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CAPÍTULO 4. METODOLOGIA

4.2. PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS

Os procedimentos metodológicos empregues neste trabalho dividiram-se em três fases, seguindo a sequência genérica representada na figura 10.

Figura 10. Diagrama representativo da metodologia adotada

A primeira e a segunda fase da metodologia estavam direcionadas para a criação do projeto SIG. A primeira fase foi dedicada à recolha de informação, não só a existente no PDDFCI, como noutras entidades, AFN, IGP e GNR. Toda esta informação foi estruturada organizada, corrigida e

1ª fase 2ª fase 3ª fase

Recolha de informação Criação do projeto SIG Construção do modelo SSD Inventariação, organização e estruturação da informação geográfica já existente no PDDFCI Unificação, padronização e correções vetoriais dos dados e criação de geodatabase Desenvolvimento do modelo em Modelbuilder

Metodologia

submetida a diversas operações de adequações e atualizações para posteriormente ser integrada na base de dados do SIG.

Durante a segunda fase desenvolveu-se o projeto SIG, que trata da construção da base de dados cartográfica e alfanumérica, num sistema de coordenadas Hayford-Gauss do datum de Lisboa, realizada no software ArcGis através do ArcCatalog para criar uma geodatabase, que suporta dados do tipo vetorial, raster entre outros. Assim os dados foram guardados num único local de forma organizada segundo uma hierarquia de objetos armazenados como Features Dataset e dentro de cada dataset criaram-se as Feature Class (figura 11).

As Feature Class são tabelas que armazenam as formas dos elementos existentes no mundo real, funcionam como camadas temáticas de dados geográficos. A cada Feature Class está associado uma geometria de pontos, linhas ou polígonos contendo coordenadas do tipo “Lisboa_Hayford_Gauss_IGeoE” e projeção cartográfica como demonstra a figura 12.

Figura 12. Representação de uma Feature Class

Para a criação do SIG foram desenvolvidas diversas bases de dados (dados de input) com a informação geográfica associada, como se pode observar na figura 13. Deste modo as bases de dados geradas foram as seguintes: - CAOP: limites administrativos;

- RDFCI: Rede viária, RPA, RNPV, LEE, FGC, Pontos de viragem; - Cartografia IF: Áreas ardidas, Recorrência dos IF;

Metodologia SIG (Geodatabase) CAOP (Feature Dataset) RDFCI (Feature Dataset) Cartografia IF (Feature Dataset) cartografia tematica (Feature Dataset)

Figura 13. Organização do SIG

Durante a 3ª fase foi construído um modelo de geoprocessamento, utilizando a ferramenta ModelBuilder que é uma aplicação do software ArcGis que permite explorar e construir ferramentas para, neste projeto, determinar os meios, as vias, infraestruturas mais perto de um incêndio florestal. A interface ModelBuilder fornece um Framework de modelagem gráfica para desenhar e implementar modelos de geoprocessamento, que pode incluir ferramentas, programas e dados (figura 14). Os modelos são os diagramas de fluxo de dados que ligam uma série de ferramentas e dados para criar procedimentos avançados e fluxos de trabalho. ModelBuilder é uma ferramenta que permite trabalhar dados (vetores ou raster) e estabelecer conexões entre os dados e estruturar todo o processo do princípio ao fim e obter os resultados previstos. Outra vantagem desta

Limites Administrativos: -Distrito -Concelhos -Freguesias -Localidades (Feature Class) -Rede viária -Rede divisional -Pontos de viragem -FGC -RPA -RNPV -LEE -Hidrografia -Quarteis dos bomb.

(Feature Class) -Áreas ardidas -Recorrência IF (Feature Class) -Altimetria -MDT -Carta Militar -Ortofotocartografia -Carta de risco incendio -COS_2007

-Carta de declives

ferramenta é que se houver necessidade de alterar alguma variável ao processo, não tem que se fazer o procedimento desde o início mas alterar a variável e fazer correr novamente o modelo.

Figura 14. Interface gráfica do ModelBuilder

Para que o modelo tivesse as funcionalidades de acordo com o que se pretendia, começou-se por definir as propriedades que a ferramenta deveria apresentar, ou seja, localização da informação de base, definição do tamanho das células do raster, coordenadas, caminhos relativos permitindo que as ferramentas funcionem em qualquer computador.

Depois de definidas as propriedades e preparados os dados de input foi criado na ferramenta ModelBuilder um modelo que permitisse, de forma automática selecionar e cortar toda a informação existente dentro de um buffer de 5000 metros, por exemplo, após a deteção de um incendio florestal e a sua respetiva localização geográfica.

Processo

Barra de Ferramentas

Metodologia

O primeiro passo do desenvolvimento do modelo foi criar na janela do ArcToolbox uma nova caixa toolbox, designada por SSD (nome do modelo) representado na figura 15. Este modelo foi baseado nas ferramentas do ArcToolbox porque permite utilizar processos e ferramentas várias vezes sem risco de perda de informação.

