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4 PERCURSO E CONTEXTO DA PESQUISA: ELUCIDANDO O CAMINHO

4.3 PROCEDIMENTOS

Inicialmente, realizou-se um levantamento sobre a produção teórica já existente em relação ao tema proposto, desta maneira foi possível a identificação das lacunas a serem elucidadas, bem como a construção de um corpo teórico que ilustra o cenário social, histórico e cultural em que o tema está imerso. Assim, criou-se um embasamento teórico que sustenta as análicriou-ses decriou-senvolvidas após o levantamento dos dados. Junto à fundamentação teórica, deu-se prosseguimento ao trabalho com a submissão do projeto de pesquisa ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP – Mackenzie), realizada por via da Plataforma Brasil, um substrato eletrônico através do qual são realizadas apreciações de cunho ético acerca das pesquisas realizadas em seres humanos, que aprovou a execução desta investigação.

Para que o estudo pudesse ser desenvolvido com os profissionais escolhidos da referida escola de Educação Infantil, foi solicitado o consentimento da Instituição para o desenvolvimento da pesquisa, haja vista a realização não somente das entrevistas com o seu corpo docente, mas também a utilização de informações e imagens referentes ao funcionamento da escola e seu espaço físico. Assim, seguindo-se os trâmites éticos da pesquisa com seres humanos, o presente trabalho foi desenvolvido segundo os princípios presentes na Resolução 500/16 do Conselho Nacional de Saúde, que

(...) dispõe sobre as normas aplicáveis em Ciências Humanas e Sociais e cujos procedimentos metodológicos envolvam a utilização de dados diretamente obtidos com os participantes ou de

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informações identificáveis ou que possam acarretar riscos maiores que os existentes na vida cotidiana, na forma definida nesta Resolução. (BRASIL, 2016c, p. 1).

O Processo de Consentimento Livre e Esclarecido desenvolveu-se tal como previsto na referida Resolução, com esclarecimentos sobre: as características do estudo (em especial a justificativa, os objetivos e procedimentos metodológicos); o acesso garantido aos resultados da pesquisa; a possibilidade de desistência sem prejuízos; a privacidade e confidencialidade; o direito à indenização por dano decorrente da pesquisa; o direito ao ressarcimento em caso de gastos decorrentes da participação na pesquisa. Após a realização desses esclarecimentos, foi concedido aos convidados (instituição e participantes) o tempo necessário para esclarecer as dúvidas e refletir sobre o aceite ou a recusa.

Após a realização do convite e o aceite, houve a apresentação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), um documento que formaliza tanto as informações prestadas oralmente durante o processo de consentimento como o aceite das participantes. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido referente ao consentimento da Instituição encontra-se neste trabalho no Apêndice A e o TCLE, referente às participantes da pesquisa, está apresentado no Apêndice B, sendo que ambos foram construídos segundo o Art. 17 da Resolução 500/16, que apresenta os itens a serem apresentados no documento.

Elucida-se que cada convidado teve seu convite, esclarecimento e entrevista realizados de modo individual e em espaço que possibilitava a privacidade e o sigilo das informações trocadas entre pesquisador e participante. Após o aceite e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, procedeu-se à realização das entrevistas, cujo áudio foi gravado e posteriormente transcrito, ou seja, o conteúdo captado em forma de som foi repassado para a forma escrita a fim de que o discurso pudesse ser melhor analisado.

Com o objetivo de assegurar a privacidade das entrevistadas, o discurso destas encontra-se identificado neste trabalho sob nomes fictícios: Dália, Hortênsia, Margarida, Jasmim e Rosa. Os pseudônimos utilizados referem-se tanto a nomes femininos de pessoas, quanto a diferentes espécies de flores. Tais nomes foram escolhidos por conta do caráter ambivalente das flores: se por um lado denotam

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delicadeza, por outro possuem a capacidade de desencadear fortes e diferentes emoções em quem as vê e sente. Na cultura brasileira, as flores estão presentes em momentos marcantes da vida das pessoas, acompanhando rituais sociais e/ou religiosos, tais como nascimentos, casamentos e velórios.

O discurso apresentado pelas entrevistadas foi então analisado à luz do referencial teórico apresentado nos capítulos iniciais. Esta análise foi realizada seguindo-se alguns aspectos da metodologia de John B. Thompson, segundo o qual é possível realizar a análise dos dados singulares obtidos por meio das entrevistas em dois níveis: tanto através da contextualização do seu cenário social e histórico, quanto da análise dos conteúdos do próprio discurso, que se “quebram, dividem, desconstroem, procuram desvelar os padrões e efeitos que constituem e que operam dentro de uma forma simbólica ou discursiva”. (THOMPSON, 2011, p, 375).

A partir destas análises é possível a construção de novos significados e saberes, através do processo de reinterpretação das formas simbólicas18. Nas palavras de Thompson (2011): “As formas simbólicas podem ser analisadas mais além, em relação tanto às suas condições sócio-históricas como a suas características estruturais internas, e elas podem, por isso, ser reinterpretadas”. (p.

376). Fala-se em reinterpretação em razão de saber-se que, cotidianamente, as pessoas, mergulhadas em seu contexto histórico e social, atribuem significados próprios aos seus conteúdos, sendo este novo processo de interpretação o modo pelo qual novos saberes são metodologicamente produzidos.

Desta forma, os dados obtidos a partir das entrevistas receberam um tratamento qualitativo de análise, que

[...] se caracteriza por buscar uma apreensão de significados na fala dos sujeitos, interligada ao contexto em que eles se inserem e delimitada pela abordagem conceitual (teoria) do pesquisador, trazendo à tona, na redação, uma sistematização baseada na qualidade, mesmo porque um trabalho desta natureza não tem a pretensão de atingir o limiar da representatividade. (ALVES; SILVA, 1992, p. 65)

18 Thompson define as formas simbólicas do seguinte modo: “Formas simbólicas são os produtos de ações situadas que estão baseadas em regras, recursos, etc., [...], mas elas são também algo mais, pois elas são construções simbólicas complexas, através das quais algo é expresso ou dito”. (THOMPSON, 2011, p. 369).

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As análises foram realizadas levando-se em consideração três pilares básicos: os objetivos da pesquisa, o corpo conceitual apresentado no trabalho e a realidade social na qual participantes e pesquisador estão imersos. Desta feita, os conteúdos foram organizados, classificados e analisados segundo categorias ou eixos de análise, compostos de entrecruzamentos entre os aspectos comuns observados nos discursos dos participantes, os descritores ambientais em que estão imersos e a sustentação teórica do trabalho, possibilitando ao leitor a compreensão do processo de construção de novos conhecimentos a partir da análise qualitativa.

Ressalta-se que, para fins de teste, ainda no período de elaboração do projeto desta pesquisa, foi realizada uma entrevista inicial com uma professora do ensino público de Itaquaquecetuba, São Paulo, para avaliar em que medida o instrumento de coleta de dados serviria para o alcance dos objetivos almejados.

Porém, afirma-se que os dados obtidos com este contato não foram utilizados na elaboração deste trabalho.