3 MÉTODO E PROCEDIMENTOS DA PESQUISA
3.2 PROCEDIMENTOS PARA COLETA E ANÁLISE DOS DADOS
Com o intuito de melhor apresentar os procedimentos utilizados na pesquisa para coleta e análise dos dados em cada uma de suas etapas, mostra-se o Quadro 6.
Coleta Análise - Documentos (informações disponíveis na homepage)
- Documentos (Roteiro padrão para ingresso no MIDI)
- Entrevista semi-estruturada com a gerente da incubadora - Análise de conteúdo - Entrevista semi-estruturada com a gerente da incubadora - Análise de conteúdo - Questionário aplicado aos incubados (escala Likert) - Tabulação dos dados
do questionário - Entrevista não-estruturada com a gerente da incubadora - Análise de conteúdo - Questionário aplicado aos incubados (perguntas abertas e
fechadas)
- Tabulação dos dados do questionário
- Documentos (Plano de negócios)
- Documentos (controles internos da incubadora)
Árvores de pontos de vista Contrução de descritores
Determinação das taxas de compensação
- Entrevista semi-estruturada com a gerente da
incubadora e com os gestores das incubadas - Análise de conteúdo Impacto das ações e avaliação global
MCDA-C Fase de Elaboração de
Recomendações
Elaboração das recomendações
- Análise documental
Relação incubadora x empreendedorismo x desenvolvimento local
Abordagens soft para estruturação (compreensão do contexto decisório) MCDA-C
Fase de Estruturação
Perfil das empresas incubadas e das equipes de trabalho das mesmas
MCDA-C Fase de Avaliação
Construção de escalas de preferências locais Histórico e objetivos da incubadora
Fases do processo de incubação no MIDI
A gestão no MIDI e o perfil da gerente da incubadora Processo seletivo para ingresso na incubadora
- Análise documental
Quanto aos procedimentos de coleta dos dados, salienta-se sua diversidade em função da necessidade de adequação à finalidade de cada uma das etapas da pesquisa. A observação não participante, do tipo assimétrica, foi utilizada durante todo o desenvolvimento da pesquisa para melhor conhecimento e compreensão da rotina dinâmica da incubadora analisada e como subsídio à elaboração do modelo concebido, especialmente nas fases de estruturação e de avaliação, com o intuito de facilitar o processo de desenvolvimento da constução dos modelos – incubadora e incubadas - junto com os decisores, no caso a coordenadora da incubadora e os gestores das incubadas. Segundo Richardson (1999), nesse tipo de observação o investigador atua como “espectador atento”, baseado nos objetivos da pesquisa e procura ver e registrar o máximo de ocorrências em um roteiro de observação ou diário de campo. A observação na pesquisa é do tipo assimétrica porque é “mais livre, sem fichas ou livro de registro, embora tenha de cumprir as recomendações do plano de observação que deve estar determinado pelos objetivos da pesquisa” (RICHARDSON, 1999, p. 261).
No que se refere às entrevistas utilizadas na pesquisa, essas foram de dois tipos, não estruturada e semi-estruturada. O primeiro tipo, também conhecida como entrevista em profundidade, foi empregada num primeiro momento para a obtenção de informações detalhadas sobre o processo de gestão na incubadora analisada por intermédio de sua gerente. Conforme Richardson (1999, p. 208), esse tipo de entrevista, “em vez de responder à pergunta por meio de diversas alternativas pré-formuladas, visa obter do entrevistado o que ele considera os aspectos mais relevantes de determinado problema”. O autor ainda lembra que “a entrevista não estruturada procura saber que, como e por que algo ocorre, em lugar de determinar a freqüência de certas ocorrências, nas quais o pesquisador acredita” (RICHARDSON, 1999, p. 208). Já a entrevista semi-estruturada, foi empregada em praticamente todas as fases da pesquisa, partindo de alguns questionamentos básicos e
buscando apoiá-los em pressupostos teóricos sobre os respectivos assuntos. Nogueira-Martins e Bógus (2004, p. 50) esclarecem que as “perguntas fundamentais que constituem, em parte, a entrevista semi-estruturada, são resultado não só da teoria que alimenta a ação do investigador mas, também, de toda a informação que ele já recolheu sobre o fenômeno que interessa”. Observe-se que onde se lê “entrevista semi-estruturada” entenda-se uma série de interações entre a facilitadora (autora da pesquisa) e a gerente da incubadora ou gestores das EBTs incubadas nas diversas etapas do processo de geração de conhecimento.
