Sendo assim, é possível vislumbrar a possibilidade de conscientização crítica junto aos alunos leitores, haja vista que a tolerância, o respeito aos direitos individuais e o combate ao discurso de ódio devem ser compreendidos como educação para valorização da dignidade humana. E, permitir que esses valores humanísticos, ainda que de maneira discursiva, sejam acintosamente violados, significa praticar um desserviço ao exercício salutar da cidadania.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após percorrermos as laudas que compõem este trabalho, fruto não só de nossa pesquisa teórica, mas também de uma reflexão crítica em relação aos desafios que permeiam nosso compromisso docente, entendemos ser possível, agora, tecer algumas considerações acerca de tudo que aqui foi teoricamente fundamentado e proposto.
Inicialmente, haja vista que a sociedade contemporânea vem se constituindo por meio de espaços cada vez mais complexos e dinâmicos de interação social e, consequentemente, de interação pela linguagem, consideramos que a proposta de atividades aqui desenvolvida não se furtou de explorar essa nova realidade. E, de maneira geral, também ficou demonstrado que não só foi possível construir atividades estratégicas, a fim de superar dificuldades em relação à compreensão leitora de alunos no ensino fundamental, como também conseguimos promover uma reflexão crítica sobre alguns temas de direitos humanos e, tudo isso, em benefício de uma formação cidadã integral.
Sendo assim, no intuito de atingir os objetivos a que este trabalho se propôs, entendemos ter sido fundamental traçar uma trajetória histórica de conquista de direitos humanos demonstrando como essas conquistas contribuíram para reafirmação de valores humanísticos fundamentados no respeito à dignidade humana. Nesse sentido, vimos como a Declaração Universal de Direitos Humanos (ONU, 1948b), além de outros documentos legais decorrentes dela, reafirmam essas conquistas, sendo isso consideravelmente importante para construção de nossa proposta de trabalho.
Ficamos convencidos também de que os fundamentos da educação em direitos humanos representaram subsídios significativos para elaboração da nossa proposta de atividades com estratégias metacognitivas de leitura. Afirmamos isso, pois a leitura de textos noticiosos, sob o viés desse modelo educativo, propiciou abordagens bastante produtivas sobre fatos do cotidiano que se traduzem em discurso de ódio e ataque à dignidade humana, motivando os alunos a se posicionarem de maneira crítica em relação a essas injustiças.
Ao prestigiar uma concepção de leitura que se fundamenta no processo de interação, consideramos que foi possível desenvolver um trabalho concreto com a leitura, inclusive nos utilizando de abordagens temáticas reais sobre textos do gênero notícia, despertando os alunos para uma atitude ativo-responsiva, nos termos de Bakhtin (2017), o que potencializa o processo de compreensão leitora.
Também, o conjunto de atividades com estratégias metacognitivas de leitura se propuseram, por exemplo, a ensinar os alunos para realizar o acionamento de conhecimentos
prévios, estabelecer objetivos e hipóteses de leitura, inferir, explicar e resumir o texto, entre outras atitudes antes, durante e depois do processo de leitura. Sendo assim, vislumbramos promissora a formação de leitores proficientes, autônomos e conscientes para monitorar sua compreensão leitora de maneira ativa.
Ao contemplarmos o gênero notícia na elaboração de nossa proposta de atividades, consideramos que a sua natureza e predisposição para abordar fatos e temas sociais também agregaram valor aos objetivos deste estudo. Através das notícias, especialmente no que tange à sua temática, foi possível abordar, de maneira educativa, algumas questões de direitos humanos bastante representativas da nossa realidade social, contribuindo para a realização de atividades leitoras “inter-relacionadas às práticas de uso e reflexão” (BRASIL, 2017. p. 75), não só sobre a língua, mas também acerca da realidade social, na qual estamos inseridos.
Partindo da premissa de que o leitor competente pode ser formado a partir do ensinamento e da internalização de estratégias, conforme preceitua Solé (1998), consideramos que, em nossa proposta de trabalho, essas estratégias foram satisfatoriamente desenvolvidas.
Entretanto, no intuito de atingir objetivos específicos a que este trabalho se propôs, essas estratégias elencadas pela autora foram repensadas de maneira a construir reflexões acerca da temática presente em cada um dos textos. E, nesse sentido, também foi bastante produtiva essa perspectiva, haja vista que contribui para uma visão de mundo menos preconceituosa, menos intolerante e menos odiosa, consequentemente, mais humanística.
Consideramos ainda que o conjunto de atividades com estratégias metacognitivas de leitura presentes em nossa proposta trabalho não precisam ser rigorosamente realizadas conforme descrita nas laudas desse trabalho. Entendemos assim, haja vista que nossa descrição teórica das atividades é passível de adequações e ajustes à realidade de cada sala de aula e às condições reais de interação com os alunos.
Portanto, objetivando a superação de preconceitos e a formação de valores humanísticos, consideramos que o discurso de intolerância e de ódio pode ser trabalhado de maneira crítica em diversos textos noticiosos, sempre ressaltando a importância do respeito à dignidade humana. Ao mesmo tempo, as habilidades de leitura também puderam ser desenvolvidas, contribuindo, nesse conjunto de atividades que propusemos, para formação de sujeitos leitores proficientes, críticos e mais conscientes do seu papel social, inclusive para o pleno exercício da cidadania e respeito aos valores de direitos humanos.
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