QUESTÃO DE PESQUISA
3.5. Procedimentos para coleta e tratamento das informações
Apresentamos, a seguir, os procedimentos adotados para coleta e tratamento das informações coletadas nas entrevistas, nos grupos focais e nos documentos.
Entrevistas com Coordenadores de Área de Subprojetos PIBID/CAPES/UFSM
Como afirmado em seção anterior, nossa entrevista era de tipo estruturada, ou seja, com roteiro. Esse roteiro (apêndice 04) era composto por cinco blocos, totalizando trinta e quatro questões. Os blocos eram compostos pelos seguintes itens:
o Bloco I: Ações previstas para o desenvolvimento do subprojeto;
o Bloco II: Ações desenvolvidas no âmbito do subprojeto;
o Bloco III: Relações entre o subprojeto e os cursos de licenciatura correspondentes;
o Bloco IV: Relações entre o subprojeto e as escolas públicas de educação básica;
o Bloco V: Exercício da docência na educação básica.
Após a elaboração e a revisão do roteiro para entrevista, entramos em contato com a Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da UFSM, órgão responsável pelo PIBID na universidade, para solicitar os nomes e os contatos de cada Coordenador de Área das edições PIBID em andamento na UFSM. De posse
dessas informações, entramos em contato, via telefone de trabalho, com tais coordenadores. Dos dezenove (19) Coordenadores de Área, optamos por não realizar a entrevista com dois deles, pois ambos já conheciam os objetivos desta pesquisa (um deles é orientador deste trabalho e o outro foi membro da banca examinadora do Projeto de Dissertação). Dos dezessete (17) coordenadores, conseguimos contatar, via telefone, dez (10) deles. Todos aceitaram participar da pesquisa concedendo entrevista. Para os outros sete (07) coordenadores que não conseguimos contato através de telefone, enviamos email convidando para participar da entrevista. Apenas um deles respondeu o email e aceitou realizar a entrevista.
Realizamos a entrevista na própria sala de trabalho do professor, na universidade. Com autorização do entrevistado, gravamos a entrevista, para posterior transcrição. Todas as entrevistas foram realizadas e transcritas pela autora deste trabalho. Após, enviamos a transcrição ao entrevistado para concordância dessa transcrição. Após a concordância e/ou revisão, foi assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice 05). Vale destacar que alguns dos entrevistados revisaram a transcrição, suprimindo algumas informações declaradas na entrevista. Porém, a maioria dos entrevistados não fez esse tipo de revisão.
Na etapa de devolução da transcrição da entrevista pelos sujeitos da pesquisa não tivemos o retorno de um dos entrevistados. Após alguns contatos com esse sujeito, o mesmo afirmou que enviaria a revisão da transcrição, mas não tivemos retorno e, dessa maneira, não pudemos utilizar sua entrevista. Portanto, nossa amostra final constitui-se de dez (10) Coordenadores de Área de Subprojetos PIBID/UFSM12.
De posse da versão final das transcrições das 10 entrevistas, fizemos uso do método da Teoria Fundamentada, o qual é utilizado tanto em pesquisa qualitativa quanto quantitativa. Esse método se baseia em diretrizes sistemáticas, mas flexíveis, para “coletar e analisar os dados visando à construção de teorias “fundamentadas” nos próprios dados (...). Assim, os dados formam a base da nossa teoria, e a nossa análise desses dados origina os conceitos que construímos” (CHARMAZ, 2009, p.15).
Para esse autor, as etapas da teoria fundamentada consistem em:
1. Estudo inicial das informações: consiste em separar, classificar e sintetizar esses dados por meio da codificação. A codificação consiste em elencar palavras-chave que representam fragmentos de texto que está sendo analisado; pode ser realizada palavra por palavra, linha a linha ou incidente por incidente;
2. Elaboração de memorandos: consiste em elaborar anotações analíticas preliminares sobre a codificação, elaborar comparações ou mesmo qualquer ideia sobre aquelas informações;
3. Elaboração de categorias analíticas provisórias: mediante a realização das etapas anteriores, definimos as ideias que melhor se ajustam e interpretam as informações coletadas;
4. Construção de níveis de abstração: quanto mais avançamos na análise, as categorias tornam-se mais sistematizadas. Essas categorias analíticas e as relações delas fornecem um instrumento conceitual sobre a experiência estudada. Assim, constroem-se níveis de abstração diretamente das informações coletadas e, posteriormente, reunimos dados adicionais para verificar e refinar nossas categorias. O trabalho culmina em uma “teoria fundamentada”, ou seja, em uma compreensão teórica da experiência estudada.
Para operacionalização da teoria fundamentada, elaboramos um quadro, de modo a fazermos as sínteses das respostas às questões do roteiro da entrevista e, posteriormente, a codificação inicial. Tais quadros foram construídos com quatro colunas: 1) Código do sujeito da entrevista; 2) Trecho da resposta do sujeito na íntegra; 3) Resumo do trecho; 4) Categoria inicial.