Figura 15. Criação de uma toolbox

Por razões de operacionalidade, foram desenvolvidos quatro modelos, anexos à toolbox SSD, figura 16. O primeiro modelo é para criar o “ponto” de acordo com as coordenadas recebidas do terreno. O segundo modelo desenvolvido foi para fazer o “buffer”. Os “clips” (cortes da informação

geográfica pretendida) são realizados no terceiro modelo, e finalmente o quarto modelo é para fazer clips nos rasters.

Figura 16. Conceção dos modelos

Na automatização do processo foram utilizadas várias ferramentas ao longo dos modelos do ArcToolbox, tais como:

 Create Table;  Add Field;  Buffer;  Clip;

Metodologia

Para desenvolver o primeiro modelo, utilizaram-se ferramentas do ArcToolbox: a Create Table e a Add Field. Primeiro é criada a tabela, depois são adicionados três campos. Um campo para X, outro campo para Y e outro campo para DESIGNAÇÃO. Nos campos X e Y são colocadas as coordenadas recebidas e no campo Designação é colocado o nome da entidade que enviou as coordenadas.

Assim, e usando um exemplo para ilustrar o processo: no dia 12 de Agosto de 2012 (120812) a Corporação dos Bombeiros que está no terreno envia a sua posição geográfica para o Posto de Comando. Esta posição é transformada para o sistema de coordenadas Hayford-Gauss do datum de Lisboa pelo operador. Utilizando a ferramenta de geoprocessamento, Create Table, é criada uma tabela, são adicionados os campos e preenchidos com os dados recebidos (figura 17). O modelo é executado e com a ferramenta Add XY é criada a Table Events ou seja, o ponto com a respetiva coordenada.

Figura 17. Fluxograma da criação do modelo 1 -b (nº ação do dia)

-120812 (12 de Agosto de 2012)

Para desenvolver o modelo 2 (figura 18), foi utilizada a ferramenta do ArcToolbox: Buffer.

Após ter sido adicionada a shapefile Table Events, a ferramenta desenvolvida no ModelBuilder cria um buffer com raio de distância definida pelo operador. Esta medida pode ser sempre alterada de acordo com as necessidades pretendidas.

Metodologia

O modelo 3 foi desenvolvido para fazer os clips à informação geográfica que está na base de dados constituída inicialmente no projeto SIG.

Assim a ferramenta utilizada do ArcToolbox foi o Clip, conforme ilustrado na figura 19.

Depois de estar definido o buffer, o operador carrega a informação geográfica necessária na Table of Contents. Na ferramenta de geoprocessamento Clip criada no ModelBuilder, seleciona primeiro a informação que pretende cortar e depois seleciona o buffer. Apos a execução do modelo, fica no desktop a informação que foi localizada dentro do buffer.

Para serem realizados clips em rasters foi desenvolvido o modelo 4. A Feature Raster e o Clip foram as ferramentas do ArcToolbox usadas neste modelo, figura 20.

Através da ferramenta Feature to Raster, o buffer em formato Shapefile é transformado num buffer em formato raster. Depois na ferramenta Clip é introduzido o raster original e o buffer no mesmo formato. O modelo é executado e fica o raster cortado pelo limite do buffer.

Metodologia

Depois de ter sido criado o projeto em Sistema de Informação Geográfica, e criado o modelo “Sistema de Suporte à Decisão” em ModelBuilder, estão criadas as condições para se operacionalizar o modelo, ou seja, após a receção da chamada telefónica por parte de qualquer entidade que se encontre no local de combate ao fogo florestal com a informação das coordenadas de localização do estacionamento da viatura é iniciado todo o procedimento de execução do programa.

Após a receção das coordenadas, é identificado o sistema, caso seja um sistema diferente do adotado é feita a transformação das coordenadas, através do conversor disponibilizado na página do Instituto Geográfico do Exercito (IGeoE), porque se pode efetuar transformações de coordenadas entre os diferentes sistemas de projeção e de referenciação mais utilizados em Portugal. Se for igual ao adotado no projeto SIG, é gerado um ponto em formato vetorial. A partir deste ponto é criada uma zona de influência (Buffer), com raio de 5000 metros, ou outra distância, de modo a criar uma figura poligonal que sirva de base a várias consultas por localização. Sobre o polígono resultante é feito um Clip para isolar a informação sobre:

 Rede viária e rede divisional  Pontos de inversão de marcha  Pontos de água

 Pontos de refúgio  Zonas a evitar  Rotas a utilizar

 Localização de outras viaturas e/ou de pontos de apoio

Assim as entidades que estiverem a operar no terreno ficam limitados à informação necessária para o planeamento de ações ao combate a incêndios florestais ou para uma orientação no caso de desconhecimento do local.

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