3 MÉTODO
3.3 PROCEDIMENTOS
3.3.1 Coleta de dados
As fontes para o desenvolvimento da revisão de literatura que respaldam este estudo foram baseadas no repertório clínico e científico da pesquisadora, em algumas bibliografias conhecidas durante o curso de mestrado de Família na Sociedade Contemporânea na linha de Contextos Familiares da Universidade Católica do Salvador- BA, além de artigos em portais de periódicos em portais ou plataformas acadêmicas como: CAPES, Science Direct, Scopus, Google Scholar, Scielo, Scribd entre outros, usando como descritores algumas palavras que são objetos da pesquisa, como: jovem adulto, ninho cheio, corresidência, geração canguru.
Segue quadro com o número de artigos que faziam referência ao tema estudado nos principais portais de periódicos/artigos:
Quadro 2- Portais pesquisados Combinações de palavras-chave Portais Nº artigos c/<5 anos Relevantes ninho cheio; adulto Science Direct 195 0 Scopus 4 1 Capes 1 0 ninho cheio;
geração canguru Google Scholar
59 4 corresidência; pais; adulto Science Direct 4409 4 Scopus 0 0 Capes 0 0
Fonte: pesquisa da autora (2017).
Apesar de contemporâneo pode-se observar que o tema ainda é pouco explorado academicamente, embora hajam estudos aprofundados sobre o mesmo, principalmente de origem nacional ou em alguns casos europeus, como por exemplo, em países como a Itália, que apresenta similaridade com a cultura familiar brasileira,
por possuir forte vínculo afetivo na relação pais-filhos. Em paralelo, economicamente, o mundo se apresenta mais desenvolvido tecnologicamente e, portanto, mais competitivo, solicitando assim que os jovens em transição à fase adulta se dediquem mais aos estudos, demandando que seus pais, próximos, presentes e mais compreensíveis, assumam o filho por maior tempo em casa, se quiserem que os mesmos conquistem seus objetivos. (RODRIGUES; KUBLIKOWSKI, 2014)
A revisão de literatura contribuiu para a construção do estado da arte, base para discutir a análise dos dados coletados nas entrevistas semiestruturadas. Dessa forma, os capítulos foram colocados de modo a contemplar tópicos sobre as teorias fundamentais da ciência do desenvolvimento, como o ciclo vital familiar, a teoria bioecológica do desenvolvimento; sobre atualidades: contextos contemporâneos, mudanças sociais, além de conceitos sobre objetos da pesquisa como: família, juventudes e gerações.
Após a revisão de literatura, a pesquisadora teve um repertório aumentado, o que permitiu a elaboração de um roteiro (conforme descrito nos INSTRUMENTOS, APÊNDICES A e B), dividindo-a em três tópicos principais: juventude, autonomia e valores. Em seguida, a pesquisadora contatou sua rede social para identificar as famílias a serem entrevistadas. Após obter o contato de um participante que atendia aos critérios de inclusão, primeiramente ligava para a mãe, apresentando os objetivos da pesquisa e convidando para agendar a situação de entrevista. Em todos os casos, a mãe foi convidada a atuar como mediadora do contato da pesquisadora com o pai e com o filho ‘canguru’. Foram contatadas ao todo nove famílias, sendo que apenas em quatro delas, todos os membros aceitaram participar das entrevistas. Foi então agendado o local, a data e horário com todos os membros, através de contato telefônico.
Ao chegar ao local da entrevista foi solicitado a cada família que os três membros indicassem quem desejava iniciar a entrevista. Coincidentemente os filhos se dispuseram a fazer a entrevista em primeiro lugar, seguidos pelos pais. Apenas em uma família foi necessário o retorno, pois um dos pais passou mal e solicitou adiamento.
As entrevistas com as famílias escolhidas foram feitas com os pais juntos e em situação separada do/a(s) filho/a(s) para evitar contaminação nas respostas. Essa
decisão se deve ao fato de que é fundamental captar a espontaneidade dos relatos dos genitores que não seria obtida, caso a entrevista ocorresse em separado.
O local foi eleito pelas próprias famílias e todas escolheram suas próprias casas. Como a entrevista era gravada solicitou-se que houvesse um ambiente tranquilo, com pouco ruído e que pudesse oferecer privacidade ao entrevistado.
Inicialmente a pesquisadora leu o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE- APÊNDICES C e D), neste já havia o esclarecimento da necessidade de gravação e posterior transcrição e de todas as condições éticas subentendidas nas cláusulas do mesmo, sendo em seguida assinado pelos participantes em duas vias.
O primeiro instrumento aplicado foi o questionário ABEP (ANEXO A) e o preâmbulo da entrevista semiestruturada, para posicioná-los melhor quanto ao tema que iriam responder.
3.3.2 Análise de dados
Segundo Yin (2001), o estudo de casos múltiplos não busca a generalização de seus resultados, mas sim a compreensão e interpretação mais profunda dos fatos e fenômenos específicos. Embora não possam ser generalizados, os resultados obtidos devem possibilitar a disseminação do conhecimento, por meio de possíveis generalizações ou proposições teóricas que podem surgir do estudo.
