Buscou-se verificar quais procedimentos são adotados na tomada de decisão das micro e pequenas empresas. Inicialmente identificou-se os responsáveis pela administração da empresa, pelo controle do setor financeiro e do setor de estoques. O Quadro 13 apresenta a identificação dos responsáveis por estes setores de controle operacional. Responsável pela Administração Respostas % Responsável pelo setor financeiro Respostas % Responsável pelo setor de estoque Respostas %
Proprietário 45 90 Proprietário 40 80 Proprietário 34 68
Administrador 2 4 Administrador 4 8 Administrador 3 6
Gerente 3 6 Gerente 3 6 Gerente 10 20
Outro 0 Outro 3 6 Outro 3 6
TOTAL 50 100 TOTAL 50 100 TOTAL 50 100
Quadro 13– Identificação dos responsáveis pelos controles operacionais Fonte: Pesquisa de levantamento
Analisa-se no Quadro 13, que o responsável pelos setores da administração, setor financeiro e setor de estoque são majoritariamente os sócios das empresas, com frequências de 90%, 80% e 68% respectivamente. Gerentes, administradores ou outros exercem responsabilidade sobre os setores da administração, financeiro e estoques, apenas com frequência de 10%, 20% e 32%, respectivamente. Cabe ressaltar que em poucas empresas pesquisadas os setores financeiros e de estoques são exercidos por pessoas contratadas, ou seja, os sócios realizam tais funções, mesmo que com formação
incompatível e/ou realização de cursos de gestão com frequência. Fato semelhantes foi cotejado por Santos et al (2016) onde os sócios são responsáveis por tais controle no percentual de 92,68%; 80,49% e 75,61%.
Demais informação sobre os procedimentos utilizados na tomada de decisões estão apresentados no Quadro 14, em que se pode observar que os recursos mais utilizados na tomada de decisão é a experiência do empresário/gestor, abrangendo 74% dos respondentes, variável semelhante à de Santos et al (2016) que apresentou 70,73%. Informações fornecidas pela contabilidade e relatório dos gestores, resultam em apenas 22% e 4%, respectivamente. Pertinente à consulta na tomada de decisões financeiras ressalta-se que 18 entrevistados (36%) não consultam ninguém, tomam decisões por si próprios. Já 30% consultam seus gerentes de banco e apenas 16% consultam o contador. Não obstante Santos et al (2016) verificou que 34,15% consultam o contador na tomada de decisão financeira. Os demais consultam a família, um administrador ou um consultor especializado, 8%, 6% e 4%, respectivamente.
Conhecimento do resultado
mensal (lucro ou prejuizo) Respostas % Recursos utilizados na tomada de decisão Respostas %
Sim 34 68 Experiência 37 74
Não 16 32 Informações forn. Contabilidade 11 22
TOTAL 50 100 Relatório de gestores 2 4
Frequência de discussão do
resultado junto ao contador Respostas %
Intuição 0 0
Outro 0 0
Frequentemente 4 8 TOTAL 50 100
Pouca frequência 8 16 decisões financeiras Consulta ao tomar Respostas %
Raramente 2 4 Contador 8 16
Nunca 36 72 Economista 0 0
TOTAL 50 100 Familia 4 8
Informações contábeis contribuem
para o objetivo da empresa? Respostas %
Consultor 2 4
Administrador 3 6
Sim, nas decisões diárias 18 36 SEBRAE 0 0
Sim, nas decisões estratégicas 2 4 Orgão do governo 0 0
Sim, nas decisões de financiamentos 4 8 Gerente de banco 15 30
Sim, nas decisões de investimentos 0 0 Nínguem 18 36
Sim, no atendimento da parte legal 26 52 TOTAL 50 100
TOTAL 50 100 Como é feita a elaboração
de relatórios da empresa? Respostas % Respostas %
Quais das informações considera importante para garantir a
continuidade do negócio?
Sistema 42 84
Conhecer o custo dos produtos 45 90 TOTAL 50 100
Conhecer o fluxo de caixa futuro 42 84 A contabilidade é utilizada
como instrumento de apoio à gestão?
