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Todos os indicadores e subindicadores que compõe o ISA/OP foram calculados com a utilização do software Microsoft Excel. Alimentou-se o software com os dados adquiridos e realizou-se os cálculos por setor censitário, da maneira que cada setor censitário possuiu de forma destrinchada todos os valores de indicadores de primeira e segunda ordens, por consequência, calculou-se um valor de ISA para cada setor censitário estudado, conforme pode ser analisado no item 12 (Apêndice) deste estudo.

6 O MUNICÍPIO DE OURO PRETO: aspectos históricos e de saneamento ambiental

Ouro Preto tem sua origem arraigada na junção de diversos arraiais formados na região durante os séculos XVII e XVIII que culminou na composição chamada de Vila Rica, sendo, em 1720, nomeada capital da capitania de Minas Gerais. Já no século XIX, em 1823, foi declarada por Dom Pedro I como Imperial Cidade de Ouro Preto. Até o final desse século foi a capital da província (estado) de Minas Gerais, perdendo a categoria em 1897 para a atual Belo Horizonte. A Figura 8 apresenta a localização do município de Ouro Preto no estado mineiro e sua localização em relação à atual capital.

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Figura 8 - Localização do município ouropretano no Estado de Minas Gerais

Fonte: Autor

Nenhum outro município brasileiro acumulou tantos fatos históricos relevantes à construção da história e memória nacional (OURO PRETO, 2016). A seguir estão relacionados os principais marcos para tal:

 Última década do século XVII e primeiros anos do século XVIII: descoberta do Ouro Preto;

 1708: Guerra dos Emboabas atinge o distrito ouropretano de Cachoeira do Campo;  1720: Revolta comandada por Filipe dos Santos contra o pagamento do Quinto do

Ouro à Coroa Portuguesa;

 1789: Movimento Inconfidência Mineira objetivando libertar Minas Gerais dos domínios de Portugal.

Conforme mencionado no item 3 desta pesquisa, em 1933 a cidade de Ouro Preto foi agraciada com o título de Monumento Nacional por meio da publicação do Decreto nº. 22928/1933 (conforme transcrição a seguir) e em 1938 foi tombada e declarada como Patrimônio Nacional pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan) –

66 atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No ano de 1980 a Cidade foi a primeira brasileira a ser declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

DECRETO Nº. 22928, DE 12 DE JULHO DE 1933 [...]

Considerando que é dever do Poder Público defender o patrimônio artístico da Nação e que fazem parte das tradições de um povo os lugares em que se realizaram os grandes feitos da sua história;

Considerando que a cidade de Ouro Preto, antiga capital do Estado de Minas Gerais, foi teatro de acontecimentos de alto relevo histórico na formação da nossa nacionalidade e que possúe velhos monumentos, edifícios e templos de arquitetura colonial, verdadeiras obras d’arte, que merecem defesa e conservação;

Resolve:

Art. 1º Fica erigida em Monumento Nacional a Cidade de Ouro Preto, sem ônus para a União Federal e dentro do que determina a legislação vigente (BRASIL, 1933, p.1).

A Cidade se desenvolveu de maneira heterogênea. Devido ao fato de estar inserida em uma região de relevo totalmente acidentado, Ouro Preto se expandiu desordenadamente tanto para os altos dos morros quanto nos vales de seus cursos d’água. A explicação para este fato está fundamentada na abundância aurífera existente nesses locais durante o período colonial. A mineração do ouro ocorreu de maneira intensa em minas nas encostas dos morros e na margem dos riachos, o que potencializava o povoamento dessas regiões.

A aglomeração humana ao redor dos sítios de garimpo do ouro originou os bairros ouropretanos e neles suas famosas ladeiras permeadas por casarões e igrejas renomadas. Construções essas que contaram com o primor dos detalhes arquitetônicos do famoso escultor Aleijadinho, assinando em suas obras a arquitetura barroca.

