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3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.7 Procedimentos

A seguir, os procedimentos adotados tanto na parte qualitativa, com estudos de caso e entrevista, quanto na parte quantitativa, com survey e questionário, serão apresentados.

3.7.1 Estudos de caso e entrevista semi-estruturada na parte qualitativa

Como apresentado anteriormente, o método de pesquisa utilizado na parte qualitativa foi o estudo de caso e o instrumento prioritário de pesquisa foi a entrevista semi-estruturada.

Após a definição do modelo conceitual que foi adotado, foi necessário escolher os casos que ajudaram a verificar a aplicabilidade desses conceitos na prática gerencial. Segundo Eisenhardt (1989), a seleção de casos é um aspecto fundamental para a pesquisa, pois a definição de certos requisitos pode isolar aquela população de fatores exógenos e, assim, garantir certa generalização para aquela amostra. Pettigrew (1988) apud Eisenhardt (1989) afirma que a escolha

do caso, sobretudo quando se pretende gerar teoria por meio do caso ou quando se pretende ampliar o conhecimento sobre uma teoria emergente, deve se pautar em casos considerados extremos, com características diferentes e é justamente aí que reside o interesse no caso. Como o objetivo da parte qualitativa do estudo é encontrar características passíveis de serem questionadas na parte quantitativa, o estudo de um caso extremo justifica-se.

Nesse contexto, o critério de seleção da primeira empresa, que será referenciada como Empresa A seguiu os seguintes requisitos: empresa 100% de capital nacional, um único dono e microempresa (até 9 funcionários, segundo classificação da ABES (2009)), exceto o caso de a empresa ser individual (conforme já explicado) e conveniência.

Por sua vez, o critério de seleção da segunda empresa, que será referenciada como Empresa B seguiu, portanto, os seguintes requisitos: empresa 100% de capital nacional, um único dono, empresa com mais de 200 funcionários, dos quais mais de 90% têm perfil técnico, desenvolve software tanto para o mercado interno quanto para o externo e conveniência.

Em ambos os casos, o anonimato foi preservado, por solicitação das próprias empresas, mas não constituem problemas para a pesquisa, já que nenhuma informação relevante para o

entendimento do fenômeno foi omitida.

Foram conduzidas 4 entrevistas na Empresa A, sendo uma com o Sócio Proprietário, na sede da empresa, em uma cidade da região metropolitana de São Paulo, uma com o gerente, uma com o programador e uma com o técnico de informática, totalizando os quatro funcionários da empresa. Nesse caso, também houve observação direta do Sócio Proprietário durante um período de uma hora. A primeira entrevista teve duração de uma hora e meia e as demais, de cerca de quarenta e cinco minutos cada.

Foram conduzidas 3 entrevistas na Empresa B, sendo uma com o Sócio Proprietário, na sede da empresa, na cidade de São Paulo, uma com o Gerente Comercial, em uma sala reservada em uma conhecida faculdade da cidade de São Paulo e uma com um desenvolvedor de software, por telefone. Na entrevista com o Sócio-Proprietário, houve também observação da sua atuação por um período de 30 minutos. A primeira entrevista teve duração de aproximadamente uma hora e meia e as outras duas, de cerca de uma hora cada. Embora o número reduzido de entrevistas pudesse enviesar a análise, verificou-se que isso não aconteceu, por uma particularidade da Empresa B, que será debatida a seguir e que foi considerada para a parte quantitativa da pesquisa.

A análise dos dados levou em consideração as 10 dimensões do modelo conceitual e, principalmente, a relação de causa e efeito entre elas. Os entrevistados foram diretamente questionados sobre a percepção quanto à existência de uma relação de causa e efeito entre as 10 dimensões. Além disso, houve observação direta das decisões do principal gestor da Empresa A e da Empresa B.

Assim, para a parte qualitativa desta pesquisa, foi utilizada a técnica de entrevista

semi-estruturada e cujo protocolo de pesquisa, consoantes com os objetivos propostos, está

apresentada no Apêndice 1.

3.7.2 Questionário e survey na parte quantitativa

A parte quantitativa desta pesquisa foi realizada por meio de questionário e sua divulgação por meio do método survey, como apresentado anteriormente.

A chamada para a pesquisa está apresentada no Apêndice 2 e, no corpo da mensagem, há um link que direciona o respondente para o questionário on-line. Esse questionário está hospedado no sítio: http://www.surveymonkey.com, que é uma plataforma específica para a condução de pesquisa on-line. A modalidade escolhida foi Professional Quarterly Account, que permite disponibilizar um número grande de perguntas e receber um grande número de respondentes, ambos adequados para o tamanho do questionário e quantidade estimada de respondentes.

A chamada para a pesquisa foi disparada, de maneira eletrônica, para contatos do círculo de relacionamento do pesquisador, em um total de mais de 100 e-mails, no período entre 1 de agosto de 2009 e 30 de setembro de 2009.

Além de contatos pessoais do pesquisador, a chamada foi enviada também para entidades de classe do setor, como a ABES, a Brasscom (Brazilian Association of Information Technology

and Communication, que pretende representar majoritariamente as empresas brasileiras que

exportam software) e a Softex (Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro, que pretende aumentar a competitividade das empresas brasileiras de software para a exportação). Por fim, a chamada foi enviada também para a rede Gesiti, Gestão dos Sistemas e Tecnologias de Informação em Organizações, que pretende abranger o estudo inter e multidisciplinar dos Sistemas e Tecnologias de Informação e os aspectos humanos relacionados

com o entendimento de como as pessoas procuram, obtém, avaliam, compartilham, classificam e fazem uso da informação.

Vale ressaltar que, embora mais de um canal tenha sido utilizado para a divulgação da entrevista, não é possível precisar quantas empresas efetivamente receberam o questionário.

O questionário on-line permaneceu disponível no período entre 1 de agosto de 2009 e 23 de outubro de 2009, e foram recebidas 16 respostas de empresas brasileiras de desenvolvimento de software, o que é um número pequeno para a condução de um survey, o que denota outra limitação do trabalho. No entanto, como será observado a seguir, ainda que com um número reduzido, os resultados são potencialmente interessantes e relevantes tanto para a academia quanto para a prática.

O questionário completo está no Apêndice 2 e mais detalhes dos critérios adotados para a classificação serão apresentados ao longo da apresentação de resultados, para facilitar a compreensão e adequação dos critérios em relação aos resultados obtidos.