Todos os quadros encontram-se em apêndices, sendo cada um deles trazido conforme a apresentação dos resultados das questões de pesquisa. Optamos por fazer a codificação “incidente por incidente”, de modo a marcar e sintetizar as ideias principais contidas em um episódio/incidente da fala do entrevistado.
Grupos Focais com Bolsistas de Iniciação à Docência participantes de Subprojetos PIBID/UFSM
Ao final das entrevistas com Coordenadores de Área era exposta a pretensão de realização de grupo focal com os bolsistas de graduação participantes do subprojeto. Os Coordenadores de Área indicaram abertura para a realização desse procedimento. Então, após a realização e a transcrição das entrevistas, contatamos novamente os Coordenadores de Área para avaliar a possibilidade de realização dos grupos focais. Como esse contato foi, de certa forma, tardio, ou seja, no findar do ano (2013), tivemos alguns problemas na realização desse instrumento de coleta, visto que todos os Subprojetos estavam encerrando suas atividades e deveriam elaborar relatórios. Além disso, vários bolsistas estavam finalizando seus Cursos de Licenciatura, tendo pouco ou nenhum tempo para participação do grupo focal.
Assim, nossa amostra final foi de quatro (04) grupos focais, sendo cada grupo de um Subprojeto diferente, totalizando a participação de vinte e oito (28) licenciandos. Desses licenciandos, 26 são bolsistas e 02 deles são voluntários no subprojeto, sendo um deles da graduação e outro deles professor de escola de educação básica, ambos de um mesmo subprojeto.
A realização dos grupos focais tiveram duas configurações diferentes: em dois desses grupos tivemos uma participação maior de bolsistas, pois o grupo focal foi realizado no horário de reunião do próprio subprojeto. Nesses grupos, a participação foi de 12 bolsistas em um grupo e 10 bolsistas no outro grupo. Cada encontro durou, em média, uma hora e quarenta minutos. Nos dois outros grupos focais tivemos uma participação bem menor, com 03 bolsistas cada grupo, pois tivemos que agendar a coleta de informações fora do horário dos bolsistas no subprojeto, o que motivou a falta de muitos bolsistas (alguns chegaram a marcar presença, mas não compareceram no horário marcado).
Os encontros duraram, em média, uma hora cada um. Conseguimos, ainda, agendar com mais um grupo de bolsistas de um quinto subprojeto, mas não foi possível a coleta, visto que os bolsistas alegaram ter esquecido e marcado outras atividades nos horários agendados.
Para a realização dos grupos focais adotamos os mesmos procedimentos das entrevistas: elaboramos um roteiro (Apêndice 06), composto por dez questões orientadoras do debate. Com o consentimento dos participantes, gravamos o encontro. Após, realizamos a transcrição, enviamos para os participantes de modo a revisar suas falas. Posteriormente, assinamos o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido13.
Para o tratamento das informações coletadas nos quatro grupos focais utilizamos o mesmo método da entrevista, ou seja, a teoria fundamentada (CHARMAZ, 2009).
Roteiro para análise textual dos Subprojetos PIBID/UFSM e para textos relativos à programação de eventos realizados no âmbito dos Cursos de Licenciatura envolvendo o PIBID
Entendemos que para a realização de análise de documentos, é necessário elaborar roteiros, de modo que esses auxiliam na precisão de “o que captar no documento”. Para isso, pode-se: 1) elaborar categorias a priori, ou seja, elencar itens de análise antes mesmo de ler o documento; 2) elaborar categorias a posteriori, quando lemos um documento e depois elaboramos os itens para análise; ou ainda 3) elencar alguns itens a priori e, após a leitura, caso necessário, elencar e/ou modificar itens.
Para a análise dos dois tipos de documentos (Textos dos Subprojetos de cada Área Disciplinar PIBID/CAPES/UFSM e textos relativos à programação de eventos realizados no âmbito dos Cursos de Licenciatura e que envolveram Subprojetos PIBID/CAPES/UFSM), elaboramos as categorias a posteriori. Ou seja, lemos o documento, elencamos os itens e, após, voltamos nos documentos para identificar e sintetizar as informações referentes àqueles itens. Os roteiros, assim como o preenchimento deles, encontram-se no próprio texto da Dissertação, em
forma de quadros, no decorrer da apresentação dos resultados das questões de pesquisa.
O capítulo a seguir apresenta as constatações e os resultados da pesquisa, construídos a partir das informações coletadas com os sujeitos e os documentos já citados.
Apresentamos, primeiramente, o perfil dos sujeitos da pesquisa: Coordenadores de Área e Bolsistas de Iniciação à Docência de Subprojetos PIBID/CAPES/UFSM e breve caracterização dos Subprojetos investigados. Após, discutimos as constatações e os resultados da pesquisa desenvolvida referente a cada uma das questões de pesquisa. Ao final do capítulo, como resultado da articulação das respostas a cada questão de pesquisa, discutimos e respondemos o problema de pesquisa.
4.1. O Perfil dos sujeitos participantes da pesquisa (Coordenadores de Área