3. Metodologia de Pesquisa: primeiros passos
3.2. Avançando os passos: Metodologia de Pesquisa
3.2.1. Procedimentos para coleta de dados da entrevista
Para coletar as informações relacionadas às entrevistas com os professores de Cálculo, utilizaremos como procedimento metodológico a entrevista semiestruturada. A escolha por essa metodologia será apreciada por oferecer mais liberdade para adaptações e permitir registrar detalhes de experiências pessoais (LUDKE; ANDRÉ, 1986).
E também tendo em vista que:
A entrevista semiestruturada se desenrola a partir de um esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessárias adaptações; são esquemas mais livres, menos estruturados, ou seja, com base num roteiro, mas com grande flexibilidade; é preciso ter um clima de confiança, para que o informante se sinta à vontade para se expressar livremente (LUDKE; ANDRÉ, 1986, p. 34-35).
De acordo com Goldenberg (2003) são destacadas as seguintes vantagens de uma entrevista:
Pode coletar informações de pessoas que não sabem escrever; As pessoas têm maior paciência e motivação para falar do que para escrever; Maior flexibilidade para garantir a resposta desejada; Pode-se observar o que diz o entrevistado e como diz, verificando as possíveis contradições; Instrumento mais adequado para a revelação de informação sobre assuntos complexos, como as emoções; Permite maior profundidade; Estabelece
uma relação de confiança e amizade entre pesquisador e pesquisado, o que propicia o surgimento de outros dados (GOLDENBERG, 2003, p. 88).
Consequentemente, esses apontamentos norteiam a questão central da pesquisa, em buscarmos por meio da entrevista compreender a prática do professor de Cálculo, enfatizando suas estratégias para o ensino e aprendizagem da disciplina.
Desta maneira, dividimos a entrevista com os professores em quatro momentos: 1) Sua formação acadêmica e suas experiências como professor de Cálculo; 2) Suas estratégias de ensino e aprendizagem para as aulas de Cálculo; 3) Seus conjuntos de estratégias para utilização de recursos tecnológicos e; 4) Reflexões sobre um novo modo de se fazer matemática através das tecnologias móveis.
Cada momento decorre por um grupo de perguntas a serem investigadas. Essas perguntas estabelecem ao que chamamos de roteiro (anexo A), de forma a organizar o delineamento da entrevista para que nenhum indício revelador passe despercebido. Assim, as entrevistas utilizadas nesta pesquisa contam com a utilização de um roteiro que possibilita adaptações convenientes, uma vez que cada entrevista é única no sentido de que respeita a individualidade dos entrevistados (GOLDENBERG, 2003; LUDKE; ANDRÉ, 1986).
Neste conjunto de estratégias utilizadas pelos professores, pretendemos na perspectiva didático-pedagógica investigar, interpretar e evidenciar formas de ensinar e aprender os conceitos de Cálculo, dentro de sua prática relacionada ou não com as TIC, objetivando mostrar as possíveis influências, limites e potencialidades nos processos de ensinar e aprender Cálculo (ESCHER, 2011).
As entrevistas foram realizadas com professores de instituições públicas e particulares da região metropolitana de Belo Horizonte, no Estado de Minas Gerais. A seleção dos professores foi realizada por meio de conhecidos professores, por indicação de outros professores e por meio de programas de Graduações e Pós- graduações dessas Universidades e Faculdades públicas ou privadas. Os primeiros contatos foram realizados por meio de telefonemas, e-mails e chats (Skype e
WhatsApp).
Com o convite de aceitação pelos professores, marcamos horários e locais para a realização da entrevista. Todas as entrevistas acabaram sendo realizadas no próprio local de trabalho dos professores. Antes de iniciarmos a
entrevista, primeiramente expomos com mais detalhes através de uma carta (encontra-se no anexo C) o motivo de sua realização e informando ao professor entrevistado que todos os dados coletados, antes de qualquer utilização, seriam transcritos e enviadas ao professor por meio de seu e-mail para ciência dos fatos registrados – não tendo controvérsias nas transcrições – comprometendo também total sigilo da identidade do professor entrevistado.
Após este momento iniciamos a entrevista com as seguintes questões norteadoras: Qual sua formação acadêmica? Em quais instituições já lecionou? Há quanto tempo leciona a disciplina de Cálculo? Para quais cursos leciona/lecionou a disciplina de Cálculo? Participa de grupos de pesquisa ou troca informações com outros professores sobre o ensino e aprendizagem do cálculo?