Respostas %
Conhecer os concorrentes 42 84
Saber analisar balanço Patrimonial 35 70 Sim 40 80
Conhecer o valor de mercado dos
produtos 45 90 Não 10 20
Conhecer a demanda do produto 49 98 TOTAL 50 100
Possuir um bom planejamento
tributário 38 76 Existe o departamento de
controladoria? Respostas %
TOTAL 50 100
Sim 1 2
Não 49 98
TOTAL 50 100
Quadro 14 – Procedimentos utilizados na tomada de decisão Fonte: Pesquisa de levantamento
Para registro de documentos e movimentações, a pesquisa apontou que 84% das empresas pesquisadas possuem sistema operacionalizado de gerenciamento contábil e 8 empresas ainda fazem seus registros manuais, mas pensam em implantar um sistema, diferentemente do que verificou-se na pesquisa de Santos et al (2016), 19 empresas utilizam sistemas manuais (papel).
No que se refere ao conhecimento do resultado mensal (lucro ou prejuízo) a maioria (68%) diz conhecer. No entanto os gestores não procuram seus contadores para discutir esses resultados, visto que, 72% nunca discutiram. Dos entrevistados, 10 (20%) analisam o resultado mensal raramente ou com pouca frequência junto ao contador responsável e apenas 8% analisam frequentemente estes resultados. Cabe ressaltar que o percentual dos entrevistados por Santos et al (2016) que nunca discutiram junto o contador é apenas 9,76%. É possível associar também a não discussão de melhorias de resultado, com a maioria das empresas pesquisadas, serem enquadradas como micro empresa, tendo em vista, faturamento anual superior à R$ 360.000,00, cujo resultado nunca foi discutido entre contadores e gestores, numa proporcionalidade de 72% das empresas pesquisadas, minimizando assim, a oportunidade de crescimento e lucratividade das mesmas.
Tendo em vista o distanciamento dos gestores e contadores relativo a análises do resultado, mais da metade dos entrevistados (52%) alegam que a contabilidade contribui para os objetivos da empresa apenas no acompanhamento dos negócios e atendimento da parte legal, percentual maior observado por Santos et al (2016): 65,85%. Serrasqueiro e
Nunes (2004) também afirmam que a contabilidade da empresa presta serviços básicos, como o atendimento à parte legal, o que indica que, possivelmente, a contabilidade da empresa é utilizada apenas para atendimento à legislação e não fornece informações que sustentam a tomada de decisão.
Evidenciou-se também que a contabilidade contribui em nas decisões estratégicas ou de financiamento para 12%. Menos da metade dos respondentes (36%) apontam que a contabilidade auxilia nas decisões diárias, fato que comprova a não relevância contábil na tomada de decisão dos gestores, embora 80% achar que a contabilidade propõe auxílio na gestão empresarial. Cabe observar a divergência nas respostas: como 80% consideram que a contabilidade auxilia na gestão, sendo que 52% alegam ter influência apenas para parte legal? Ressalva-se a possibilidade de não conhecimento apropriado dos respondentes às questões ou impertinências nas respostas, podendo ser relacionado pela variável de baixo índice de nível superior, bem como, pouca freqüência de cursos de gestão empresarial, proporcionando respostas coerentes.
Pertinente à relevância da contabilidade, os respondentes consideram importante conhecer artefatos que ajudam na continuidade do negócio e vitalidade empresarial. Liderando esses aspectos, conhecer a demanda do produto é essencial à 98% dos entrevistados; 90% consideram importante conhecer o preço de mercado dos produtos e custos dos mesmos; já os que consideram importante conhecer o fluxo de caixa e os concorrentes identificam-se 84%; possuir um bom planejamento tributário e saber analisar balanço patrimonial é importante para 76% e 70% dos entrevistados, respectivamente.
4.4 INSTRUMENTOS DA CONTABILIDADE GERENCIAL UTILIZADOS PELAS