O desenvolvimento da Cidade acarretou em problemas de saneamento ambiental. Conforme apresenta o estudo de Fonseca e Prado Filho (2010), uma maneira de amenizar os inconvenientes da insalubridade ambiental vivenciada por Ouro Preto nos séculos XVIII e XIX e de modernizar a, até então, capital consistiu na construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) entre os anos de 1889 e 1890, considerada um dos primeiros e mais modernos sistemas de tratamento de esgotos do Brasil e da América Latina, Figura 9.

Todo o esgotamento sanitário era realizado por gravidade e conduzido para os Tanques de Desinfecção da Barra, os quais, sem dúvida, pode ser considerados a primeira estação de tratamento de esgotos de Minas Gerais e uma das primeiras do Brasil [...] apenas os sistemas de tratamentos de esgotos do Rio de Janeiro puderam ser identificados como antecedentes aos ouro-pretanos. Esses tanques foram construídos no local do antigo matadouro da cidade e podem ser vistos ainda hoje, em estado de abandono, próximo à ponte da Barra, no final do beco da Mãe Chica, em área da prefeitura [...] Os relatórios do Serviço de Águas e Esgotos, sob a guarda do Arquivo da Câmara Municipal de Ouro Preto, registram que esses tanques eram ‘lavados’ ou ‘desinfeccionados’ diariamente. No século seguinte, por volta de 1920-1930, por razão ainda desconhecida, essas lavagens foram

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interrompidas, de maneira que esses tanques têm funcionado, desde então,

como enormes caixas de passagem. O sistema de tratamento – pelo que se

depreende das estruturas que ainda restam no local – incluía gradeamento,

caixa de mistura e três câmaras de sedimentação (FONSECA e PRADO FILHO, 2010, p. 62).

Figura 9 - Tanques de desinfecção da antiga ETE localizada na cidade de Ouro Preto

Fonte: Autor.

Paralelamente ao desenvolvimento e reconhecimento histórico da cidade de Ouro Preto, ocorreu a formação da sua universidade, a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). A instituição foi oficialmente fundada em 21 de agosto de 1969 após a junção de duas centenárias escolas de ensino – Escola de Farmácia (criada em 1839) com a Escola de Minas (criada em 1876). A primeira carrega consigo a honra de ter sido a primeira faculdade de Minas Gerais e é a mais antiga na área farmacêutica da América Latina, enquanto a segunda possui o título de primeira instituição brasileira dedicada aos estudos de mineração, metalurgia e geologia. Dados de 2017 informam que a UFOP oferece 51 cursos de graduação (46 presenciais e 5 à distância), 12 cursos de doutorado e 28 cursos de mestrado, contando com um total de 14.015 alunos regularmente matriculados, 808 técnicos administrativos, 847 professores efetivos e 97 substitutos. O principal campus da Universidade, Campus Morro do

68 Cruzeiro, se localiza na cidade de Ouro Preto, bairro Bauxita, no entanto, também existem cursos alocados nas cidades de Mariana e João Monlevade (UFOP, 2016).

O território do município encontra-se inserido na região do Estado de Minas Gerais denominada Quadrilátero Ferrífero, caracterizada pela abundância na produção de minério de ferro e por abrigar indústrias mineradoras que potencializam a economia local. As atrações turísticas ouropretanas também contribuem grandemente para engrandecer a economia municipal.

No ano de 2017, o município ouropretano divide-se em sua sede (cidade de Ouro Preto) e doze distritos, conforme Figura 10: Amarantina, Antônio Pereira, Cachoeira do Campo, Engenheiro Correia, Glaura, Lavras Novas, Miguel Burnier, Rodrigo Silva, Santa Rita de Ouro Preto, Santo Antônio do Leite, Santo Antônio do Salto e São Bartolomeu.

Figura 10 - Distritos do município de Ouro Preto e sua sede urbana

Fonte: Autor.

