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Partindo da nossa questão de investigação, foi delineado um esquema da entrevista e deram-se início aos contactos com as famílias, pois tal como menciona Savoie – Zajc (2003, p.289) o investigador deve ter em conta dois cuidados: “ o da planificação de um esquema de entrevista e a escolha dos respondentes susceptíveis de possuírem uma competência relacionada com o objecto de estudo”.

Antes de elaborar o guião definitivo da entrevista, procedeu-se à realização de um pré- teste ao esquema, da entrevista, acima referido. Este pré-teste foi realizado pela aplicação do esquema da entrevista a 3 pessoas que reuniam as características adequadas a este estudo, mas que não fizeram parte do grupo final de entrevistados.

Das elações e reflexões sobre este exercício, em paralelo com as opiniões do orientador e co-orientador, avançámos para a elaboração do guião de entrevista a operacionalizar. A autora Savoie – Zajc (2003, p. 289) realça a importância da realização de um esquema de entrevista, pois considera que este “(…) é um guia no qual o investigador identifica os temas, os subtemas e as questões de orientação a fim de recolher dados pertinentes para a investigação”.

As entrevistas realizaram-se a 10 famílias, com as quais se estabeleceram previamente contactos de modo “[…] a interessá-las pela investigação” (Savoie – Zajc, 2003, p. 291). Estes primeiros contactos, foram feitos telefonicamente, em alguns casos, e pessoalmente, noutros. Mas, posteriormente efectuaram-se, com todas as famílias, contactos pessoais preliminares com o objectivo de nos apresentarmos pessoalmente e formalmente às famílias. Estes contactos

preliminares tiveram ainda como propósito apresentar também o teor do trabalho que nos propúnhamos realizar, da mesma forma que identificar perante as famílias as razões pelas quais se constituíam respondentes válidos às entrevistas.

As entrevistas, realizadas a 10 respondentes durante os meses de Janeiro e Fevereiro de 2011, foram gravadas em registo áudio e posteriormente reproduzidas por escrito, tendo em atenção que os “dados colhidos deverão procurar reflectir objectivamente o que os entrevistados responderam” (Sousa, 2009, p. 252). As entrevistas foram realizadas em locais acordados com cada um dos respondentes, tendo em conta a sua disponibilidade, e tendo também em atenção as características do espaço escolhido em si, de preferência reservado, acolhedor e sem interferências exteriores. Seguidamente, procedeu-se à análise e interpretação dos dados. Consoante a disponibilidade das famílias, o respondente variou no grau de parentesco com a criança (pai ou mãe ou tutor).

Tendo em conta o modelo interactivo de análise dos dados na investigação qualitativa, proposto pelos autores Miles e Huberman (1984, p.23 cit. Lessard-Hébert, Goyette & Boutin, 2005, p. 107), existem três passos a considerar: “ a redução dos dados, a sua apresentação e a

interpretação/verificação das conclusões”. Dado que, no seu entender, “(…) a análise qualitativa

é cíclica ou interactiva”, também o modelo por eles defendido assim se caracteriza, “(…) já que implica um vaivém entre as diversas componentes” (Miles e Huberman, 1984, p.24 cit. Lessard- Hébert, Goyette & Boutin, 2005, p. 109).

PERÍODO DA RECOLHA DOS DADOS

Redução dos dados

Antes Durante Após

Apresentação (organização) dos dados

Durante Após Interpretação/ Verificação Durante Após

Figura 7 – Modelização das três componentes do modelo interactivo da análise dos dados, segundo Miles e Huberman

O esquema acima apresentado permite-nos perceber a localização temporal das três componentes de análise, que se encontram durante o processo, comparativamente com o período da recolha de dados. É de salientar que a componente da redução de dados é transversal a toda a investigação, e não apenas no durante e no após o período de recolha dos dados.

Ainda a propósito da análise de dados qualitativos, Bardin (1977, p.116) refere que desde a primeira metade do século XX que se verificou uma mudança na concepção da análise de conteúdo, consequência da discussão entre a abordagem quantitativa e a abordagem qualitativa, tendo-se compreendido “(…) que a característica da análise de conteúdo é a inferência (variáveis inferidas a partir de variáveis de inferência ao nível da mensagem), quer as modalidades de inferência se baseiem ou não, em indicadores quantitativos”.

