora Mollica enviou-me uma série de referências bibliográfica as quais auxiliaram muito. E sempre estou conversando e recebendo orientações da gentil e generosa professora.

Após chegar do Rio de Janeiro iniciei o processo de transcrição das entrevistas dos professores: Afrânio G. Barbosa, Evanildo Bechara e Cleonice Berardinelli. E iniciei, também, o contato com o Senador Cristovam Buarque para conceder uma entrevista. No final de outubro, aproveitando a viagem a Portugal para participar da II Conferência Língua Portuguesa no sistema mundial, realizei pesquisa em documentos históricos na Torre do Tombo e na Biblioteca Nacional de Portugal. Esses lugares

Retornando ao Brasil, retornei o trabalho de transcrição das entrevistas, a qual exigiu muito tempo de trabalho. Durante o trabalho de transcrição, recebi do Senador Cristovam, pedindo para eu enviar as perguntas por e-mail. Enviei três

perguntas, mas apenas a primeira pergunta foi respondida, pelo fato da intensa agenda do Senador. Após o término das transcrições, passei a separar os trechos relacionados às políticas de ensino e a formação de professores. Posteriormente separados, categorizei de forma de dados nestes dois polos – política de ensino e formação de professores. E para o entrelaçamento interpretativo da pesquisa documental com as entrevistas, a hermenêutica fez com que eu não me contentasse com explicações sobre o passado, mas que buscasse um constructo interpretativo das vozes que emergem. E esse constructo interpretativo passou, então, a ser o modo de operação, pois a compreensão é produzida no diálogo entre as vozes e a pesquisa bibliográfica.

3.7 Orientações para o desenvolvimento da pesquisa.

O processo de compreender a pesquisa não é puramente uma compreensão científica que escapa do mundo real (perceptível) para um mundo conceitual (inteligível), mas um processo de compreender a pesquisa como uma união entre o histórico e a experiência individual de quem está no mundo.

A pesquisa inicia com pesquisa bibliográfica para fundamentar o referencial teórico o qual possibilitasse o desenvolvimento da investigação. Para em seguida, passar para uma pesquisa documental a qual pudesse fornecer informações incomuns ou raras sobre o ensino de língua portuguesa. Somente com essas pesquisas em andamento, iniciei a escolha dos participantes da pesquisa, os quais pudessem inserir mais informações (entrepontos) sobre o ensino de língua portuguesa em contextos escolares diferentes e que esses participantes pudessem contribuir com opiniões e críticas sobre o ensino de língua portuguesa. Após a escolha, iniciou o contato com os entrevistados e depois a realização das entrevistas, na cidade do Rio de Janeiro e em Brasília. Entrevistas realizadas, ocorreu o momento da transcrição das entrevistas e seleção dos trechos os quais entrariam para a composição do Capítulo da análise dos dados. A relação das evidências sobre o ensino de língua foi levantada e interpretada no capítulo seguinte: das considerações finais.

Documentos relacionados