Conforme já mencionado, a metodologia desta pesquisa aplicou-se a 13 regiões do município de Ouro Preto, sendo 12 áreas urbanas pertencentes a cada distrito mais a sede municipal. A caracterização quantitativa do município de Ouro Preto encontra-se detalhada na Tabela 4, todas as informações nela contidas estão pautadas nas divulgações elaboradas pelo

69 Censo IBGE 2010. A população residente no município, em 2010, era de 70281 habitantes e sua área total equivale a 1245,53 km², logo, sua densidade demográfica era de 56,427 hab./km². A população urbana do munícipio nesta época era de 61120 habitantes, equivalendo a 86,96% da população total.

Em continuidade, de acordo com o Censo, existem no município 131 setores censitários, sendo que 99 deles são caracterizados como urbanos, sendo esses últimos os estudados nesta pesquisa, de acordo com Figura 11 (a título de melhor visualização, elaborou- se um mapa apenas com os setores da sede municipal, vide Figura 12). Para cada um desses 99 setores censitários foi calculado um valor de ISA, sendo que o ISA geral para a região estudada foi determinado pela média aritmética de todos os setores censitários urbanos dessa região, seguindo o estabelecido no item 5 deste estudo.

A cidade de Ouro Preto – sede municipal – abriga a maior parcela da população urbana ouropretana, 40214 habitantes, equivalendo a 57,22% da população urbana total. A sede é também a região estudada com maior número de setores censitários urbanos, contando com 63, conforme Figura 12.

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Tabela 4 - Dados de cada região estudada

Distrito Sigla (kmÁrea 2) (hab.) Pop.

Densidade demográfica (hab./km²) Pop. em relação ao município (%) nº. setores censitários nº. setores censitários urbanos Pop. urb. (hab.) Pop. urb. em relação à pop. total do distrito (%) Pop. urb. em relação à pop. total do município (%) Pop. urb. em relação à pop. urb. Municipal (%) 1 Amarantina AM 66,36 3577 53,90 5,09 7 4 2384 66,65 3,39 3,90 2 Antônio Pereira AP 119,72 4480 37,42 6,37 8 7 4479 99,98 6,37 7,33 3 Cachoeira do Campo CC 57,46 8923 155,28 12,70 15 12 7637 85,59 10,87 12,50 4 Engenheiro Correia EC 45,57 403 8,84 0,57 2 1 283 70,22 0,40 0,46 5 Glaura GL 71,72 1418 19,77 2,02 5 1 695 49,01 0,99 1,14 6 Lavras Novas LN 42,74 929 21,74 1,32 4 2 828 89,13 1,18 1,35 7 Burnier Miguel MB 196,21 809 4,12 1,15 3 1 233 28,80 0,33 0,38 8 Ouro Preto OP 112,78 40916 362,79 58,22 68 63 40214 98,28 57,22 65,80 9 Rodrigo Silva RS 90,34 1080 11,96 1,54 2 1 724 67,04 1,03 1,18

10 Santa Rita de Ouro Preto SRT 185,66 4243 22,85 6,04 7 2 1432 33,75 2,04 2,34

11 Santo Antônio do Leite SAL 37,81 1705 45,10 2,43 4 3 1564 91,73 2,23 2,56

12 Santo Antônio do Salto SAS 57,76 1068 18,49 1,52 3 1 480 44,94 0,68 0,79

13 Bartolomeu São SB 161,40 730 4,52 1,04 3 1 167 22,88 0,24 0,27

Total 1245,530 70281 56,427 100,00 131 99 61120 - 86,965 100,00

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Figura 11 - Setores censitários de cada região estudada

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Figura 12 - Setores censitários da cidade de Ouro Preto