No que tange aos questionários aplicados aos sócios-proprietários e/ou gestores das empresas incubadas, em um deles as questões foram dispostas ao longo de um continuum em uma escala do tipo Likert. Por meio deste questionário (APÊNDICE C) buscou-se compreender as razões das EBTs para o ingresso na incubadora e as vantagens da participação do processo de incubação, com vistas a investigar a importância da incubadora no empreendedorismo. Com a aplicação do segundo questionário (APÊNDICE D), com perguntas abertas e fechadas, buscou-se conhecer a percepção dos empreendedores das empresas incubadas a respeito da gerente da incubadora. Torna-se importante ressaltar que todas as 14 empresas incubadas responderam aos questionários e os mesmos foram considerados válidos.
Destaca-se ainda que além da observação não participante assimétrica, das entrevistas e dos questionários aplicados na pesquisa, vários documentos também serviram de fonte de informações para a consecução dos objetivos propostos na pesquisa, entre eles: os planos de negócios das empresas incubadas, o roteiro de avaliação de propostas para ingresso na incubadora (ANEXO A), informações disponíveis na homepage da incubadora, além de outros relatórios de controle interno da incubadora.
Sobre o processo de análise dos dados, Gil (1999, p. 166) relata que “a análise tem como objetivo organizar e sumariar os dados de forma tal que possibilitem o fornecimento de
respostas ao problema proposto para investigação.” Para a análise dos resultados quantitativos, o tratamento dos dados envolveu a elaboração de tabelas e figuras e algumas técnicas estatísticas simples, conforme preconiza Richardson (1999). No cálculo do Ranking Médio (RM), utilizou-se o método de análise de escala tipo Likert apresentado por Malhotra (2001), utilizado por Tresca e De Rose Jr. (2000), Bubadra, Maçada e Rios (2005) e Barbosa e Campanhol (2006). O Desvio Padrão (DP) foi utilizado para avaliar a dispersão do conjunto de valores em análise. Barbetta (2001, p. 102-103) comenta que ao comparar os DPs de vários conjuntos de dados “podemos avaliar quais se distribuem de forma mais (ou menos) dispersa. O desvio padrão será sempre não negativo e será tão maior quanto mais disperso forem os valores observados”.
Já na análise qualitativa dos resultados, as técnicas utilizadas foram basicamente a análise de conteúdo (content analysis) e a análise documental. A análise de conteúdo, de acordo com Martins e Lintz (2000, p. 55), consiste em “uma técnica para estudar e analisar a comunicação de maneira objetiva, sistemática e quantitativa”. Freitas e Janissek (2000, p. 37) comentam que a análise de conteúdo “é um método de observação indireto, já que é a expressão verbal ou escrita do respondente que será observada.” Seu objetivo é “a manipulação de mensagens (conteúdo e expressão desse conteúdo), para evidenciar os indicadores que permitam inferir sobre uma outra realidade que não a da mensagem” (BARDIN, 1979, p. 46). A análise documental feita, em linhas gerais, inicia-se de forma qualitativa, por meio de leitura e interpretação das mensagens dos textos e prossegue de forma quantitativa, a partir da codificação e quantificação das informações observadas, possibilitando análises quantitativas. Uma distinção entre a análise de conteúdo e a documental é apontada por Richardson (1999): enquanto a análise documental trabalha sobre os documentos, a análise de conteúdo trabalha sobre as mensagens.
Na seqüência apresenta-se o instrumento de intervenção utilizado para a realização desta pesquisa.