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Finalizada a etapa preliminar para a análise documental, realizamos a (re)construção das partes, a fim de compreender o material como um todo (CELLARD, 2010), como descrito e apresentado ao longo do capítulo 4.

Para proceder à tabulação dos dados empíricos obtidos pelas questões fechadas do questionário, empregamos como instrumento o software SPSS (Statistical Package for the Social Sciences)16. Esse software de análise estatística foi utilizado para a contagem de frequência, construção de tabelas e gráficos. Para as questões sobre a constituição da família, as pessoas que residem na mesma casa, a composição da renda e os materiais para uso familiar, foram tabuladas com o Microsoft Excel em razão de sua natureza, não podendo ser tabuladas no SPSS por possuir mais de uma alternativa como possível resposta. Inicialmente, geramos, por meio desses instrumentos, os gráficos e as tabelas com todos os dados e posteriormente, transformamos em dados descritivos para servirem a uma análise qualitativa, de acordo com a abordagem assumida.

Já as respostas obtidas a partir das questões abertas do questionário, o registro presente no Relatório das Observações e as respostas obtidas com a entrevista foram

15 Todas afirmaram possuir judicialmente a guarda da criança.

processadas pela técnica da análise de conteúdo (BARDIN, 2010; FRANCO, 2008) por se tratar de registros com base em questionamentos e respostas frente a perguntas abertas.

Bardin (2010) aponta que a análise de conteúdo significa um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que visa a obter por meio de procedimentos de descrição do conteúdo das mensagens (sistemáticos e objetivos), os indicadores que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e de recepção dessas mensagens.

Esse tipo de análise permite a interpretação, tanto dos documentos oficiais que respaldam a participação dos pais na escola, pelo que foi observado na escola, bem como pelas respostas emitidas pelos pais por meio do questionário e das entrevistas, buscando a triangulação entre esses dados. Pautamo-nos na técnica de análise de conteúdo para tratamento desses dados por serem um tipo de comunicação ou de mensagem, pois conforme sugere Franco (2008, p. 19, grifo nosso), “O ponto de partida da Análise de Conteúdo é a mensagem, seja ela verbal (oral ou escrita), gestual, silenciosa figurativa, documental ou diretamente provocado. Necessariamente, ela expressa um significado, um sentido.”

Em nossa investigação, recorremos à análise categorial, que considera a totalidade de um “texto”, passando pelo crivo da classificação e do recenseamento, segundo a frequência de presença (ou de ausência) de itens de sentido. No caso da análise qualitativa e categorial, Bardin (2010) afirma que a organização da codificação envolve três escolhas: a) o recorte, que compreende a escolha das unidades; b) a enumeração, que diz respeito à escolha da regras de contagem; c) a classificação e a agregação, que se refere à escolha das categorias.

Neste estudo, valemo-nos de que

A categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um

conjunto por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o género (analogia), com os critérios previamente definidos. As categorias são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos [...] sob um título genérico, agrupamento esse efectuado em razão das características comuns destes elementos. [...] (BARDIN, 2010, p. 145).

Conforme a autora, ao fazer uma análise categórica, o pesquisador classifica elementos comuns, permitindo seu agrupamento e a formação de categorias. Vale ressaltar que as categorias de análise das entrevistas estavam pré-estabelecidas devido à fundamentação teórica construída anteriormente.

Dessa forma, o pesquisador procura com base nas categorias estabelecidas, “[...] inferir, [...] extrair uma conseqüência, deduzir de maneira lógica conhecimentos sobre o emissor da mensagem ou sobre o contexto em que esta foi emitida” (FRANCO, 2008, p. 4). Para Bardin (2010, p. 38), “É o método das categorias, espécie de gavetas ou rubricas

significativas que permitem a classificação dos elementos de significação constitutivos da mensagem”. Concordamos com Franco (2008, p. 58), ao afirmar que “Formular categorias, em análise de conteúdo, é, por via de regra um processo longo, difícil e desafiante”.

Com a posse do material, o início do tratamento dos dados da entrevista foi realizado com o auxílio do software Atlas.ti. O software corresponde num instrumento para colaborar com o tratamento de dados qualitativos e auxilia as tarefas de organização e arquivamento do texto (KELLE, 2008). O autor aponta que a partir da codificação, o software reapresenta o texto original em que o código está inserido, cabendo ao pesquisador investigar e interpretar esses dados. A mecanização dessas tarefas na organização dos dados pode trazer grande eficiência e poupar tempo no tratamento de grandes amostras, podendo tornar-se um processo mais sistemático, explícito, transparente e rigoroso.

Além disso, o software ainda permite a codificação por tipologias, por exame de hipóteses, a sobreposição de hierarquias e a proximidade e sequência de códigos (KELLE, 2008). Dentre estas funções do software, neste estudo fizemos uso apenas da classificação e codificação do texto a partir das categorias estabelecidas por antecipação. Cabe ressaltar que estas categorias não foram construídas pelo software, mas sim, pelos autores.

Em decorrência, as informações obtidas nas entrevistas puderam complementar os dados já existentes, auxiliando na sua elucidação e no seu aprofundamento. A partir do conjunto desse material, procuramos ordenar nossa compreensão a respeito de como os pais percebem sua participação na escola, conforme discussão apresentada no capítulo 5.

A partir dessa argumentação, é notório que a técnica de análise de conteúdo e a escolha do procedimento de categorização não são atividades simples de se realizar e demandam tempo e dedicação por parte do pesquisador, com idas e vindas da teoria ao material de análise, do material de análise à teoria, bem como pressupõe a elaboração de várias versões do sistema categórico. No entanto, entendemos que os resultados obtidos por meio dessa análise permitem-nos maior aproximação do contexto de criação do conteúdo das mensagens buscadas através dos métodos de coleta de dados propostos nesta pesquisa.

Isso vem ao encontro de Thiollent (1982), quando afirma que se deve pensar no processamento dos dados para fazer uma correlação entre os dados objetivos e os subjetivos, explicando como o sexo, a idade e a profissão determinam a opinião do sujeito.

Por fim, os dados obtidos na pesquisa foram analisados com base nos pressupostos da pesquisa qualitativa (ANDRÉ, 2012; ESTEBAN, 2010; LUDKE; ANDRÉ, 2014) e nos posicionamentos dos autores nos quais nos baseamos para compor os capítulos teóricos desta dissertação.

2 FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA PÚBLICA E A IMPORTÂNCIA DA