Nesse contexto, nosso intuito é o de conhecer o professor entrevistado, desse modo buscamos compreender suas experiências, como também suas concepções relacionadas com a disciplina de Cálculo no decorrer de sua carreira.
Por essas concepções, num segundo momento da entrevista abordamos a compreensão das estratégias de ensino e aprendizagem utilizadas pelos professores, sendo assim utilizamos as seguintes perguntas: Como suas aulas são preparadas? Quais recursos utilizam para elaboração de sua sequência didática? Quais ferramentas ou recursos utilizam durante as aulas? Preparam listas de exercícios? O que pensa sobre essas listas de exercícios? Qual objetivo essas listas têm aos estudantes? Qual sua opinião sobre os exercícios do tipo calcule?
A preocupação em investigar as listas de exercícios vem da predominância em quase todos os cursos de Cálculo Diferencial e Integral, e de ser um forte instrumento de estratégias para seu ensino e aprendizagem, sendo considerada como uma das soluções mais “normais” pelos professores (REZENDE, 2003).
Assim, será possível verificar como essas listas são elaboradas, o que os professores pensam sobre elas e quais objetivos tem aos estudantes na resolução dessas listas. Podendo ser mais uma contribuição para o entendimento de tanta reprovação dos estudantes, pelo fato que em um curso de cálculo, predominasse bastante exercícios procedimentais, de algebrização e mecanização de técnicas,
como são comentados em pesquisas de Araújo (2002), Barbosa (2004), Domenico (2004), Reis (2001) e Rezende (1994, 2003).
No terceiro momento buscou-se investigar relatos sobre as técnicas didáticas através das tecnologias para o ensino e aprendizagem de Cálculo em sua prática. Segundo Escher (2011), com a introdução, disseminação e apropriação das tecnologias digitais em nossa sociedade, tem havido uma utilização maior da informática e da automação nos meios de produção e de serviços, gerando novos comportamentos e novas ações humanas.
Devido a este fato, por esses aspectos relacionados aos objetos tecnológicos, procuramos verificar nos relatos dos professores os seguintes pontos: Quais recursos tecnológicos você utiliza durante suas aulas? Se sim, utiliza algum software? Qual objetivo tem ao utilizar esses recursos? Quais as vantagens e desvantagens presenciam em sua utilização? O que você pensa sobre as tecnologias no ensino e aprendizagem de Cálculo? E, caso o professor entrevistado não demonstre algum uso de recursos tecnológicos em suas estratégias de ensino e aprendizagem, por quais motivos não os utiliza?
No quarto momento da entrevista procuramos identificar suas reflexões ao meio da explosão tecnológica digital móvel em que se pode presenciar. Assim, buscamos compreender o que professores acham e pensam sobre o impacto dessas novas formas de se ensinar e aprender matemática através dos recursos móveis (smartphones, tablets).
Neste intuito procuramos investigar: O que você pensa sobre instrumentos como smartphones e tablets na sociedade e na Educação? O que você pensa sobre os aplicativos desenvolvidos para matemática? Conhece algum aplicativo que realiza operações matemáticas? O que você pensa sobre esse novo modo de fazer cálculos matemáticos? O que você acha que pode acontecer com o ensino de Cálculo se essa nova técnica evoluir? O que pensam sobre as listas de exercícios do tipo calcule agora que usufruímos desta nova técnica?
Mediante os depoimentos dos professores de Cálculo poderemos confirmar “se os educadores estão atentos para essas novas formas do saber humano, novas formas de gerar e dominar o conhecimento” através das tecnologias da informação e comunicação (MISKULIN apud ESCHER, 2011, p. 53).
Somando-se a isso, acreditamos também que as entrevistas nos forneceram dados importantes sobre a formação dos professores, suas estratégias educacionais e suas crenças sobre essa nova forma de se fazer matemática a partir das Tecnologias da Informação e Comunicação. Além de verificarmos sobre a frequente mudança nos cursos de Cálculo que estão perdendo o foco na reflexão crítica da conceituação e se tornando cursos mais voltados à aplicação e desenvolvimento de padrões algébricos, em conhecimentos procedimentais (REIS, 2001).