Após as transcrições, optou-se por apresentar as análises dos filhos ‘cangurus’, seguidas dos pais (a fim de manter o sigilo, optou-se por colocar apenas as iniciais dos participantes) e num segundo momento, foi feita uma análise horizontal e integrativa, incluindo breve apresentação das características psicossociais de cada família entrevistada e categorização dos principais valores familiares identificados (após selecionar as declarações mais significativas a fim de encontrar as unidades de significado para contextualizá-las, segundo o modelo bioecológico). Vale a ressalva que, como a transcrição foi feita pela própria pesquisadora, a discussão tornou-se enriquecida e facilitada, pois promoveu a observação da mesma sobre o contexto da relação familiar abordada.
3.3.3 Ética da pesquisa
O primeiro contato foi efetuado de forma presencial, a fim de requerer o consentimento informado da participação no estudo (TCLE) assinado por ambas as partes e garantir o sigilo e a preservação das identidades dos informantes. A investigação foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa antes de se iniciar a fase de inserção em campo, em atenção à resolução CNS/MS510/16, elaborada a fim de resolver epistemologicamente questões da pesquisa qualitativa em Ciências Humanas e Sociais (CHS), em que a neutralidade e a objetividade positivista esperadas em pesquisas como as de cunho biomédico não acontecem.
[...] Considerando que as Ciências Humanas e Sociais têm especificidades nas suas concepções e práticas de pesquisa, na medida em que nelas prevalece uma acepção pluralista de ciência da qual decorre a adoção de múltiplas perspectivas teóricas- metodológicas, bem como lidam com atribuições de significado, práticas e representações, sem intervenção direta no corpo humano, com natureza e grau de risco específico;
Considerando que a Resolução 466/12, no artigo XIII. 3, reconhece as especificidades éticas das pesquisas nas Ciências Humanas e Sociais e de outras que se utilizam de metodologias próprias dessas áreas, dadas suas particularidades;
Considerando que a produção científica deve implicar benefícios atuais ou potenciais para o ser humano, para a comunidade na qual está inserido e para a sociedade, possibilitando a promoção de qualidade digna de vida a partir do respeito aos direitos civis, sociais, culturais e a um meio ambiente ecologicamente equilibrado;
e Considerando a importância de se construir um marco normativo claro, preciso e plenamente compreensível por todos os envolvidos nas atividades de pesquisa em Ciências Humanas e Sociais, resolve: [...] (BRASIL, 2016, p.44)
A relação entre o pesquisador e o “pesquisado” no encontro da entrevista, é para ambos um momento de aprendizado e de mudança. Existe uma negociação do significado das histórias, pois poderá haver um entrelaçamento entre a semântica do participante com a do pesquisador. Pode resultar em vários insights positivos sobre a vida, por ambos. Facilitando também a ordenação dos eventos e assim assimilando melhor as experiências vividas. (CRESWELL, 2014)
Considerando que a relação pesquisador-participante se constrói continuamente no processo da pesquisa, podendo ser redefinida a qualquer momento no diálogo entre subjetividades, implicando reflexividade e construção de relações não hierárquicas [...] (BRASIL, 2016, p.44)
E cujo benefício foi assim apresentado aos pesquisados:
“(...) esta pesquisa poderá ajudá-lo (a) a refletir sobre a relevância do tema para sua vida. Além disso, será ampliado o conhecimento científico sobre o fenômeno e tais dados poderão ajudar profissionais que trabalham com famílias na construção de práticas sociais em agenda pública”. (transcrito do TCLE- APÊNDICE C e D)
A ética implica ver “os dois lados da moeda”, e riscos ou danos são plausíveis de acontecer. Constrangimentos, bloqueios, pausas, encruzilhadas e mudanças de direção são os possíveis comportamentos e emoções dos quais os participantes estão sujeitos, podendo aparecer como mecanismo de defesa psicológica, ao entrar em contato com um trauma passado, ou mesmo ao revisitá-lo com suas lembranças e manifestações expressas publicamente.
Tais riscos e danos foram apresentados aos pesquisados da seguinte forma:
Há o risco de constrangimento ou algum transtorno psicológico em decorrência de a entrevista ser gravada e abordar conteúdos íntimos. Caso isso ocorra, você receberá apoio psicológico gratuito por parte da pesquisadora (que possui especialização para tal) a qualquer tempo, mesmo que o/a senhor/a/(aos pais) ou você (ao jovem) venha verificar o transtorno após a entrevista. (transcrito do TCLE - APÊNDICE C e D)
Além disso, desencadeamento de tensões e conflitos entre os membros da família pesquisada também poderão ocorrer: “Considerando que a pesquisa em ciências humanas e sociais exige respeito e garantia do pleno exercício dos direitos dos participantes, devendo ser concebida, avaliada e realizada de modo a prever e evitar possíveis danos aos participantes” [...]. (BRASIL, 2016, p. 44) A pesquisa de campo transcorreu sem que nenhum evento inesperado ou conflitivo ocorresse.
Corroborando com a ética, nas citações dos participantes no texto do estudo, foram tomadas medidas a fim de evitar revelar a identidade dos mesmos, com o uso apenas das suas iniciais.