73 O sistema de abastecimento de água do município é administrado por uma autarquia municipal de direito público denominada Serviço Municipal de Água e Esgoto de Ouro Preto (Semae), criada em 2005. Dados do PMSB-OP indicam que o referido sistema conta com pontos de captação superficial e subterrânea e seis estações de tratamento de água (ETA), nas quais o tratamento é feito da forma convencional (coagulação, floculação, decantação, filtração e desinfecção) com uma capacidade de tratar, aproximadamente, 283 L/s, Tabela 5. Nos outros pontos de captação o tratamento é feito apenas com adição de pastilha tricloro. A Tabela 5 apresenta de forma detalhada informações a respeito dos principais sistemas de abastecimento de água pertencentes a cada região estudada, especificando a vazão de abastecimento e a classificação do corpo d’água superficial utilizado para o abastecimento, segundo o que determina a Resolução Conama n°. 357 de 17 de março de 2005. Em continuidade, no município ainda não existe a hidrometação, fato que impede a determinação do consumo de água per capita, sendo este número estimado de 450 L/hab.dia, muito superior ao que é preconizado pela OMS, a qual afirma que um bom valor é de 150 L/hab.dia (PMOP, 2012). A inexistência de hidrometação associada às antigas tubulações passíveis de vazamentos são os fatores que contribuem para o alto valor apresentado.

Tabela 5 – Principais sistemas de abastecimento de água do município de Ouro Preto

Distrito Abastecimento Tipo de captação (Classe Conama n°. 357/2005) Vazão (L/s) Vazão total (L/s)

Amarantina ETA Amarantina Superficial (2) 18,00 18,00

Antônio

Pereira ETA Antônio Pereira Superficial (1) 20,00 20,00

Cachoeira

do Campo ETA Funil (Parcialmente)¹ ETA Vila Alegre Superficial (2) Superficial (2) 36,00 46,30 82,30

Engenheiro

Correia Poço II Poço I Subterrânea Subterrânea 1,09 1,16 2,25

Glaura

ETA Funil (Parcialmente)¹ Poço I Poço II Poço III Poço IV Captação superficial Superficial (2) Subterrânea Subterrânea Subterrânea Subterrânea Superficial (2) 4,21 1,39 1,39 2,71 1,66 1,94 13,30 Lavras Novas Fonte Poço Captação superficial I Captação superficial II Subterrânea Subterrânea Superficial (2) Superficial (2) 0,33 0,55 3,80 1,00 5,68 Miguel

Burnier Poço Subterrânea 8,00 8,00

Ouro Preto Itacolomi Sistema

ETA Itacolomi Superficial (Especial) 85,00

91,60 202,30 Captações Saramenha e Nossa Senhora do Carmo/Pocinho Superficial (2) 6,60

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Distrito Abastecimento Tipo de captação (Classe Conama n°. 357/2005) Vazão (L/s) Vazão total (L/s)

Sistema Jardim Botânico

ETA Jardim

Botânico Superficial (Especial) 64,00 110,70

Captações

subterrâneas Subterrânea 46,70

Rodrigo

Silva Superficial Poço Superficial (2) Subterrânea 5,00 5,00

Santa Rita de Ouro Preto Poço I Poço II Poço II Superficial I Superficial II Superficial III Superficial IV Subterrânea Subterrânea Subterrânea Superficial (2) Superficial (2) Superficial (2) Superficial (2) 8,00 8,00 8,00 2,00 1,40 1,50 1,50 30,40 Santo Antônio do Leite

ETA Funil (Parcialmente)¹

Captação superficial Superficial (2) Superficial (2) 9,49 * 9,49

Santo Antônio do Salto Superficial I Superficial II Superficial III Superficial (2) Superficial (2) Superficial (2) 4,00 3,00 0,11 7,11 São Bartolomeu Poço I Poço II Captação superficial Subterrânea Subterrânea Superficial (2) 1,00 2,60 2,16 5,76 Fonte: Autor.

¹ Verificar distribuição da vazão de abastecimento da ETA Funil na Tabela 6. * Informação indisponível.