Henry e Moscovici (1968) citados por Bardin (1977, p.40) referem que “qualquer análise de conteúdo visa, não o estudo da língua ou da linguagem, mas sim a determinação mais ou menos parcial do que chamaremos as condições de produção dos textos, que são o seu objecto.” Ou seja, o objectivo é a caracterização das condições de produção e não do texto em si, procurando estabelecer uma correspondência entre as “palavras” e as “acções”, pois “as manifestações da mesma realidade pela comunicação, podem modificar-se rapidamente (…)” (Bardin, p.115).

A mesma autora (idem, p.95), indica ainda três pólos cronológicos para a organização da análise: “ pré-análise; a exploração do material; e o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação”. O primeiro pólo, constitui a “fase da organização propriamente dita, (…) tem por objectivo tornar operacionais e sistematizar as ideias iniciais, de maneira a conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento das operações sucessivas, num plano de análise”. É neste pólo, que se situa a leitura flutuante das entrevistas que permitem, não só a elaboração dos objectivos, como também a opção da dimensão e direcção de análise. Quanto ao segundo pólo, a autora (idem, p.101) refere que é “(…) a fase de análise propriamente dita não é mais do que a administração sistemática das decisões tomadas, (…) consiste essencialmente de operações de codificação, desconto ou enumeração”. No que se refere ao terceiro pólo, a autora destaca-o como a altura dos resultados serem “(…) tratados de maneira a serem significativos («falantes») e válidos”, procede-se à realização de inferências e à sua interpretação.

Ainda Bardin (1977, p.103), refere que “tratar o material é codificá-lo. A codificação corresponde a uma transformação (…) dos dados brutos do texto, (…) permite atingir uma representação do conteúdo, ou da sua expressão, susceptível de esclarecer acerca das características do texto, que podem servir de índices”. Complementando esta ideia, Holsti, citado por Bardin (1977, pp.103-104) diz que “a codificação é o processo pelo qual dados brutos são transformados sistematicamente e agregados em unidades, as quais permitem uma descrição exacta das características pertinentes do conteúdo”.

As categorias integrantes da grelha de análise de conteúdo decorreram, algumas à priori a partir da revisão bibliográfica, as outras foram surgindo pela análise de conteúdo efectuada. O quadro seguinte proporciona uma panorâmica das ditas categorias e respectivas subcategorias.

Categorias Subcategorias

Primeiro contacto

Expectativas O que mais valoriza Com a Professora Objectivo

Percepção da relação

Relacionamento

Empenho dos professores Atenção

Receptividade Honestidade

Formação dos professores Trabalho de equipa

Diálogo entre pais e professores Continuidade pedagógica

Dinamização/ iniciativa da escola Dinamização/ iniciativa da família Periodicidade do contacto Estratégias e Procedimentos Por escrito Contacto telefónico Por E-mail Em encontros informais Em reuniões formais Dias de atendimento Fragilidades do envolvimento Iniciativas e convites Formação dos professores

Disponibilidade de tempo e vida profissional Outros pais

Forças do envolvimento

Convite ao diálogo

Proposta de actividades diversificadas Disponibilidade de tempo e vida profissional

Contributos da escola Para a criança com NEE Para a família

Quadro 6 – Categorias e subcategorias para a análise de conteúdo das entrevistas.

Todavia, somente com uma análise mais pormenorizada e detalhada das entrevistas e com a identificação das unidades de sentido, nos foi possível determinar ao certo as categorias e as subcategorias finais integrantes da grelha de análise de conteúdo das entrevistas (Anexo II).

SÍNTESE

Após a problematização do teor da nossa investigação, foram apresentados os objectivos que nos propomos atingir com a realização deste trabalho.

Pela apresentação e fundamentação da metodologia seleccionada, identificámos o instrumento mais adequado a utilizar na recolha de dados.

Com o cumprimento das formalidades anteriormente destacadas e com o esclarecimento dos procedimentos necessários para a recolha e tratamento de dados, passámos à operacionalização do instrumento por nós criado e devidamente validado.

Resta destacar uma vez mais que as entrevistas foram realizadas, depois de marcação prévia de data, hora e local, mediante a disponibilidade dos respondentes com a garantia de confidencialidade das informações prestadas pelos entrevistados.

Assim, o passo com que nos deparamos seguidamente respeita à caracterização dos colaboradores nas entrevistas e à apresentação e discussão dos dados recolhidos.