O Semae foi o órgão responsável por comunicar qual a classe dos corpos d’água superficiais utilizados para o abastecimento. Nas situações em que a autarquia não possuía essa informação, enquadrou-se o corpo d’água na Classe 2, conforme recomendado no Art. 42 da Resolução Conama n°. 357/2005.

Como visto na Tabela 5, a sede municipal é abastecida por dois sistemas abastecimento, Jardim Botânico e Itacolomi. Esses são os responsáveis por abastecer grande parcela da população urbana do município (40.214 habitantes, 65,80% da população urbana, conforme Tabela 4) dividindo a distribuição da água tratada pelos bairros da cidade. Basicamente, os bairros localizados à margem esquerda do Ribeirão do Funil (Córrego da Barra) recebem águas provenientes do Sistema Jardim Botânico, aqueles localizados à direita recebem águas do Itacolomi. A exceção é o bairro Santa Cruz, que também recebe águas desse último, embora esteja localizado na margem esquerda do Ribeirão. Por fim, o bairro Saramenha possui um sistema próprio de abastecimento, no entanto, por indisponibilidade de dados, esse bairro foi considerado abastecido pelo Sistema Itacolomi. O Quadro 20 apresenta o atendimento dos bairros pelos sistemas citados, bem como a população abastecida por cada um deles.

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Quadro 20 - Bairros abastecidos pelas ETAs da sede municipal

Sistema (L/s) Bairros População (hab.)

Jardim Botânico (110,70)

Água Limpa, Alto da Cruz, Alto das Dores, Antônio Dias, Cabeças, Centro, Morro da Queimada, Morro Santana, Morro São João, Morro São Sebastião, Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora de Lourdes, Padre Faria, Pilar, Rosário, São Cristóvão,

Taquaral, Vila São José e Barra (margem esquerda Ribeirão do Funil)

28.022

Itacolomi (91,60)

Bauxita, Nossa Senhora do Carmo, Novo Horizonte, Santa Cruz, Saramenha, Vila Aparecida, Vila dos Engenheiros, Vila Itacolomy, Vila

Operária e Barra (margem direita Ribeirão do Funil) 12.192

Fonte: Autor.

Ainda analisando a Tabela 5, nota-se que a ETA Funil é responsável por abastecer parcialmente os distritos de Cachoeira do Campo, Glaura e Santo Antônio do Leite. A ETA em questão tem vazão de 60,00 L/s (PMOP, 2012) e de acordo com o Semae não existe um estudo especificando qual a parcela dessa vazão é destinada a cada um desses distritos. Visando reparti-la de forma fidedigna entre essas regiões, adotou-se a população urbana de cada uma delas como critério de distribuição da vazão. Desta forma, cada um dos distritos citados conta com vazão de abastecimento proveniente da ETA Funil apresentada pela Tabela 6.

Tabela 6 - Vazão de abastecimento dos distritos abastecidos pela ETA Funil

ETA Funil Vazão de 60,00 L/s

Distrito Pop. urbana (hab.) Pop. urb. em relação a Pop. urb. total (%) Vazão de abastecimento (L/s)

Cachoeira do Campo 7.637 77,17 46,30

Glaura 695 7,02 4,21

Santo Antônio do Leite 1.564 15,81 9,49

Total 9.896 100,00 60,00

Fonte: Autor.

Continuando neste assunto, o distrito de Cachoeira do Campo é abastecido por duas ETAs (Funil e Vila Alegre), vide Tabela 5, o Semae, no entanto, não possui registro de quais os bairros do distrito é abastecido por cada ETA. Sendo assim, os bairros dessa região não foram divididos de acordo com a ETA que os abastece, conforme foi realizado para a sede municipal. Para efeito dos cálculos que serão apresentados no item 7.2.1, considerou-se a soma das vazões da ETAs Funil e Vila Alegre para abastecimento de todo o distrito.

No que diz respeito ao esgoto sanitário do município ouropretano, sabe-se que também é o Semae o órgão responsável para lidar com as questões pertencentes a esse serviço. Conforme visto no item 6 deste estudo, a cidade de Ouro Preto conta com um dos mais antigos sistemas de tratamento de esgotos do Brasil, datado de 1890. Esse pioneirismo, no entanto, não avançou e a Cidade ficou estagnada apenas com aquelas antigas construções e lançando o esgoto doméstico diretamente em seus cursos d’água, conforme visto na Figura 13.

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Figura 13 - Esgoto lançado diretamente em curso d'água na cidade de Ouro Preto

Fonte: Autor.

No ano de 2017, o município conta apenas com uma ETE – localizada no distrito de São Bartolomeu e que trata todo o esgoto gerado pela população local – sendo o restante do esgoto coletado lançado diretamente nos cursos d’água da região. Isto é, as outras 12 localidades do município possuem coleta de esgotos e não contam com o serviço de tratamento do mesmo. Segundo o PMOP (2012), está sendo construída na sede municipal uma ETE denominada Osso de Boi que contará com Reatores Anaeróbios de Fluxo Ascendente (RAFA), tanques de filtragem, decantadores e leito de secagem. Em 2013 a ETE possuía 35% de suas obras concluídas, no entanto, já em agosto de 2017 encontrava-se em estado de abandono e sem sinais de avanços em suas instalações, conforme Figura 14.

Figura 14 - ETE Osso de Boi localizada na cidade de Ouro Preto

Fonte: Autor.

Por fim, analisando outro componente do saneamento ambiental ouropretano, tem-se que é a Secretaria Municipal de Meio Ambiente a responsável pelo manejo dos resíduos

77 sólidos urbanos por meio de contratação via licitação de empresas terceirizadas. A geração

per capita de resíduos no munícipio é de 0,70 kg/hab.dia. “Vale ressaltar que nem a empresa

nem a prefeitura municipal faz com periodicidade o levantamento gravimétrico dos resíduos sólidos do município, dificultando uma melhor abordagem sobre o tema” (PMOP, 2012, p 270). O município conta com o serviço de coleta de resíduos (exceto as áreas rurais) e deixa a desejar no que se refere ao tratamento. A disposição final dos resíduos é realizada em setor censitário rural da sede municipal, chamado de Aterro de Marzagão na Fazenda de Rancharia. Quando foi projetada, em 1996, a área se destinava a receber 100% dos resíduos sólidos urbanos do município e operava de acordo com as peculiaridades de um aterro controlado, contudo, com o passar dos anos, as características operacionais que lhe eram pertinentes foram abandonadas, sendo que atualmente a área é operada como um lixão. O projeto inicial previa que as operações se encerrassem em 2016, no entanto ainda prosseguem. Desta forma, o município não conta com um aterro sanitário para dispor de maneira correta seus resíduos sólidos urbanos, dispondo-os em lixão. Tal fato é comprovado pelo estudo de FEAM (2016) em um documento que apresenta o panorama da destinação final dos resíduos sólidos urbanos no Estado de Minas Gerais. No entanto, a administração pública6 local aparenta estar preocupada com os benefícios oriundos de um bom gerenciamento dos RSU estampando em pontos de coletas a frase “O desenvolvimento começa com uma cidade limpa”, conforme Figura 15.

Figura 15 - Compartimento de coleta de RSU disposto na cidade de Ouro Preto

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7 RESULTADOS

Os resultados dessa pesquisa encontram-se detalhados nos tópicos a seguir. No entanto, considera-se que os dados obtidos com a revisão bibliográfica realizada para baseá-la também podem ser considerados como resultados da mesma. Especificamente os itens 4.5.2, 4.5.3, 4.5.4 e 4.6 demonstraram resultados qualitativos e quantitativos a respeito da utilização do ISA no Brasil durante os 17 anos subsequentes à sua elaboração pelo Conesan. Os resultados apresentados nos tópicos a seguir tratam-se exclusivamente da formulação do ISA para as áreas urbanas do município de Ouro Preto, o ISA/OP.